Frases da roça que exaltam a simplicidade do interior
Quando a fé é sensata, coerente e madura o homem crê que deus lhe dará uma boa enxada para capinar a roça. Mas quando a fé é histérica, picareta e infantilizada o homem crê que deus irá capinar a roça por ele.
A melhor cidade desse mundo
Tem um nome embaraçado
Dadivada por dois rios
Nossos vizinhos de lado
Bem verdade seja dita
A paisagem já foi mais bonita
E os rios mais preservados.
A melhor cidade desse mundo
Não é melhor por perfeição
Tá bem longe disso
Falta saúde, falta educação,
Tem é muito politiqueiro
Bem pouco político verdadeiro
mas é nossa Princesa do Sertão.
A melhor cidade desse mundo
Tem um povo muito vivido
Tem roda de conversa à noite
Tem feirinha com seu atrativo
A água do rio corda gelada
A cadeira na porta da calçada
A família e as brincadeiras de amigos.
A melhor cidade desse mundo
ensinou-me a respeitar a natureza
jogar pião, peteca e bola na rua
Sem ter mania de grandeza
Coisas de cidade do interior
Mas que levo com muito amor
Pois minha raiz é minha riqueza.
A melhor cidade desse mundo
Nos traz mais proximidade
Não tem tecnologia avançada
Mas tem gente de verdade
Que conversa e escuta
Sem modernidade fajuta
Morar nela é felicidade.
A melhor cidade desse mundo
É a que cada um gosta de morar
A minha escolha é Barra do Corda
Se me perco, encontro-me lá
A vida vai passando depressa
Quando me distancio ouço: regressa!
Você sabe que aqui é seu lugar.
JOÃO ALFREDO
Na vida do interior,
o dia começa cedo.
Tomar banho no riacho,
bem na sobra do arvoredo,
depois deitar no arbusto,
tudo isso sem ter custo,
logo ali em João Alfredo.
Quero sair da cidade
Pro sertão vou viajar
O botão do paletó
Quero desabotoar
Calçar a minha chinela
Ver o campo da janela
No roçado descansar
BEBÊ CABRITO
Ele é muito inteligente,
não quer saber de atrito,
nem vacina ele toma,
não precisa estar inscrito,
é melhor que gente braba,
mama na teta da cabra,
esperto bebê cabrito.
De toda minha vida, quase três partes se passam na cidade onde, em meio à competitividade, insisto em sobreviver e adquirir conhecimento, mas se não fosse a primeira parte vivida na roça onde aprendi a arte da humildade e da sobrevivência, certamente já teria sucumbido.
Dizem que cidade grande
É o melhor canto que há
Que tem tudo nessa vida
Que se possa imaginar
Mas na roça tem igual
Mais bonito e natural
Basta a gente comparar
.
A cidade tem o carro
O metrô e o caminhão
Não tem pássaro no céu
Não tem bicho pelo chão
A roça tem sabiá
Pato, boi, tamanduá
Cabra, peixe e pavão
.
A cidade tem farol
Com a sua luz acesa
Mas não tem o cintilar
Nem o brilho da beleza
O roçado tem luar
Com estrelas a piscar
No clarão da natureza
.
A cidade tem barulho
O roçado, amenidade
A cidade tem agito
A roça, serenidade
Na cidade, o tempo voa
No roçado, eu fico à toa
Na maior tranquilidade
Meus tempos de Infância
PARTE 01
Toda hora estou pensando
E agora vim me expressar
Através da rima eu escrevo
O que o coração quer falar
Memórias da minha infância
Que a mente tenta acessar.
Um tempo bom por demais
Pomares, rios e currais
Brincadeiras, festa e alegria
Naquele lugar reunia
Famílias com alegria...
Brincadeiras e diversão
Simplicidade e muita união
Podia ter só o feijão
Que ainda sim chamava atenção...
Todo mundo queria ficar
Naquele lindo lugar
Visitante se admirava
Pra um e outro falava
E assim a fama espalhava
Por toda região, daquele barracão
De paredes de pau a pique
Das prateleiras mais chiques
Era os alumínios da minha vó
Que de longe encadeava
Do brilho que ela dava
Com areia, bucha e sabão.
Com amor e dedicação
Em tudo que ela fazia.
Trabalho disfarçado de lazer
Para as crianças aprender
Como tudo se fazia
Não era como hoje em dia
Que não pode fazer nada
As Brincadeiras boas estão paradas
Pois os pais não deixam brincar
Agora só tem celular acabando com a diversão
E cada um mais molão
Diferente de outro hora
Que Meninada Jogando bola,
Lá no meio do terreiro
Podia fazer lameiro
Que os pais não se importava
Tinha mais fé que era Deus que cuidava
E tudo ficava bem!
São muitas memórias que surgem
Quando eu paro para pensar
Naquele incrível lugar
Que passei a minha infância
Tempo bom de criança que pude aproveitar.
Eu lembro dos meus avós
Na flor da juventude
Força, fé e atitude
Trabalhando com paixão
Naquele fecundo baixão
Minha vó na mão de pilão
Debulhava aquele arroz
E já preparava depois
Tudo fresco ali da hora
Essas são as memórias
Que me pego a pensar.
Meus tios com par de espora
Aprendiam a caminhar
Trabalho, sustento pra o lar
Era o que os pais ensinavam
Respeito e consideração
Passava para a geração
Como enfrentar a vida
Com sabedoria e proeza
Não tinham muita riqueza
Mais tinha muita alegria
Era seu jeito de amar
Ensinando uma profissão
Cada filho um leão
Era assim que preparava
Uma forte geração.
Com garra, fé e união.
Autor: Fernando G Saldanha
13/01/2025
“LEMBRANÇAS DA FAZENDA”
Hoje me lembrei da serra onde eu nasci,
Fez lembrar das histórias das visagens,
Causos a causos detalhados dos mais velhos,
Recordando desses contos que ouvia, me perdi;
Eita Dona “Matinta Pereira” mãe mata que mora ali,
Era uma tal de assombração que leva as crianças;
Sem piedade, raptadas de suas casas,
Só Deus sabe quão grande foi o medo que senti;
Não recebia gente em casa à noite, nem se podia partir,
A noite a mata era assombração para todo lado,
Cobra grande, boto d´água, saci Pererê,
O maior dentre eles era o gigante Mapinguari;
Eu pensava: Deus me livre se tudo isso se reunir?
Um sarau na floresta dos seres lendários apavorantes,
Festejando e assombrando as noites tão brilhantes,
Imaginando, coitado de povo que mora ali;
Mas no cantar do galo via a luz do sol surgir,
À medida que o dia clareava,
O desespero assim passava,
Sentindo o cheiro do que café que ia sair;
As galinhas chegando na varanda daqui,
É um corre-corre pra todo lado,
O galo que não cria os pintos vem apressado,
Para comer da quirela esparramada bem ali;
Incrível essas lendas, de dia não existiam por ali,
Só sobrava tempo para trabalhar o dia todo,
Planta, colhe, arranca, corta e roça o mato
Na cidade a comida não é melhor do a daqui;
Todo dia eu oro ao Pai do Céu grato a pedir,
Senhor meu Deus fui homem do campo,
Na cidade hoje tiro o meu sustento, mas eu ainda sonho,
Viver feliz do jeito matuto, como lá, na fazenda onde eu nasci!
Deutes Rocha Oliveira, 10-11-2021
P e r e g r i n o
No campo eu aprendi a cuidar do arado, eu me lembro que levava as ovelhas e os cachorros até um monte alto, de onde via a cidade;
lá em cima havia um pé de coqueiro, onde repousava. E para mim, era uma aventura, uma espécie de pastoreio.Minha vó, muito generosa, fez uma "capanga", de couro para mim e nela eu levava, comida e água.
Eu ficava muito tempo com os bichos, com o silêncio e observando de longe a cidade; mais tarde havia sempre um vento que soprava o coqueiro, mas embora eu fosse ainda menino, não tinha medo do vento, pelo contrário, eu repousava e ouvia o vento passar.
(...)
Vou te mostrar que bruto não é ignorante
Molha o seu corpo com a garrafa de espumante
Eu vou botar no bolso os playboyzinho que você gosta
Vai se perder comigo hoje no caminho da roça
Em um dia chuvoso,
Eu com minha xícara de café,
Não paro de pensar naquela muié,
O que será que aconteceu,
Meu coração parece que a ela se rendeu,
Devo eu falar, que das coisas mais belas
é ouvir ela a cantar.
Por meio de verso e prosa,
Minha mente devaneia e entrosa,
Mesmo com um sorriso,
Longe está a dona do meu riso,
Quero viver o momento onde a primavera vai chegar,
E que meu coração, lá construa meu lar.
Nada perco por esperar,
Nessa vida, onde o que vale é o amar.
Independente do lugar,
meu coração está firmado,
pela primeira vez, deixo as incertezas,
pelo poder da decisão,
que muda toda uma vida,
e em tudo procura nova razão
para cada passo ousado em sua direção.
Sorriso, 20 de Fevereiro de 2022
A CASINHA
Minha casa é muito simples,
não tem luxo nem riqueza,
mas é muito abastada
do que vem da natureza.
Fica longe da cidade,
mas, é na simplicidade,
que mantém sua beleza.
Valorize quem merece
e o trata com carinho,
segue junto ao seu lado
na estrada, no caminho.
Valorize e cuide bem
para ter o seu alguém
e não terminar sozinho.
A rotina no roçado
é antes de o Sol raiar,
é alimentar o gado,
e a lavoura cultivar.
E, à noite, um forró
pra dançar com o "xodó",
e "adispois" ir namorar.
O mundo gira veloz,
o povo vive apressado,
correndo não sei do quê,
passa o dia estressado.
Só existe um lugar
onde a vida é devagar:
é aqui no meu roçado.
Impossível esquecer
os encantos do sertão.
Mesmo saindo de lá,
fica na recordação.
Feito uma tatuagem
gravada no coração.
NOITE DO INTERIOR
Cai a noite no roçado
É tão bom para se ver
As estrelas lá no céu
Logo após escurecer.
O universo é tão grande
Acho que é semelhante
Ao que sinto por você.
