Frases de Revelação
A fonte da verdade não é o seu 'eu acho', 'Deus me disse' ou o que você sentiu. A revelação de Deus não se baseia nas suas emoções nem em uma religião barata de sentimentos! A única autoridade que permanecerá de pé no Dia do Juízo é esta: o que diz a Palavra do Senhor? O que está escrito na Bíblia? Todo o resto é fumaça e vaidade humana!
O cubismo político dá um sentido a revelação inerte todavia pirataria governantal.
O cubismo e retrato do capitalismo em si da aspiral irrelevante pois o olhar se define por fatos históricos.
Seus atos medonhos e insanos denotam a fragilidade da mente no governo.
Pois era de Nero passou sua era também passará sera este seu legado.
Nas profundezas da ética e moral somos meros filhos de um tempo comandado por uma pessoa como questionar um lobo que cuida de ovelhas tem alimentação infinitamente.
O retrato do capitalismo se da nas sombras do imperialismo.
REVELAÇÃO
Noites escuras quando aparecem
Não daquelas quando anoitecem
São nebulosos pesadelos
Que surgem dos nossos medos
Um abalo revira dentro da gente
Como barulho de uma enchente
Nos debruçamos em preces
Lembramos até das quermesses
E caímos assim de joelhos
Implorando por conselhos
Para nos tirar dessa aflição
E tranquilizar nosso coração
Nestas horas surge a oração
Que antes existia a distração
E de repente nessa escuridão
Surge o brilho de revelação
Toma conta o desespero
A vida assim em destempero
Lembramos que através do tempo
Não encontramos nenhum momento
De lembrar Daquele que morreu na cruz
De Jesus que de verdade nos conduz
E nessa hora meio a perdição
Vem o sopro divino como canção
Revelando a certa direção
Através de nosso Senhor Cristo Jesus
Pois somente Ele na imensidão
Nos tira dessas noites escuras
Levando a sentir a forte emoção
Que enche toda nossa vida em Luz!
João Batista Barbosa
Poesia
“Quando um bebê encontra o olhar de alguém verdadeiramente bom, não é acaso — é revelação: o sorriso nasce sem permissão, o olhar se prende como quem encontrou abrigo, e a inocência reconhece a pureza antes mesmo que o mundo aprenda a pronunciá-la.”
Vaidade mesmo é a mulher casada que abandona o seu marido para seguir uma nova revelação pastoral, maldição esta que só vai embora se vier a idade do arrependimento.
"A fé bíblica não é um 'salto no escuro', mas uma resposta à revelação que Deus faz de Si mesmo através da Sua Palavra."
Boa tarde,
segue em anexo o meu começo do audiobook,
Dê uma deixa para que exista revelação no meu ser e continue inspirado no criar e no escrever o que me vai no interior para exterior, ser a razão do ser do fazer e querer perdurar pela eternidade.
Não é o mesmo que ser eterno.
Nesse caminho eu estou a procura da minha Deusa para ser um Deus.
Caminhar para ser seu semelhante, é uma etapa, a trilhar.
Um dia vou-, fazer a unção e ablução que é a primeira parte da investidura, consagrando fidelidade e fazendo convênio de sacrifício pela expiação de Jesus Cristo, lavando meu corpo e começar uma vida verdadeiramente de consagração a Jeová.
[19/09, 12:53] emanuelandrade1749: Perdura no tempo o templo do meu ser, que implora pela sua existência e no consciente está a pedra por lapidar, uma razão formada, um sofrimento constante, aliviado pela pernoita que ao amanhecer desperta e se dispersa desaparecendo como o vapor, na corrida do dia num instante vivo, num contexto reflexivo de querer viver e ser, amargar a dor e aliviar o calor, com temor ao divino,onde suplico e me refúgio para deixar de estar perdido.
Um dia parti em busca do desconhecido quando voltei, já não era o mesmo, procurei levantar-me mas era cedo.
Procurei minha diva, musa que me inspira, procurei a razão de ser e na volta decidi que tinha que continuar a procurar trabalhei muito, trabalho, e não tenho tempo para parar a vida é vive-se na procura,na busca achando e perdendo, chegará o tempo em que seremos prontamente unidos, e a procura na busca da excelência da vida será mais fácil.
Tenho interesse num dia a mais para voltar atrás e refazer os erros fatais, que fazem parte da humanidade,um cidade luminosa que brilha e me dá alegria, casa,sustento e família.Santa terrinha que me abriga, e me domina, sou teu porque estou preso a teu ciclo.
[19/09, 16:54] emanuelandrade1749: A muito tempo que desejo escrever um romance.
Na verdade nós gostamos disto e daquilo, deste e daquela. Nas múltiplas vivências do nosso gosto pelo viver aparecem personagens que vão dando ou não sentido a nossa vida,com alegrias, tristezas, desgostos e outros actos de louvar que são um banquete e um bálsamo para a nossa alma e nosso bem estar.
Há sempre quem nos queira bem e quem nos queira mal, pensar que somos nós que temos que individualmente lutar pelo bem comum, porque o nosso universo dentro de muitos universos onde se acende um fósforo e apaga a espera que se encadeia uma brasa que vai dentro de nós. Quando ela encadeia agimos numa direção ou positiva ou negativamente, depende para onde canalizamos nossas energias.
Em tempos vivia numa prisão a espera de ser liberto e canalisei as minhas forças para o bem fazer, com o objectivo de ver a minha pena de prisão reduzida e demonstrar que tinha mudado.
Eu estava agradar e só queria impressionar, na verdade o mal e o bem está dentro de nós, o certo é que fiz muitas boas obras e dei o exemplo aos outros, para o bem fazer, num acto do ser cívico e do espírito do bem comum.
No entanto esse acto era por uma troca era para demonstrar aos outros, não era por mim, quando veio uma tempestade já em liberdade porque atingi alguns dos meus objectivos, sai mais cedo em liberdade,os meus pais apoiaram-me, trabalhava.
A vida tem muitos dissabores e eu não consegui superar de cara limpa, passado algum tempo estava metido em trabalhos e no mundo que a envolve uma prisão pior do que a prisão das grades passei por um mau bocado.
Perdi o trabalho e a família não queria acreditar tentou-me ajudar mas foi em vão.
Fui pai ainda pensei que seria a solução, mas tudo permanecia como antes, confusões, problemas todos dias, um turbilhão de sentimentos a flor da pele e perdido no mundo a procura da solução, quando a solução, só o destino traçava, procurei ajuda mas não resultou.
A mãe do meu filho a mulher que estava nos meus braços, saiu da minha vida
Conquistar uma mulher é difícil, e perder ainda mais difícil é.
Trabalhávamos juntos e meu olho bateu no dela, um dia estava a correr no calçadão em Quarteira e o filho dela o Ruben chamou -me para ir trocar um dedo de conversa com ela e tudo ali começou, combinamos sair a noite para dançar no Black Jack Casino de Vilamoura e fomos dançar eu popular como sempre tentei impressionar demonstrar que era conhecido, até pedi ao DJ para lhe colocar uma música, mas andava lá outro a dar em cima dela, concorrência, então a luta foi maior.
Cada passo uma conquista, mas já tinha a lacuna.
Tentei esconder até que não deu mais e contei-lhe.
Lutou por mim, sofreu muito.
A nossa vida estava um caos e não havia solução é então que a mãe do meu filho decide ir para Setúbal e deixou-me.
Acabei sozinho foi tão difícil, afogava as mágoas com bebida forte, e punha uma almofada ao meu lado e abraçava, não dormia.
Telefonava sempre até que um dia me diz para ir ter com ela e eu fui para Setúbal.
Viver com a mãe do meu filho.
Começar a vida com sua família, outros hábitos,e ritmos,a adaptação nunca se deu.
As dores os suores matinais, saciados com a primeira dose, vinda do acaso.
Ter um dia pela frente vazio a na procura.
[19/09, 17:19] emanuelandrade1749: Caminhos, atalhos, desvios ao sabor dos ventos,.da chuva, do sol andava, pairava por 3 estados do espírito, onde para viver pela carne era salvo a cada manhã, a minhas súplicas ao divino eram constantes meu ser vagueou por terras distantes, perdeu-se por muito tempo e seguia um caminho na busca da amada, de trás para frente, em círculos, as portas fechadas eu escalava as montanhas, subia castelos entrava em museus, shoppings e vagueando por o mundo a procura na busca, ia perdendo e achando, construído e me alimentando, vendo e registando, aquilo que meus olhos viram, não pode ser verdadeiro um mundo sem amor, onde as pessoas só olham para si, havendo a regra a exceção porque no oculto, há tudo e deve ser quase como o sepulcro, eu vou mas volto para vir acabar de fazer o que não fiz.
Término por aqui um forte
Abraço deste sempre amigo
Emanuel Bruno Mota Veiga Andrade
Amor resplandecedor
Revelação na inspiração
Na turbulencia dos desafios
Sinto uma palpitação
Uma ligação
Entre as palavras escritas
Que me fazem proclamar
Versos em pinceladas
Que são para ecoar
Emanando em forças
De energias positivas
A favor das crises dos tempos
Para vencer tempestades e ventos
A seneridade de nossas almas
Apela por um momento de calma
Um segundo de pausa
Para sair da lama
Para a lâmpada do farol
Voltar acender em nosso prol
Guiando-nos no caminho
Para o aprimoramento
Saindo do sofrimento
Acabando com turmento
Acreditar na graticante e magnificiente
Consciência do universo
Que nos dá o valor merecido
Provindo do divino
Misterios desconhecidos
Questões a merce
Duvidas, incertezas
A procura de realiddades e verdades absulotas
Existências intemporais e temporais
Sentenças em justiças, injustas e justas
De quem é a culpa? Quem é culpado?
De tanta dor, tanta magoa, tanta macula imaculada revestida de vestes brancas e pretas. Reverendissimo e altissimo tu que esquadrinhas nossos corações. Apazigua nosso padecer e da-nos paz, amor e liberdade para na luz encontrar felecidade eterna para nossa salvação.
Emanuel Bruno Mota Veiga Andrade
Lisboa Cultura 2024
A noite é refúgio, abrigo e revelação. Enquanto o dia exige máscaras e ritmo, os intensos mergulham no próprio turbilhão, dialogam com pensamentos que só nas sombras se escutam e sentem emoções que o sol não deixaria brilhar. Ser notívago não é insônia: é a coragem de permanecer inteiro, de transformar silêncio em autoconhecimento e solidão em plenitude.
OS PRECURSORES DA TERCEIRA REVELAÇÃO: PARTE III
DA SABEDORIA DE SÓCRATES À CODIFICAÇÃO DE ALLAN KARDEC — A LONGA PREPARAÇÃO ESPIRITUAL DA HUMANIDADE.
_EMMANUEL SWEDENBORG — O CIENTISTA QUE ANTECEDEU A ERA DOS FENÔMENOS ESPIRITUAIS.
(1688–1772)
Marcelo Caetano Monteiro.
Entre os grandes personagens que antecederam o advento do Espiritismo organizado por Allan Kardec, destaca-se Emmanuel Swedenborg, figura singular da história intelectual e espiritual da humanidade.
Nascido em Estocolmo, na Suécia, em 1688, Swedenborg reuniu em sua personalidade características extraordinárias: cientista, engenheiro, filósofo, inventor, estudioso da natureza e profundo conhecedor das Escrituras.
Sua trajetória inicial pertence inteiramente ao campo científico.
Dotado de inteligência excepcional, dominava diversos ramos do conhecimento humano de sua época. Estudou matemática, física, anatomia, astronomia, mineralogia, engenharia e filosofia.
Era poliglota, conhecendo aproximadamente nove idiomas. Atuou como assessor do rei da Suécia e recebeu título de nobreza em reconhecimento aos seus méritos.
Seu nome tornou-se respeitado nos círculos científicos europeus, sendo considerado um dos homens mais cultos de seu tempo.
O seu retrato encontra-se associado à Academia Real de Ciências da Suécia, como reconhecimento de sua importância intelectual.
Entretanto, na maturidade, sua vida tomou uma direção completamente diferente.
O cientista dedicado ao estudo do mundo material voltou sua atenção para a investigação do mundo espiritual.
Esse momento representa um dos episódios mais importantes da preparação histórica do movimento espiritualista moderno.
A EXPERIÊNCIA DE 1744. O DESPERTAR PARA O MUNDO INVISÍVEL.
Aos 56 anos, em 1744, durante sua permanência em Londres, Swedenborg relatou uma experiência que modificaria profundamente sua existência.
Segundo seus próprios relatos, teve uma manifestação espiritual na qual recebeu a missão de revelar o sentido interno ou espiritual das Escrituras.
A partir desse acontecimento, abandonou gradativamente suas pesquisas científicas tradicionais e dedicou-se ao estudo das realidades espirituais.
Em seus escritos afirmou ter recebido uma percepção ampliada da vida espiritual, descrevendo ambientes, comunidades de Espíritos, estados morais após a morte e relações entre o mundo físico e o mundo invisível.
Em uma de suas declarações, registradas por Arthur Conan Doyle em História do Espiritismo, Swedenborg afirmou:
“Na mesma noite - diz ele:
O mundo dos espíritos, do céu e do inferno, abriu-se convincentemente para mim.”
Sob o prisma espírita, Swedenborg teria sido um dos grandes médiuns que antecederam a codificação kardeciana, trazendo descrições que posteriormente encontrariam correspondência em alguns ensinamentos transmitidos pelos Espíritos através da mediunidade estudada por Allan Kardec.
A MEDIUNIDADE POLIMORFA DE SWEDENBORG.
Os relatos sobre Swedenborg apresentam diversos fenômenos mediúnicos.
Ele descrevia experiências de:
vidência espiritual;
audição de vozes;
percepção de ambientes espirituais;
estados de êxtase;
manifestações físicas.
Um dos episódios mais conhecidos ocorreu quando Swedenborg, encontrando-se distante de Estocolmo, teria percebido espiritualmente um grande incêndio que acontecia naquela cidade.
O relato causou espanto porque ele descreveu acontecimentos que, posteriormente, foram confirmados por pessoas presentes no local.
Outro aspecto interessante encontra-se em sua descrição de uma espécie de “vapor” ou emanação que teria saído de seu corpo durante uma experiência espiritual.
Na linguagem espírita contemporânea, alguns estudiosos relacionam esse relato ao fenômeno conhecido como ectoplasma, substância estudada posteriormente nos fenômenos de efeitos físicos.
Entretanto, Swedenborg não direcionou seus estudos para uma investigação sistemática desses fenômenos.
Seu interesse concentrou-se principalmente nas interpretações espirituais e religiosas que extraiu dessas experiências.
AS CONTRIBUIÇÕES DE SWEDENBORG PARA O PENSAMENTO ESPIRITUALISTA.
Apesar das limitações apontadas posteriormente pelo Espiritismo, Swedenborg apresentou ideias consideradas precursoras:
A VIDA ESPIRITUAL COMO CONTINUIDADE DA EXISTÊNCIA TERRENA.
Ele descreveu o mundo espiritual não como uma região abstrata e distante, mas como uma realidade organizada, onde os Espíritos continuariam vivendo após a morte.
Essa ideia aproxima-se das descrições apresentadas posteriormente em obras espíritas como O Livro dos Espíritos e, no século XX, através das narrativas atribuídas a André Luiz em obras como Nosso Lar.
OS ESPÍRITOS COMO SERES HUMANOS DESENCARNADOS.
Swedenborg rejeitou a ideia tradicional de anjos e demônios como seres criados separadamente da humanidade.
Para ele, seriam Espíritos humanos em diferentes estados evolutivos.
Essa concepção aproxima-se da resposta dada pelos Espíritos Superiores na questão 115 de O Livro dos Espíritos, onde Allan Kardec apresenta o princípio de que os Espíritos passam por diferentes graus de evolução.
A EXISTÊNCIA DE DIFERENTES ESTADOS ESPIRITUAIS.
Swedenborg descreveu regiões espirituais associadas às condições morais dos indivíduos.
Não apresentou o inferno como condenação eterna, mas como situação transitória de sofrimento e aprendizado.
Esse ponto apresenta grande afinidade com o pensamento espírita, que compreende a justiça divina como educativa e não simplesmente punitiva.
OS LIMITES DA OBRA DE SWEDENBORG SEGUNDO A VISÃO ESPÍRITA.
A Doutrina Espírita reconhece a importância dos precursores, mas também estabelece um critério fundamental: toda revelação espiritual deve passar pelo exame da razão, da lógica e da universalidade dos ensinos.
Allan Kardec destacou constantemente que o Espiritismo não aceita revelações pessoais isoladas como verdade absoluta.
O próprio Swedenborg, segundo a comunicação publicada na Revista Espírita de novembro de 1859, reconheceu posteriormente alguns equívocos de suas interpretações.
Na Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas, em 23 de setembro de 1859, foi publicada uma comunicação atribuída ao Espírito Swedenborg.
Nela, ao responder às perguntas de Allan Kardec, afirma: “A minha moral espírita e a minha doutrina não estão isentas de grandes erros, que hoje reconheço.”
E acrescenta: “Vós, sim, estais no melhor caminho, porque estais mais esclarecidos do que estávamos em meu tempo.”
Essa comunicação apresenta um ponto importante da metodologia espírita: mesmo médiuns dotados de grandes faculdades podem interpretar parcialmente aquilo que percebem.
A faculdade mediúnica não significa infalibilidade.
O médium permanece um ser humano, sujeito às próprias limitações intelectuais, culturais e morais.
SWEDENBORG E O PROBLEMA DA INTERPRETAÇÃO PESSOAL.
Segundo José Herculano Pires, em O Espírito e o Tempo, Swedenborg teria cometido o equívoco de aceitar suas percepções espirituais sem submetê-las suficientemente ao exame crítico.
Sua inteligência extraordinária, paradoxalmente, teria contribuído para construir interpretações próprias demasiadamente complexas.
Ele desenvolveu uma teologia particular, criando a chamada Nova Igreja, baseada em suas interpretações das Escrituras.
Para Herculano Pires, a diferença fundamental entre Swedenborg e Kardec está justamente no método.
Swedenborg recebeu experiências espirituais e elaborou interpretações pessoais.
Kardec analisou fenômenos, comparou comunicações, submeteu informações ao controle universal dos ensinos dos Espíritos e organizou uma doutrina baseada na razão.
Essa diferença marca a passagem do espiritualismo intuitivo para o Espiritismo científico-filosófico.
KARDEC E SWEDENBORG - A DIFERENÇA ENTRE A VISÃO INDIVIDUAL E O MÉTODO UNIVERSAL.
Allan Kardec reconhecia o valor dos pesquisadores anteriores, mas compreendia que a revelação espírita não poderia depender de uma única personalidade.
Em Obras Póstumas, Kardec descreve sua atitude diante dos fenômenos das mesas girantes: “Foi preciso agir com circunspeção, não levianamente. Ser positivo, não idealista, para não me deixar levar por ilusões.”
Essa postura define a essência do trabalho kardeciano.
Ele não rejeitou os fenômenos espirituais anteriores, mas procurou estabelecer critérios seguros para sua compreensão.
A mediunidade deveria ser estudada com seriedade.
A comunicação espiritual deveria ser analisada.
A razão deveria acompanhar a fé.
Por isso, dentro da perspectiva espírita, Swedenborg representa um precursor importante: aquele que abriu uma janela para o mundo espiritual, embora ainda carregasse limitações próprias de seu período histórico.
A IMPORTÂNCIA HISTÓRICA DE SWEDENBORG.
O grande mérito de Swedenborg não está na totalidade de suas interpretações, mas no fato de ter demonstrado, séculos antes de Kardec, que o mundo espiritual poderia ser objeto de investigação e reflexão.
Ele preparou o caminho para que a humanidade considerasse novamente uma antiga questão:
A vida continua após a morte?
Sua obra contribuiu para romper o materialismo absoluto de sua época e abriu espaço para novas pesquisas sobre os fenômenos espirituais.
Como afirmou Arthur Conan Doyle em História do Espiritismo, Swedenborg foi um dos grandes precursores daquilo que posteriormente se consolidaria como movimento espiritualista moderno.
CONTINUA NA PARTE 4 — ANDREW JACKSON DAVIS: O “PROFETA DA NOVA ERA”; SUAS FACULDADES MEDIÚNICAS, SUAS PREVISÕES E SUA CONTRIBUIÇÃO PARA A PREPARAÇÃO DO ADVENTO ESPÍRITA.
OS PRECURSORES DA TERCEIRA REVELAÇÃO PARTE 2: DA SABEDORIA DE SÓCRATES À CODIFICAÇÃO DE ALLAN KARDEC, — A LONGA PREPARAÇÃO ESPIRITUAL DA HUMANIDADE.
SÓCRATES E JESUS, DUAS VOZES MORAIS QUE ECOARAM ACIMA DO SEU TEMPO.
Marcelo Caetano Monteiro.
Embora separados por quase cinco séculos, Sócrates e Jesus apresentam, sob a ótica espírita, notáveis pontos de aproximação moral. Ambos surgiram em sociedades profundamente marcadas por interesses materiais, convenções rígidas e interpretações religiosas muitas vezes afastadas da essência espiritual.
Não deixaram obras escritas de próprio punho. O pensamento socrático chegou até nós principalmente através de Platão e outros discípulos; os ensinamentos de Jesus foram transmitidos pelos evangelistas e preservados pela tradição cristã.
Ambos ensinaram mais pelo exemplo vivo do que pela autoridade formal.
Sócrates caminhava pelas ruas de Atenas, dialogando com jovens, trabalhadores e cidadãos comuns, convidando-os ao exame da própria consciência. Jesus percorria aldeias e cidades da Palestina, aproximando-se dos humildes, dos enfermos e dos excluídos, revelando a grandeza da lei do amor.
Nenhum dos dois buscava riqueza ou reconhecimento pessoal.
Sócrates não cobrava por seus ensinamentos. Jesus declarou:
“Dai de graça o que de graça recebestes.”
Ambos enfrentaram incompreensão e perseguição por confrontarem ideias estabelecidas.
Sócrates foi acusado de corromper a juventude e de não respeitar as crenças tradicionais de Atenas. Jesus foi acusado pelos representantes religiosos de seu tempo por desafiar interpretações humanas da Lei.
Ambos permaneceram fiéis aos seus princípios diante da morte.
Sócrates poderia ter fugido da prisão, pois seus amigos organizaram sua fuga. Entretanto, recusou abandonar sua consciência.
Segundo Platão, justificou sua decisão afirmando que, se aceitasse violar a lei mediante suborno, perderia a autoridade moral para falar sobre justiça e virtude.
Jesus, igualmente, aceitou o sacrifício voluntário, demonstrando fidelidade absoluta à missão que desempenhava.
A aproximação entre ambos, dentro da visão espírita, não significa igualar suas missões, mas reconhecer que Espíritos elevados podem atuar em épocas distintas preparando gradualmente a humanidade para compreensões superiores.
Allan Kardec, em O Evangelho Segundo o Espiritismo, apresenta Jesus como o modelo e guia da humanidade. Sócrates aparece, nessa perspectiva, como um dos grandes trabalhadores que prepararam o terreno intelectual e moral para a compreensão futura dos ensinamentos cristãos.
PLATÃO — O FILÓSOFO DA IMORTALIDADE DA ALMA E DA REALIDADE ESPIRITUAL.
(427–347 a.C.)
Platão nasceu em Atenas, em família aristocrática, aproximadamente no ano 427 a.C. Discípulo mais importante de Sócrates, tornou-se o principal responsável pela preservação dos ensinamentos de seu mestre através de seus famosos diálogos filosóficos.
Sua influência sobre a história da humanidade é extraordinária.
Ao lado de Sócrates e Aristóteles, constitui uma das maiores expressões do pensamento filosófico ocidental.
Sua mensagem central ultrapassava a preocupação exclusivamente material e conduzia o pensamento humano para uma realidade superior, invisível e permanente.
Platão ensinava que o mundo percebido pelos sentidos não representava a realidade absoluta. Aquilo que os olhos contemplam seria apenas uma manifestação imperfeita de uma realidade superior existente no plano das ideias.
Essa concepção apresenta impressionante aproximação simbólica com a ideia espírita de uma realidade espiritual permanente, sendo a existência física uma etapa transitória da jornada evolutiva do Espírito.
O MUNDO SENSÍVEL E O MUNDO INTELIGÍVEL.
A filosofia platônica estabelece uma distinção fundamental entre dois planos:
O MUNDO SENSÍVEL.
É o mundo percebido pelos sentidos.
Caracteriza-se pela transformação constante, pela impermanência e pela limitação.
Tudo nele nasce, modifica-se e desaparece.
Para Platão, esse mundo corresponde ao campo das aparências e das sombras.
O MUNDO INTELIGÍVEL.
É a realidade superior acessível pela razão e pela inteligência.
Nele encontram-se as ideias eternas, perfeitas e imutáveis.
O verdadeiro conhecimento não estaria apenas na observação exterior, mas no desenvolvimento da capacidade interior de compreender as essências.
O homem, portanto, seria um ser dividido entre duas dimensões:
O corpo físico, sujeito às transformações da matéria;
A alma imortal, sede da razão e da busca pela verdade.
Platão afirmava:
“A natureza do homem é racional, mas encontra no corpo, não um instrumento, mas um obstáculo.”
Essa frase demonstra sua compreensão de que a existência material pode representar uma oportunidade de aprendizado, mas também uma prisão quando o indivíduo permanece dominado exclusivamente pelos sentidos e pelos desejos inferiores.
O MITO DA CAVERNA — A GRANDE ALEGORIA DA EVOLUÇÃO DA CONSCIÊNCIA.
Entre todas as imagens criadas por Platão, poucas possuem tanta profundidade quanto o Mito da Caverna, apresentado na obra A República.
Platão descreve homens presos dentro de uma caverna desde o nascimento, contemplando apenas sombras projetadas numa parede.
Para eles, aquelas sombras representam toda a realidade existente.
Um desses homens consegue libertar-se e, ao sair da caverna, encontra inicialmente dificuldade para suportar a luz. Gradualmente, seus olhos adaptam-se e ele contempla o mundo verdadeiro.
A alegoria simboliza a jornada humana:
A ignorância representa a prisão;
A reflexão representa o caminho da libertação;
A verdade representa a luz espiritual.
Sob a interpretação espírita, essa imagem pode ser relacionada ao processo evolutivo do Espírito, que abandona gradativamente as ilusões materiais e desperta para conhecimentos superiores.
O homem sai das sombras da ignorância para a claridade da consciência.
A TEORIA DAS REMINISCÊNCIAS — O CONHECIMENTO COMO DESPERTAR DA ALMA.
Uma das ideias mais profundas de Platão é a chamada Teoria das Reminiscências.
Segundo essa concepção, a alma possui conhecimentos anteriores que são despertados através da experiência.
Aprender seria recordar.
As ideias fundamentais não seriam totalmente produzidas pelos sentidos, mas despertadas no interior da consciência.
Essa teoria encontra uma interessante aproximação com alguns princípios espíritas, especialmente a ideia da preexistência da alma e da aquisição gradual do conhecimento ao longo das experiências evolutivas.
A questão 621 de O Livro dos Espíritos afirma:
“Onde está escrita a lei de Deus?”
Resposta:
“Na consciência.”
Sob essa perspectiva, a consciência humana possui uma dimensão profunda onde permanecem princípios que precisam ser desenvolvidos e ampliados.
O MITO DE ER E A IDEIA DA REENCARNAÇÃO.
Na obra A República, Platão apresenta o chamado Mito de Er, narrativa na qual um guerreiro retorna da morte e descreve experiências no mundo espiritual.
Nesse relato aparecem elementos como:
sobrevivência da alma após a morte;
julgamento moral das ações;
consequências espirituais das escolhas;
necessidade de purificação;
retorno da alma a novas experiências.
Platão apresenta a alma como viajante de diferentes estados de existência.
A escolha do destino futuro dependeria das decisões morais tomadas pelo próprio Espírito.
Essa concepção possui grande proximidade com a ideia espírita de responsabilidade individual perante a evolução.
A evolução não seria resultado de privilégios arbitrários, mas consequência das escolhas conscientes do Espírito.
O MITO DO CARRO ALADO — A LUTA ENTRE AS INCLINAÇÕES HUMANAS E A ELEVAÇÃO ESPIRITUAL.
No diálogo Fedro, Platão apresenta uma das mais belas imagens sobre a natureza da alma.
Ele compara a alma humana a uma carruagem conduzida por um cocheiro acompanhado de dois cavalos:
Um representa as tendências nobres;
O outro representa os impulsos inferiores.
O condutor simboliza a razão, que deve harmonizar essas forças.
Quando a alma consegue dominar suas tendências inferiores, eleva-se ao conhecimento da verdade.
Quando perde o equilíbrio, cai novamente no mundo material.
Essa alegoria representa simbolicamente a luta interior do ser humano entre evolução moral e apego às paixões.
A ideia de aperfeiçoamento progressivo da alma encontra ressonância no princípio espírita da evolução espiritual através das experiências sucessivas.
O AMOR PLATÔNICO — A BUSCA PELO BELO, PELO BEM E PELO DIVINO.
Para Platão, o amor verdadeiro não se limita à atração física.
O amor é movimento da alma em direção ao belo, ao justo, ao perfeito e ao eterno.
O chamado amor platônico representa uma aspiração superior: o desejo de alcançar valores espirituais.
O homem começa buscando a beleza exterior, mas deve elevar-se até compreender a beleza moral e intelectual.
O amor, portanto, torna-se instrumento de elevação.
Essa compreensão aproxima-se da visão cristã apresentada posteriormente por Jesus, quando o amor deixa de ser apenas sentimento e transforma-se em lei fundamental da existência.
PLATÃO E AS IDEIAS QUE PREPARAM O PENSAMENTO ESPÍRITA.
Dentro da análise espírita, diversos conceitos presentes na filosofia platônica apresentam pontos de contato com princípios desenvolvidos posteriormente pelo Espiritismo:
existência de uma realidade espiritual superior;
imortalidade da alma;
continuidade da vida após a morte;
evolução moral;
responsabilidade individual;
comunicação entre dimensões espirituais;
necessidade de aperfeiçoamento interior;
valorização da razão como instrumento da busca pela verdade.
Dessa maneira, Sócrates e Platão podem ser compreendidos como importantes precursores filosóficos de ideias que encontrariam desenvolvimento mais amplo séculos depois.
A humanidade caminhava lentamente para uma compreensão mais profunda da natureza espiritual do ser.
CONTINUA NA PARTE 3 - EMMANUEL SWEDENBORG: O CIENTISTA QUE VISLUMBROU O MUNDO ESPIRITUAL; SUA MEDIUNIDADE, SUAS CONTRIBUIÇÕES E OS LIMITES DE SUA INTERPRETAÇÃO SEGUNDO KARDEC E A REVISTA ESPÍRITA DE 1859.
" A dor do amor não é apenas sofrimento. Ela é também revelação. Muitas vezes é através dela que o indivíduo descobre a extensão de sua própria capacidade de sentir. Aquilo que fere também ilumina. A ausência de quem se ama, o desencontro das expectativas ou a fragilidade das circunstâncias humanas fazem com que o coração perceba algo essencial. Amar é aceitar que a alegria e a tristeza pertencem ao mesmo campo de experiência. "
MOISÉS, JESUS E O ESPIRITISMO.
A TRÍPLICE REVELAÇÃO E O DEVER INTERIOR.
A sentença proposta condensa, com rara precisão, o itinerário pedagógico da consciência humana sob a regência da lei divina. Não se trata de mera metáfora agrícola, mas de uma arquitetura espiritual que se desdobra em três momentos distintos e complementares.
Na figura de Moisés, observa-se o estabelecimento da lei. A revelação mosaica, sintetizada no Decálogo, representa a contenção das paixões primitivas e a organização moral de um povo ainda inclinado à exterioridade. A lei, nesse estágio, impõe-se como freio. Conforme registrado na tradição bíblica em Êxodo 20, a norma surge como voz imperativa, moldando a conduta pelo temor e pela obediência.
Com o advento do Jesus Cristo, a lei não é abolida, mas interiorizada. O Cristo semeia. Sua doutrina desloca o eixo da moralidade do gesto exterior para a intenção íntima. Em Evangelho de Mateus 5:17, afirma-se a continuidade da lei, agora elevada ao campo do amor e da consciência. A caridade deixa de ser imposição e torna-se expressão espontânea do espírito. Aqui, a humanidade é convidada a sentir.
Por fim, o Espiritismo, codificado por Allan Kardec, apresenta-se como a etapa da compreensão. Em O Espiritismo em sua Expressão mais Simples, item 29, encontra-se a formulação que inspira esta reflexão. Não se trata de nova revelação no sentido de ruptura, mas de esclarecimento. A fé, outrora cega, torna-se raciocinada. A colheita ocorre no campo do entendimento, onde a razão e a espiritualidade deixam de ser opostas.
Essa progressão evidencia um movimento ascensional. Primeiro, o homem teme. Depois, ama. Por fim, compreende.
A pergunta que se impõe não é retórica, mas ontologicamente exigente. Que sementes têm sido lançadas no terreno do próprio ser. Pensamentos, intenções e atos constituem lavouras invisíveis que, inevitavelmente, produzirão frutos proporcionais à sua natureza.
Se a lei foi escrita em tábuas, e o amor foi inscrito nos gestos do Cristo, a compreensão exige gravação no âmago da consciência. E isso não se delega, não se herda, não se improvisa. Cultiva-se.
Porque, no silêncio do espírito, cada escolha já é colheita em formação.
Não quero ser como a mula, sem direção,
Que só anda à força, sem revelação.
Nem como o cavalo, bruto e sem freio,
Que só vai quando é puxado pelo arreio.
Quero Te seguir, Senhor, com entendimento,
Com coração manso e discernimento.
Não por medo, nem por pressão,
Mas por amor, com rendição.
Não quero ser como a mula, sem direção,
Que só anda à força, sem revelação.
Nem como o cavalo, bruto e sem freio,
Que só vai quando é puxado pelo arreio.
Quero Te seguir, Senhor, com entendimento,
Com coração manso e discernimento.
Não por medo, nem por pressão,
Mas por amor, com rendição.
A luz não machuca, mas revela. E nem todos sabem lidar com revelação.
“A luz resplandece nas trevas, e as trevas não a venceram.” (Jo 1:5)
Deus não vai nos perguntar quantas palavras ouvimos,
mas quantas obedecemos.
Porque revelação sem prática vira peso,
e conhecimento sem obediência vira juízo. miriamleal
