Retribuindo uma Amizade
NOITE
Amo a noite.
Como uma coruja que nos espreita camuflada.
A noite trabalha com o lado mais interno de nossas imaginações.
À noite nos aprofunda.
Quando falamos sobre assuntos que as criaturas do dia desconhecem, conversando sobre filosofias excêntricas e concluindo sobre todas as questões que abalam a humanidade.
Quando comemos aquele lanche magnífico, surpreendente, num “podrão” da esquina, ou mesmo quando um assalto noturno a uma geladeira soa tão divertido e agradável quanto a primeira vez que se anda de montanha russa.
Durante as madrugadas o mundo muda.
Os gênios tem idéias geniais.
Os cientistas descobrem curas.
Os militares decidem o melhor momento para o combate.
As paixões se tornam saudade.
Os desafetos viram passado.
Bons livros.
Boas bebidas.
Diversão sem hipocrisia.
Abajur, meia luz.
Velas, roupas espalhadas pelo chão.
À noite me basta.
Sou da noite, gosto das estrelas, da lua, dos planetas distantes, da possibilidade de avistar uma luz vagando pelo céu estrelado das pequenas cidades.
Dou uma olhada na janela para verificar se nenhum alienígena está disposto a me pegar para dar um rolê pelas galáxias e sem querer, vejo um vaga-lume piscando por entre arbustos da casa ao lado.
Infelizmente não era o que eu esperava, mas sinceramente, eu me sinto particularmente bem essa noite.
Espero que estejam se sentindo da mesma forma!!
Então, até acho que vou ficar para ver o dia nascer.
Pois na noite temos soluções pra tudo!
O que mais tem hoje em dia é gente querendo ser o que não é, ostentando uma vida que não tem, pra alimentar o ego cheio de uma vida vazia e supérflua.
Tristes são aquelas que dão atenção a algo idêntico a uma pedra, com uma cor que ilude e um valor que não existe.
A caneta dos poetas
escreve coração e o áudio dos batimentos vêm junto,
na tinta azul de uma caneta BIC
um arco-íris com suas sete cores deixa de ser uma palavra, um poema é uma experiência da vida...
e se um passarinho entra na cena, sua liberdade é o encanto...
na íris dos olhos a câmera mais moderna;
usar a função zoom das palavras
é uma tecnologia dos poetas...
Um poema é um todo de uma parte inteira
como o eu do homem que no final das contas
é alguém feito das palavras de outro tantos...
Feito de palavras e pensamento o poema é uma bola
que sem raciocínio não rola, mas se rola...
alegra o sujeito...
Surpeendido por uma luz recorrente para além da luz do dia e da voz dos olhos fascinava-se, mas logo a luz desvanecia-se no nada e a voz apagava-se não tendo palavras para mantê-la no pensar — porque então não guardar essa luz em uma chama acendendo palavras para conservá-la ao alcance da imaginação alimentada em um poema; podendo ler sempre a alegria da chama no coração fascinando-se com a profundidade da luz que conquista a chama acesa... atritando pensar e paixão o homem faz poesia.
Uma palavra e outra um ponto amarrando
Uma tela passando uma aranha trabalhando
Uma teia de palavras um poema pegando
Parecia voar despretensiosa
E pousou em uma rosa
Tão clara nos versos
Essa palavra graciosa
Feita de beleza
Em tom de delicadeza
Borbolha de cores
Lembra amores
Coroa de por que?
Essa rosa
Lendo um poema alheio ganhei um sorriso
Lá tá uma peça do quebra-cabeça
Que completo comigo
Era isso mesmo, olha essas palavras
Contando-me isso e aquilo
Mais contagiante que uma gargalhada
na hora oportuna
É a frase que abre
o pensamento para passar o ar sobre...
Montagem de imagens na claridade
de nova cena
Pilhada no instante
cada coisa se bole em palavras
Mexa-as
Se o homem não pega o universo em uma palavra
Ele não caberia no pensamento
Assim se pega o que não se pode
Como se apanha frutas das árvores
Se apanha pensamento no texto
Como colmeia
em cada linha
uma camada
onde o mel
da poesia é gerado
feito do néctar
de ideias perfumadas
no branco de uma página
o enxame de letras trabalha
vem uma vêm outras
e outras tantas
e um zum zum zum
no ouvido canta
Palavras
Uma e outra meia dessa e meia daquela outra
Uma verde outra amarela uma de um velho texto: Cinderela
Uma dessa outra daquela de papo rápido; ok essa e essa
Umas duas ou três de contos de saci-pererê
Uma apenas de lembrança da cor de doce de goiaba
O porquê emenda uma ponta e outra vê
Redemoinho outra infância mais outra bagunça
Meia dessa e meia daquela da televisão ou não?
Deixa trabalho imaginario papai noel cai melhor
Umas duas ou três de conversas de vô pega essa e aquela;
Cravo e canela não dá e jeito costurando e inventando
Um poema de retalhos
Pegue o som em uma frase
E ele se solta mais na frente
Em outra e outra comumente
Ele dispõe da primeira como base
Pula nela novamente
Para ir mais à frente
Não se contenta com o quase
Enquanto não passa de fase
Trazer no texto uma fotografia
de quando as palavras faziam
demora as margens de um fim de tarde
e as imagens descem ao ocaso da frase
supondo poesia
Foi beirar o mar
Fez companhia as ondas digitarem
sobre a areia
Foi uma palavra sobre outra
Fez verso com areia
Foi o som da rima quebrar
Fez espuma pensar
Foi leitura no rosto
Fez a azul o pano de fundo
Foi uma palavra...
Foi uma palavra...
Sobre a outra
Foi beirar o mar
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