Renato Russo Poemas sobre a Vida
hoje é teu dia
mas todos não são?
é quando se faz pequena pausa
só pra dar uma olhada pra trás e puxa consegui chegar até aqui
hoje é teu dia e todos os demais serão
é quando para além de parabéns
se deve fazer uma pausa
só pra dar uma olhada em teus olhos
e te dizer muito obrigado por resistir até aqui o mundo para e agradece por tua existência parabéns por teu aniversário
e parabéns pelo sacrifício que faz diariamente pra manter o mundo
e a vida iluminados
o que seria da existência sem ti?
(Livro Apenas uma possibilidade)
às vezes nos basta um abraço
que por si só diz tudo
embora silencioso e calado
às vezes nos é suficiente um abraço
do tipo abraço-ninho
urgente e apertado
às vezes tudo o que se quer
é um abraço
de alguém desconhecido ou amado necessário e encaixado
um abraço sem dor e sem pressa
abraço do tipo agora
sem pensar no futuro
ou no passado
às vezes ou sempre
mas um abraço
que nos alivie o medo
e nos faça encorajados
(Livro Apenas uma possibilidade)
havemos de florir
mesmo que nos falte a água
havemos de sorrir
mesmo que nos sobeje a mágoa
havemos de fingir
mesmo que nos machuquem a alma havemos de sentir
mesmo que a falta de amor
de nossa tristeza seja a causa
nossa tragédia maior
não se revela em tudo
que se perde
mas na doentia
e imaginária necessidade
de ter tudo que se compra
a mulher que procuro não é
a que me leve à cama,
mas aquela pela qual eu deseje
sair da cama todos os dias
Um neurônio isolado é como uma voz que nunca encontra ouvidos.
Não importa o quanto tenha potencial — se não se conecta, ele se apaga.
O cérebro não guarda o que não conversa.
Assim como o mundo não valoriza o que não se comunica.
Quem não se expressa, desaparece. Literalmente.
Renato Ribeiro
abrirei tuas janelas
começando pelas pálpebras
em seguida as do coração
e só então as de teu quarto
"Me vale mais a verdade por mais dura que seja, do que o floreio dos vendedores de ilusão"
Renato Jaguarão
"Não tenho como prever o dia de amanhã, mas no dia de hoje tento fazer o melhor, pois somos o resultadodo do que fizemos no passado"
Renato Jaguarão.
Naqueles tempos peleamos por Bento, Neto, Onofre e Canabarro, depois nos levantamos por Getúlio e na legalidade por Brizola, mas todos eram da pura cepa gaúcha, parte da nossa história... Minha pátria não é só vermelha, tampouco só verde amarela... "Minha pátria é vermelha, verde e amarela e tem nome; Rio Grande do Sul"
Renato Jaguarão
Velha estação.
Velha estação,
Local de chegada e partida,
Valente conservas ainda
Pedaço da tua história,
Daqueles dias de glória
Resistes a força do tempo,
Tal qual foras um templo,
Que tantos destinos cruzou
Alguns tu trouxe de longe,
E outros pra longe levou,
Agora te resta o silêncio,
Tapera já sem serventia,
O cincerro que judiaria,
Nunca mais partida anunciou,
O trilho enferrujou,
O dormente apodreceu,
Só quem te conheceu,
Naqueles tempos dourado,
Consegue te ver no passado,
E o passado que o mundo perdeu...
Renato Jaguarão
Pedido de um fronteiriço...
Pra quem vier da Fronteira...
Me traga alguns presente...
Um Conaplole de leite...
Media luna e um pomelo...
Um vidro de caramelo...
Alegria e boa notícia...
Uma Norteña una Patrícia...
Um abraco do chibeiro...
Não esqueça do palheiro...
Do chouriço nem do pancho...
Um pedacito de chancho...
Pra vestimenta alpargata...
Uma solingen de prata...
Aquilo que é flor de faca...
Pra atravessar na guaiaca...
Em mode de precisão...
Por fim, daquele chão...
De regalo a boina encarnada...
pras festa da gauchada...
Me bombeando de primeira...
Saberem que sou da Fronteira...
E não preciso mais nada...
Tristeza
A tristeza, eu não recomendo
A tristeza, não compensa
Se disseres que estás triste, eu entendo
Mas não deixes que a tristeza te convença.
Eu sai
correndo sozinho na praia
Eu senti
o frio da costa da areia
Eu vi
o contraste do mar
com as falésias e a lua cheia
Eu sou
o contraste
Eu sou
prova viva
Eu sou pai de santo
na terra querida
Brasil, Brasil, Rio
Lá do céu,
vi minh'estrela
chamar por meu nome
Foi o mar que me guiou
além do horizonte
Eu sou o cruzeiro
sou navegador
sou passos n'areia
dragão do mar eu sou
sou obra de Deus,
sou filho da Terra
Que é filha de Deus,
que é Pai da semente,
da gente, pra gente...
Esperança se fez
e a paz germinou
a fé é o que há
de sobra na obra do autor
da parte poeta
filho de Iemanjá eu sou
E um dia fui rei
dos recifes do mar
dedilhei os meus versos
junto às ondas de lá
e quantas ondas tem lá?
Pedi ao bom Pai
que soprasse um vento
o som do Seu instrumento
"Vê-se como medida salutar,
no combate a todo agente
causador de enfermidade,
imunizar-se com a partícula
essencial da vida: o amor"
[...]
Sem preconceitos,
mais um cadinho de fé
repousa no mar poético,
trazendo a magnitude
de um abraço fraternal
Tempos estes em que dói
expressar-se pouco,
por traz de uma máscara
que esconde um Universo
de emoções e imaginações
De dura incompreensão,
de saber identificar quem
precisa de total atenção,
e ser humano o suficiente
para salvar um bem maior
A mensagem criacionista,
do motivo pelo qual existo,
desprovida de egoísmo,
de malícia e de corrupção,
ainda cursa no canal venoso
O amor é, sem dúvidas,
a melhor entre as vacinas;
dom celestial presenteado,
codifica o olhar da bondade
e neutraliza memórias ruins
Nossa imunidade se eleva
quando pelo amor é tocada;
até dores mais profundas
cedem espaço ao êxtase
da alma, por ele dopada
A prática amorosa vai além
dos que os olhos alcançam,
vai sem laço e sem interesse,
atravessa nações e gerações,
ressignificando o fator existir
[...]
"Pandemias surgem,
afligindo as emoções;
perdas são constantes,
ferem muitos corações;
a vida-sopro necessita,
dentre as imunizações,
de extra-dose de amor
"A fina folha de um livro
ajuda a torná-lo consistente"
[...]
Eis-me aqui!
Cidadão do Universo,
habitante do planeta Terra,
vezes anjo, vezes fera,
buscando reconciliação
Neutralizo toda a dor
a mim direcionada;
mas, afinal, o que é dor?
Quem ensinou a criança
a chorar por algo
que não lhe pertence?
Meus extintos me guiaram
até esta presente data
pra mesclar poesia e filosofia
e, mais uma vez,
criticar a intromissão
[...]
Esta louca vida
regada a vinhos,
ombros e desejos,
pede, humildemente,
um cadinho de atenção,
não dos outros,
mas de mim mesmo,
sim! deste pobre cidadão!
Preciso me alfabetizar
na escola da esperteza,
do mundo idealizado
em ouro fino e futilidade
A riqueza que eu tenho
ninguém consegue perceber,
tampouco irá me entender,
quiçá quando o sonho perecer
Sonho mudo e eloquente,
onde muita gente já se imaginou;
viver num mundo a la John Lennon,
Chaplin, Clarice ou Jean-Paul Sartre
De simplicidade e de bem estar,
longe de padrões condicionados
que fazem a essência se ofuscar;
Deixe-me viver!
Saboreio a vida etérea,
sem muito firmamento,
mas feita de momentos
Suas críticas não
terão sabor eterno
comparadas à minha
forma de pensamento
Peço, derradeiramente,
que a paz possa persistir,
e que vivamos o hoje,
como se o amanhã
nunca fosse existir
Os dias vividos,
experienciados,
perdas e ganhos,
são dias vividos
Tudo é etéreo
e tudo é eterno;
tudo depende
de um referencial
"Cada gota de suor derramada,
independente de qual seja o fim,
ressoa nos rincões dos trinetos,
parte de nossa própria evolução"
Minha história.
Era inverno naquele julho
A luz era do candeeiro
A bóia carreteiro
De charque ovelha e farinha
A benzedeira, também rainha
Das casa de tolerância
Nas campanha de importância
Pelo ofício de parteira
Foi ali pela soleira
Daquele bordel campeiro
Que vi a luz por primeiro
Na minha chegada ao mundo
Num pelego lanudo
Tapado por um xergão
Nascia na Solidão
Pros lado da Santa Vitória
Donde por vez a memória
Me vêm do inconsciente
A origem de um vivente
Se faz a vida e a história
