Renato Russo Poemas sobre a Vida
Tsunami Sentimental
É… Acho que me casei das poesias baratas e sem sentido, contadas para apenas impressionar, acho que me cansei das músicas tocadas para lembrar, para fazer esquecer, para chorar… Creio que esse cansaço também vá me cansar, vai estagnar os pensamentos e crucificar os sentimentos que em mim revogam a reciprocidade. É… Acho que tudo isso é uma fábula… a vida é uma fábula mal contada, mal escrita, mal vivida… Sabe quando batem asas e findam num caminho longínquo? Eu sei… Eu sei…
É… Acho que me cansei de tudo que me faz olhar para traz, querendo me levar ao sofrimento e a tudo que antes era um passeio pelo mundo afora. Era sonho louco de um mouco. Talvez sejamos vitimas de uma rasteira universal, de um tsunami sentimentalista em nosso inconsciente. Talvez…
PALAVRAS DESCRUZADAS
Ainda não vi os mares azuis,
Não vi as telas de Da Vinci,
As pirâmides do Egito ou
O grande Taj Mahal.
Apenas à vi e senti...
Senti a beleza e seu encanto.
Havia um brilho nos teus olhos
E doçura na tua voz.
Minhas palavras descruzadas
Conseguiram alcançar seus ouvidos,
Num breve sussurro eloquente...
O coração palpita convulsivo,
As mãos tremem e são gélidas,
Mas o corpo todo é quente!
POEMA DA DECEPÇÃO
Quando não sente comigo
Surge uma fagulha
Que acende a chama
E que causa a dor.
Toda dor é a culpa,
Toda culpa é morte.
Minha morte é amor.
O TEMPO
Vejo meus sonhos em você, tenho-os e desejo.
Minha felicidade é minha noite contigo, amiga!
Mas me tens no pretérito perfeito...
Quando só quero ser tudo em sua vida.
Agora são dias de tristeza e noites de saudades,
Onde os ventos sopram mais fortes,
As chuvas levam parcelas do meu tempo sem validade...
E tudo é tão simples que parece morte.
Às vezes solto rimas tristes, meu amor! Eu sei...
Sou amante da presença, de abraços e beijos.
Gosto de você, minha rainha, tendo-me como rei!
Sinto-me só... Abandonado por meus desejos...
ETERNO
Seu silêncio alimenta os meus pensamentos,
Seu sorriso alegra meu espírito.
Por isso viver não é o suficiente
É preciso sentir calor... O seu calor.
As cinzas do tempo não levarão meus sonhos.
Vou eternizar meu amor enquanto posso e sinto;
Sou tão louco e tão criança ainda... Eu sei...
Tenho em você minha hombridade, minha lucidez,
Eu tenho em você todos os dias da minha vida,
Tenho esperanças e os desejos.
Por onde ando e faço casa tenho você no pensar,
Sinto na distância do seu corpo uma saudade insuportável,
Tenho delírios constantes e um impulso incontrolável.
Para onde o tempo me leva eu não sei...
Talvez te encontre numa das esquinas da vida
Ou num plano qualquer que seja.
Por enquanto quem me guia é essa saudade
E quem pode me parar é você.
EFEITO BORBOLETA
Olha-me e deixe-me atônito, sim, deixe-me...
Sorria-me e deleite-me com seus gestos suaves...
Toque-me... Deixe-me em êxtase e em órbita.
És o supra-sumo de qualquer cousa.
Então, anjo! Vem a mim e aviva m’alma,
Viva em mim e faça abrigo dos meus braços.
Bateu asas minha bela dama,
E desestruturou os alicerces do coração.
POR ESSAS FRONTEIRAS
Vou chegando despacito
Assim pedindo permiso
Adentrando no galpão
Cheguei hoje da fronteira
De Santana com Rivera
Tropeando léguas de chão
Me espera o Aparício
Nessa lida de Ofício
De quem nasce pra ginete
Gauderio de fundamento
Forjado a quatro tentos
Nas estâncias do Alegrete
Por hoje peço pousada
Amanhã pego a estrada
Essa é a vida que escolhi
Mais tarde na Madrugada
Vamos quebrando geada
Em direção a Quaraí
Criado nessas fronteiras
Cruzando as carreteiras
Nem sei que lado nasci
Gaúcho e castelhano
Sou filho do minuano
Com uma índia de Itaqui
Neste pampa castelhano
Me conhecem por paysano
Origem de três bandeiras
Com meu pala encarnado
Sou herança do passado
Dos tauras dessas fronteiras
O meu pala correntino
Que comprei lá na Argentina
Quando andei em Uruguaiana
Enxugou muitos lamentos
Por juras de casamento
Que fiz pra uma castelhana
Todos somos diferentes e por isso mesmo tão especiais. Cada um tem algo único que mais ninguém tem. Valorizar-se a si mesmo é o princípio básico segundo o qual todos deveríamos conduzir nossa vida.
Aprenda a conhecer-se, orgulhe-se do que você é, assuma-se como você é, e principalmente ame-se todos os dias da sua vida!
Antes de conhecer o mundo e a humanidade, aprenda a conhecer-se a si mesmo. Antes de amar a outro, aprenda a amar-se a si mesmo. Você deve ser a pessoa mais importante da sua vida, pois você é único e é o que de maior valor existe na sua vida.
Se você não se respeitar, se não se amar e se valorizar, os outros também não vão fazer, pois neles você estará projetando sentimentos contrários. Ame-se, respeite-se, valorize-se!
Simples Assim...
______ By Renato Maia
Ao aproximar-me de ti sinto como estar surfando
Buscando em tuas ondas pelos teus carinhos
nos morros dos contornos do teu corpo
morros de areia, morro se só olhar
Do teu pescoço, acosso a cor do vinho
distraindo-me com teu suspiro
nascente pura, é de onde eu respiro,
tiro força da tua doçura
e bagunça d'água e ar transforma em delírio
Invento brincadeiras e não brinco sozinho
gracejo um desejo de em ti me afogar
e como adivinha, não demoraste a me domar
derrubaste-me da prancha, tiraste-me do caminho
guardaste teu horizonte e abraçaste-me por inteiro
largaste-me aos teus pés, meu destino à beira-mar
graças a tua suaves tive minha vez neste aconchego
teus outeiros, meu sossego, teus ribeiros, meu divagar.
Que teus sonhos te levem sempre a casa da Felicidade, não importa se é grande ou pequena, feia ou bonita. No fim o que importa é a felicidade e o bem estar alcançado. Que teus olhos possam ver beleza nas coisas mais simples, e que você seja capaz de em cada passo dado encontrar equilíbrio para não tropeçar mas se tropeçar e cair, que se levante mais experiente e forte. Deixe a sua alma leve, deixe que o equilíbrio traga pra tua vida. aproxime-se de tudo aquilo que te proporcione paz, serenidade, confiança, segurança e amor. Depois, divida todos estes sentimentos com o próximo. Por fim, que em seu caminhar, não existam fardos além do que você seja capaz de suportar...
Simples Assim...
_______ By Renato Maia
Dedicatória:
Ao verme que comeu a minha carne, roeu os meus ossos, e destruiu o meu coração minhas póstumas, você me tornou frio
É setembro
Mês da guachada
Se ajunta peonada
Churrasco, fogo de chão
Gaita, violão
Cantoria, a cavalhada
Laço, genetiada
Desfile, acampamento
Mais que um sentimento
É um legado a tradição
E onde houver um gaúcho
Tal qual um
quadro em debucho
Trêmula o pavilhão
Não importa a querência
Mesmo distante pago
A roda do mate amargo
Celebra a Revolução
Mulheres e homens valentes,
gente da nossa gente
Que nunca floxou o garrão
Que lutaram por liberdade
Gaúchos de verdade
Que honraram nosso chão
Viva o 20 de setembro
Os farrapos que foram a guerra
Sivam nossas façanhas
De modelo a toda terra..
Tenham orgulho de ser Gaúcho
Do nosso passado de glória
E jamais deixem morrer
A tradição e a nossa história
Passem para seus filhos
A herança, que nos foi passada
Mantenham viva a cultura
Nas trovas, poemas, Paydadas
E cantem o nosso hino
Com respeito e emoção
Retirem o seu chapéu
Com a mão no coração
Nesses fundos de estância
Miro o anoitecer no campo
A lua e os pirilampos
São candieiros na cochilha
No alto as três marias
Assistem esse debucho
Donde mateia o gaúcho
Solito Depois da lida
Por entre as fresta na quincha do rancho
A lua cheia, em visita se achega
E desenha a silhueta campeira e gaúcha
Tal qual feita os traços do berega
E o cenário se parece
Aos retrato do Berega
Por entre a fresta do rancho
A lua cheia se achega
Um catre, fogão de lenha
Candieiro e um cusco amigo
Um violão pra Paydada
Que guardo sempre comigo
Para cantar a minha pampa
A minha lida campeira
O meu pedaço de mundo
Aqui no sul da fronteira
Renato Jaguarão.
Carta em Versos à querida Inês
Querida Inês, receba estas linhas,
que atravessam distância e solidão,
trazendo-te a nova que ilumina:
erguemos no campo a nossa Revolução.
No Seival, o aço cantou com furor,
entre lanças, clarins e poeira do chão,
mas floresciam também — como em flor —
os corações que sonhavam liberdade e paixão.
Veio Tavares com marcha altaneira,
como quem julga a guerra uma dança,
mas encontrou na pampa inteira
o brio de homens que não perdem a esperança.
Neto, em fulgor, ergueu sua espada,
refletindo o sol nas manhãs da campanha,
e ao brado “À carga!”, a tropa inflamava,
como quem dança na chama que arranha.
O combate oscilou como fogo no vento,
mas o destino soprou-nos vitória:
o cavalo de Tavares quebrou-lhe o alento,
e a coragem dos nossos gravou-se na história.
Depois, sob as estrelas em lume,
quando o silêncio abraçava a planura,
acesa ficou a centelha que resume
o sonho da pátria, tão firme e tão pura.
Neto hesitou, fiel ao Bento
mas o mate aqueceu-lhe a razão,
e a voz firme soou como alarde:
“Sejamos República! Que assim seja a Nação!”
No Jaguarão, rio calmo e estreito,
com matas de um lado, coxilhas além,
ergueu-se aclamado, no brio perfeito,
General de uma causa que a todos convém.
Ah, Inês, não de tinta, mas de sangue e bravura,
se ergueu esta pátria em nascentes auroras,
e entre batalhas, guardo a ternura
de escrever-te meu amor nestas horas.
Sou teu Manoel, fiel combatente,
que no campo e na vida jamais te esqueceu,
pois além da vitória, trago presente:
a República é nossa — e meu coração é teu.
Manoel Lucas de Oliveira, 14 setembro de 1836
POEMA CARTA A INES
Autor - Renato Jaguarão.
Poema Tiatino
Os versos que rabisco
Nessa milonga campeira,
Amadrinhada de acordes
Numa guitarra parceira.
Num mate recém cevado,
Nessa manhã de saudade,
Nesse meu resto de mundo,
Muito pra cá da cidade.
Não tenho nada de luxo:
Pelego, catre e galpão,
Algumas cordas que trançam
Ao pé do fogo de chão.
Tenho cavalo de monta,
Domado bem a capricho,
Que me ajuda na lida
E me leva pro bolicho.
Sabe o caminho das casas
Se acaso eu não me acho,
Nesses dias de carreira
Que às vezes me emborracho.
Vivo solito na mais,
Não me prestei pra casório,
Nunca firmei compromisso
E nunca pisei em cartório.
Por vezes vou na cidade,
E algum diabedo de China,
Tapado no amor gaúcho,
Pra disfarçar criolina.
Renato Jaguarão.
Poema do solito.
Sou assim, tenho muy pouco,
por sinal, quase nada;
me basta uma payada
num galpão ao anoitecer,
vendo uma estrela se perder,
quase se apagar na coxilha.
Eu, deitado na encilha,
com cheiro do colorado,
o candeeiro enfumaçado,
pendurado no travessão,
que sustenta a velha quincha,
apertada como sincha
na coberta do galpão.
Minha cama é um catre,
pelego é o meu colchão;
e nas noites de invernada
tenho a alma abrigada
e amadrinhada no xergão.
Por vezes, no imaginário,
nessa coisa de solidão,
penso em outros tempos
enquanto sopra o vento,
assoviando no oitão.
Nesse silêncio velado
de campo e alambrado,
quase no fim da pampa,
donde o gaúcho é estampa
que mantém a tradição.
Quis assim o destino:
que eu, paisano e fronteiriço,
índio, guasca mestiço,
fosse guardião destas terras.
A tropilha, o gado que berra,
o tarrã no banhado,
o quero-quero entonado
no ofício de posteiro,
desconfiado do orneiro
que segue barreando o ninho,
pra não terminar sozinho
igual este rude peão.
Não quis china nem cria,
mas me contento solito:
companheiro, o mate, o pito
e o colorado que fiz pra mim.
Enfrenei, domei e, por fim,
vivo nele enfurquilhado.
Às vezes vou ao povoado
ou no bolicho da ramada,
onde se junta a indiada
pra carpeta, algum bichinho…
E o meu pingo, ao relincho,
me espera na madrugada.
Renato Jaguarão
Meu último amargo.
São meus últimos amargos,
acostado nesse catre.
Nem é lugar pra mate,
o certo é no galpão.
Mas já me tremem as mãos
e meu dorso impede andança.
Me lembro ainda criança,
rotoçando por esse racho.
Mas a vida é feito um desmancho,
feito cavalo em carreira:
passou levantando poeira,
se foi sem pedir permissão.
Falam em encarnação,
numa volta à existência.
Se for, rogo a coincidência
pra voltar pro mesmo chão,
pro rancho, mangueira, galpão,
pros pagos dessa fronteira,
pra velha lida campeira:
pelego, catre, chergão.
Não há outra que queira.
No mais, esse é meu ofício:
a doma, o mate, meu vício.
Já nasci enfurquilhado,
e um gaúcho bem montado
nada mais pede a Deus,
só que volte donde nasceu,
onde minha alma se acampa,
pra voltar a ser estampa
da herança farroupilha,
domando e gastando encilhas
nas estâncias dessa pampa.
Renato Jaguarão
Comparsa
Chegou setembro, já é tempo de esquila.
É mantido e vêm os pila
Pro peão se arrumar.
Pego a comparsa, me ajusto de cozinheiro,
Assado, um carreteiro com a carne que sobrar.
O Moacir Souza tá com os pente afiado,
O Galpão tá preparado, tem ovelha pra esquilar.
De madrugada, um café começa o dia,
Avisou o rádio de pilha que o tempo vai firmar.
Ronca o motor, e a cancha tá preparada,
Delhe ficha, e o cancheiro junta o vélo pra amarrar.
De socador, o Anízio mete pata,
O Cleber pedindo gracha e criolina pra curar.
Don Valdemar, com a boina atravessada,
Bombacha arremangada, puxa os tento pra manear.
Deu nove horas, o churrasco da manhã,
Cheiro de cêbo de lã, e o mate pra vira.
Depois seguimos, vamos até o meio-dia:
Massa, carne e farinha, e a sésta pra descansar.
Que pela tarde segue a lida no Galpão,
Cada ovelha é o pão de quem vive pra changuear.
A noite vem, e os catrês são montados,
Cada um tem o seu lado, pra melhor se acomodar.
Alguns mateiam, outros versos e pajadas,
Contam casos, dão risada, pegam as ficha pra contar.
E assim se vão esses meses de comparsa,
E assim a vida passa,
Mal dá tempo pra sonhar.
Quem déra que o mundo fosse um tempo de tosquia,
Um Galpão, rádio de pilha, e um catrê pra descansar.
Renato Jaguarão.
Poesia Juvencio
Nesses fins de léguas,
Donde o mundo se esconde
E até o ontente se esquece do hoje,
Por tanto silêncio,
O velho Juvêncio
Revira o mate,
Sentado no catre,
Buscando lonjuras
Que a vida apartou,
Bem infurquilhado
Do rito sagrado
Que vem do passado,
Por essas estâncias onde se criou.
Não teve herança,
Tão pouco tropilha,
Lhe toca um tostado,
Já bem sugeitado
Que ele domou,
E sonha, por vezes,
Se fosse patrão,
Umas léguas de campo,
Luz de perilampo
Alumiando o chão.
Encilha a preceito
Recruta de gado
De papel passado;
Campo alambrado,
Rancho e galpão
São cosas de vida
Escrito por Deus.
Juvêncio campeia,
Cuidando dos campos
Que nunca foram seus,
E às vezes pensando,
Segura o chapéu:
Se depois da morte
Terá melhor sorte
Um campo no céu,
Porque a igualdade
Não lhe amadrinhou,
Deixando pros outros
Teopilhas e potros
Que tanto sonhou.
São tantos Juvênios
Por essas estâncias,
São tantos Juvênios
Por essas estâncias,
São tantos Juvênios…
Renato Jaguarão.
Poeira Só o que me basta.
Se o que tenho no meu rancho é pouco,
Não sei o que é muito, então.
Tenho a China mais linda do mundo,
Parceira do chimarão.
Tenho um cavalo de lei,
As ensilhas de patrão.
Um campo não muito grande,
Mas tem mangueira e galpão.
Ando sempre de bombacha
E a velha boina encarnada.
Gosto de penca e bolicho,
Me agrada a genetiada.
Demais não me falta nada,
Nasci pra lida campeira.
Deus, ainda de regalo,
Me fez nascer na fronteira.
E no dia que me for,
Que o home chamar pra perto,
Me enterre de bombacha
Na terra a campo aberto.
Assim que voltar de novo,
Pois creio na encarnação,
Já tô perto da querência,
E fardado de peão.
Guarde todas minhas ensilhas,
Apetrechos e meu catre,
Cuidem bem do meu galpão,
Minha bomba e cuia do mate.
Sei que volto pra querência,
Pro velho fogo de chão,
Pra lidar com a cavalhada
E seguir a tradição.
E se acaso eu não volte,
Alguém siga meu legado,
De gaúcho de peão
Pra lidar no campo com gado.
E lembre que nessa terra,
Pros lados dessa fronteira,
Sempre haverá um gaúcho,
Rancho, galpão e mangueira.
Renato Jaguarão
