Religião e Fé

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Quem vive pela fé não nega as emoções; apenas não lhes entrega o governo da alma.

A graça preveniente visita a noite da alma antes do amanhecer da fé. Ela desperta o prisioneiro do pecado, quebra seus grilhões e o convida a caminhar na luz de Cristo.

Aquele que experimenta a verdadeira fé em Jesus carrega em si a resiliência da graça. Jogue-o na escuridão de um calabouço, e ele descobrirá que as paredes de pedra não podem isolá-lo da mais doce companhia. Lance-o na aridez de um deserto, e ele será alimentado pelo pão que desce dos céus.
Se as amizades terrenas lhe faltarem, ele se achegará Àquele que é o Amigo que “chegado mais do que um irmão”. Quando as ilusões e as "aboboreiras" de sua vida forem arrancadas, ele não ficará desamparado, pois encontrará refrigério eterno debaixo da Rocha. Por fim, ainda que todas as fundações de suas seguranças humanas sejam minadas, seu coração permanecerá inabalável, ancorado na Graça e na soberania do Senhor.

Tudo o que Deus quis revelar para a nossa fé e obediência está nas Escrituras. O resto deve ser provado por elas.

O Evangelho nunca prometeu uma fé confortável, mas uma vida transformada. Estacionar na superficialidade é seguro, mas nunca nos moldará à imagem de Cristo.

A preocupação supõe que Cristo possa falhar. A fé descansa porque Ele não falha.

Os maduros na fé oram mais, porque já aprenderam que sua força não basta.

Tratar a oração como um corretivo mágico para escolhas irresponsáveis não é fé, é imaturidade espiritual.

Achar que uma oração anula a semeadura irresponsável não é fé; é uma superstição infantilizada que insulta a inteligência do Evangelho.

A fé abre os olhos; a compreensão aprofunda a fé.

A fé não anula o intelecto; ela abre os olhos para que eu creia de forma existencial e consciente. E é exatamente essa vivência da Graça que me leva a compreender o Evangelho com uma profundidade cada vez maior, tornando meu crer cada vez mais puro, simples e livre de dogmas e catecismos humanos.

Os cinco pontos do calvinismo não são a norma da fé protestante, nem o consenso histórico da cristandade. Mais que isso, não encontram respaldo suficiente nas Escrituras e, por isso, são estranhos ao Evangelho.

Abraão era filho de idólatras, mas se tornou o pai da fé. Foi casado com uma mulher estéril, mas tornou-se pai de multidões. A sua origem e as circunstâncias da vida não determinam seu destino, mas sim a sua fé no Deus que pode mudar qualquer situação.

A fé repousa na certeza daquilo que não se vê; quando passamos a exigir sinais textuais do céu, já não é a fé que clama em nós, mas sim a dúvida mascarada de devoção.

As boas obras são a prova da fé verdadeira (Tg 2.14-24; Mt 25.31-46; Tt 3.8,14; Ap 20.12). Paulo, Tiago e Jesus não se contradizem: eles diferenciam boas obras (fruto da fé) de obras da lei (práticas da antiga aliança ou Deuteronômio). Paulo sempre refuta as obras da lei ao exaltar a graça, mas nunca descarta as boas obras como evidência da salvação.

A comunidade de fé é um ajuntamento de pessoas imperfeitas. Quando colocamos na instituição a expectativa de um ambiente utópico, abrimos a porta para o choque com a realidade humana e a consequente desilusão.

Na fé cristã, a palavra "santo" (kadosh) significa, literalmente, "separado". Em vez de um peso ou uma lista de proibições, é uma escolha diária de posicionamento para viver uma vida dedicada aos propósitos divinos.

O céu não é para quem confia em sua própria bondade, mas para os que são justificados pela fé e permanecem em obediência aos mandamentos de Cristo.

A fé cristã não se trata de possuir todas as certezas, mas de confiar Naquele que é a própria Verdade. Quanto mais andamos com Cristo, mais percebemos que o Evangelho desfaz nossas falsas seguranças. A maturidade espiritual não elimina nossas interrogações, mas transforma o ceticismo em um questionamento reverente que aprofunda nosso relacionamento com Deus.

A teologia verdadeira purifica a adoração. Longe de extinguir a fé, a doutrina corrige os excessos mundanos e revigora o zelo divino.