Reflexão sobre a Morte

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Só estaremos preparados para a morte quando tivermos consciência de missão cumprida. Até lá, não estaremos preparados para a passagem.

“A corrupção do corpo vicia, trucida a paz, tem custo altíssimo e condena o corpo até a morte. Já a não corrupção, é a oportunidade de uma vida de paz e alegria na simplicidade.”

A vida é a insónia mais longa da morte.

Na morte de um pai,
a memória insiste em
reconstruí-lo em detalhes,
as palavras, o sorriso,
o olhar, os gestos
— só para depois
deixá-lo partir outra vez.

⁠A maioria só toma consciência do que é a vida, quando se está frente à frente com a morte.

A natureza não precisa de cerimônias para aceitar a morte.

Toda morte é fluxo. Chamar uma de tragédia e outra de nada é o atrito de quem esqueceu que também é natureza.

A morte encerra uma organização, mas a realidade continua sua transformação.

A morte encerra uma forma de existência.

A morte não é uma ameaça à existência; é parte da própria existência.

A morte é natural; o espetáculo ao seu redor é criação humana.

A morte não exige rituais; o ser humano é quem precisa deles para encarar a realidade.

Diante da morte, a natureza segue; o ser humano para, chora e cria rituais.

Para o Zonista, a morte não é um erro da natureza, mas parte dela.

A morte não precisa ser imaginada como sofrimento; ela pode ser simplesmente ausência de experiência.

A morte assusta a consciência porque ela não consegue experimentar a própria ausência.

Você dorme sem temer o mundo que deixa de perceber; a morte é o fim da percepção.

Durante o sono, a consciência se apaga por algumas horas; a morte encerra essa experiência de forma definitiva.

Dormimos sem perceber o mundo; a morte é o fim permanente dessa percepção.

O medo da morte nasce dentro de um cérebro que apenas interpreta a realidade.