Reconciliação de Amigos
"Mesmo que você tenha poucos amigos, ou apenas um, ainda assim têm uma grande fortuna. Porque quando há verdade, há Deus presente, suprindo o que realmente importa.
Quem precisa de muitos, na verdade não tem ninguém. Um só, sendo verdadeiro, já é Deus te mostrando que é o suficiente.”
Otávio Mariano
Eu sempre fui seletivo com amigos, antes eu contava alguns nos dedos de uma mão só, e sobravam dedos.
Hoje sobra a mão toda.
Fui taxado de difícil ou esquisito por não ter amigos. A verdade é que a minha confiança não se entrega a qualquer um.
Talvez você esteja lendo isso enquanto conta aos seus amigos, entre risos, como eu implorei para você ficar. Talvez você esteja usando essa honestidade que você jura ter, mas que nós dois sabemos ser apenas mais uma camada da sua mentira.
Eu escrevo apenas para dizer: continue sonhando.
É fascinante como é fácil para você viver nessa sua fantasia onde eu não existo e onde nada do que aconteceu te machuca. Você se esconde atrás desse sorriso, se engana achando que está tudo bem, enquanto eu sigo aqui, literalmente partido em dois. É difícil reconhecer a verdade quando o sonho é mais confortável, não é?
Você pode rir do meu choro e transformar minha dor em história de mesa de bar. Você pode tentar convencer o mundo — e a si mesma — de que jogou tudo fora por motivos nobres. Mas, no fundo, entre um sonho e outro, resta um fato que você nunca vai conseguir apagar: você nunca terá a dimensão real do quanto eu precisei de você.
Siga sua vida. Construa esse castelo de cartas onde você é a heroína da própria história. Eu ficarei aqui com a realidade, lidando com o que você fez comigo, enquanto você continua flutuando, fingindo que não sente o peso do que deixou para trás.
Durma bem. O despertar, se um dia vier, vai ser bem mais frio do que o seu sonho.
Com a amargura de quem ainda se lembra,
(Aquele que você deixou para trás)
Muitas vezes eu fico me perguntando: será que a gente se sente só por não ter amigos ou porque deixou de confiar nas pessoas?
Antes, os amigos acolhiam nossas angústias e frustrações; hoje, no segundo encontro, já indicam terapia.
Eu e Caio Mourão, fomos parceiros e amigos íntimos, na troca de experiências no que tange técnicas de trabalho do metal e técnicas de lapidação. Nos encontrávamos quase que três vezes por semana em seu atelier em Ipanema. Com isto, em pouco tempo me tornei consultor e marchand de suas obras de pintura e esculturas realizadas em aço. Freqüentei durante anos seu refugio criativo em Iguaba, na região oceânica do Rio de Janeiro como também por diversas vezes encaminhei para restauração e mesmo negociei, a seu pedido obras de arte de se acervo particular. Com isto guardo grande ternura pela família, em especial a filha Paula Mourão, que deu continuidade ao Atelier Mourão em Ipanema, como centro de excelência na formação.
Vivo rodeado de grandes nomes da sociedade. Meu amigos são todos eles importantes, o mais simplesinho do meio, sou sempre eu que aprendi com o tempo a cultivar e zelar pelas boas e generosas amizades.
Às vezes sinto que fiquei para trás. Enquanto todos os meus amigos seguiram em frente, eu acabei sozinho.
Cadê todo mundo?
Será que ninguém mais sente a minha falta?
Essa pergunta não sai da minha cabeça. Ela ecoa todos os dias, junto com uma solidão que aperta o peito e machuca o coração.
É estranho lembrar que um dia eu estava cercado de pessoas e, hoje, o silêncio parece ser a única companhia que ficou. Nunca imaginei que a ausência dos outros pudesse pesar tanto.
Só queria sentir, nem que fosse por um instante, que ainda faço falta na vida de alguém.
Entre risos e lembranças, a roda de amigos vira máquina do tempo — e a nostalgia dança com a saudade.
Eduardo Santiago
“Cuidado com amigos frustrados — muitas vezes é da frustração deles que nasce o veneno que amarga relações felizes.”
Entre os tesouros mais raros da existência está o privilégio de compartilhar a vida com amigos cuja lealdade desconhece a inveja, a competição ou a falsidade. Com eles, dividimos sonhos delicados e projetos grandiosos, gestos simples e grandes planos. Na pureza desse vínculo sincero reside a verdadeira essência da amizade.
Fale bem de seus amigos de coração, porque más notícias chegam mais rápidas pela falta de compreensão e de uma boa educação.
O Pescador era antes de tudo, um homem de família, embora tivesse poucos amigos além daqueles que estavam sempre com ele no barco, ele não era um solitário como se dizia na Vila, apenas mantinha a relação social um pouco restrita para fugir daquela velha dita de que todo pescador gosta de contar mentiras que ninguém acredita.
Ele também não cuidava muito da aparência que era judiada truculenta, afinal era de estar no rio debaixo do sol que ele mais gostava e os peixes e as águas barrentas do rio que ele navegava nunca se importaram com essas coisas de presença.
Sua mente era assim que funcionava, ora calma ora brava, como as ondas esverdeadas que as ventanias do tempo fomavam. Mas o Pescador ligeiro assim como água a toda situação se amoldava, às vezes perdia a calma mas rapidinho a encontrava escondida atrás da serenidade e nunca se desesperava nem quando o tempo fechava e o leme se quebrava naquelas tardes de fortes chuvas, relâmpagos e trovoadas.
Nenhuma tempestade por mais forte que se apresentava desviar seu curso ele deixava. Pois sabia onde o cardume estava e era para lá que ele navegava, e ainda que o rio estivesse revolto os seus pensamentos eram livres, confiantes e soltos do medo que não afeta de forma alguma quem conhece o rio e o condutor do barco que por ele navega.
