Recados de Amor
Renunciar a si não é amor.
É ausência de si. Transcender não é se anular,
é confiar no fluxo da própria evolução.
Sem amor-próprio, a renúncia vira só um disfarce… de um vazio que tenta se justificar.
O amor verdadeiro não desaparece quando o silêncio chega. Ele apenas espera, com paciência, o momento certo de voltar a conversar.
Fé infinita
O tamanho do universo é análogo ao amor de Deus: infinito.
A fé do homem deve ser na mesma proporção, também recheada de agradecimento e regada com perdão.
Cada amanhecer é um presságio do poder do Pai Celestial e um novo momento concedido pelo nosso Criador a todos nós.
A alvorada nos renova, e os primeiros raios de sol são bênçãos divinas.
Obrigado, Senhor, por mais um dia de vida!
Deus decreta, de eternidade a eternidade, que todos os que creem no Filho do Seu amor, devem se conformar à Sua imagem [...]. John Wesley - Sermons on Several Occasions (Nova Iorque: J. Emory e B. Waugh, para a Igreja Episcopal Metodista na Sede da Conferência, 14 Crosby Street, 1831), vol. 2, p. 39.
Existe uma fé movida pelo medo e outra sustentada pelo amor. A primeira se dissipa quando o perigo passa; a segunda permanece inabalável, mesmo diante do silêncio de Deus.
O amor genuíno não habita a perfeição — reside exatamente na imperfeição partilhada. São nas horas vulgares, na irritação do dia a dia, nos bloqueios impulsivos e desbloqueios arrependidos, que ele revela sua verdadeira densidade. Brigamos porque importamos, silenciamos porque doemos, bloqueamos porque tememos perder — e desbloqueamos porque perder é insuportável. O amor fala mais alto não por ignorar o caos, mas por atravessá-lo. Ele é a escolha de permanecer quando a fuga seria mais fácil, é a mão que busca a outra mesmo após o punho cerrado. Estar junto, nem que por horas, mesmo em discórdia, já é felicidade disfarçada — porque significa que ainda há "nós" para desgastar. No fim, não são os momentos idílicos que constroem laços, mas a persistência no desconforto, a coragem de reconhecer que amar é, sobretudo, uma prática diária de perdão e reencontro.
O amor acontece assim, ficamos feito uma presa tremendo na frente, mas prontos e no ponto para sermos devorados com unhas e dentes.
Só desejo que as garrafas com as cartas de amor sejam encontradas, e o carteiro não devolva nenhuma ao remetente.
