Recados de Amor
Não há no mundo lei que possa condenar alguem que a outro alguem deixou de amar,então não me queira só por pena.
Descobri que para amar alguém não é necessário desfrutar de sua presença, tampouco ter tido essa oportunidade. Amamos igualmente na ocasião de nunca nos termos encontrado, simplesmente por ocasião da ventura de nos conhecermos, apesar do infortúnio da distância.
Eu queria Tanto Te amar Só que não te via E o meu dia Pior E sem você Contigo É mais confiável Eu te amo Você o meu redor é disfarsável
Egoísmo é amar alguém e, só por isso, exigir que essa pessoa te ame também. Egoísmo é não aceitar as pessoas como elas são. Egoísmo é achar que todos que estão a sua volta são seus dependentes. Egoísmo é tratar as pessoas como se trata objetos. Egoísmo é fazer algo esperando que o outro faça o mesmo. Egoísmo é acabar com a liberdade de expressão e não respeitar a cultura alheia.
E amar é tão simples.Na vida,do pouco é que renasço e faço tão valiosos os meus dias.E são nessas pessoas de gestos e corações sensíveis,as quais acredito e sinto um dom divino.
Amar é poder da tudo de bom, sem que nada de bom tenha recebido.
Amar é fazer o bem, sem olhar a quem.
Amar é não ser amado, e assim mesmo sentir-se feliz, por saber que ama.
Amar é não ter partido, para que assim não se constitua o próximo seu adversário.
A humanidade pode se enriquecer.
Mas a humanidade também pode deve e consegue amar..
Não há riqueza maior do que amor,pois o coração não cobra por este dom divino e nobre que habita nosso ser..
O grande barato é gente.
Pra lutar, pra amar, pra criar.
Não inventaram - duvido que possam - nada mais divertido,
intenso e emocionante que... gente!
Gente em sua inteireza, com sua fragilidade e seus tempos,
seus conflitos.
Gente que vai nos enchendo de recordações,
aquelas que vão formando nossa identidade
e o enorme continente de memórias sobre o qual podemos
nos debruçar e assegurar-nos de que nossa vida
foi inteira.
apanha calado.
Caluniado sem nem ser ouvido.
Amar mas perdeu.
Aceitar acreditar, nada valeu.
Chorar, demonstra ser eu.
Fraquejar sem lutar perdeu.
O fim chegou, adeus.
SAUDAÇÃO DE UM BICHO
Nunca eu vos enganei
Ó gentes do meu amar
Porque haveria eu de vos lograr
Se não sei o que sequer serei?
Tal e sempre por bem vos amarei
Com raízes espetadas no coração
Que alimentam como se fosse o pão
Vivo de esperança, ai, eu o hei!
Trago-vos vivos no meu olhar
Aqueço-vos na minha fogueira
Mesmo que ela apague a noite inteira.
É este o bicho homem a saudar
Outros da mesma massa de amassar
O pão da vida ainda por levedar...
Carlos De Castro
Finisterra, 26-05-2022.
FRUSTRAÇÃO
Já não sei escrever...
Deixei de saber pensar.
A poesia deixou de me amar
E fugiu de mim sem eu ver
Nem poder mais versos ditar.
Que tábua agora para me agarrar
Nas ondas alterosas deste mar,
Se ela foi para não mais voltar
À inspiração dorida do meu penar?
Poesia vagabunda, iracunda, reles
A minha, que só contemplas aqueles
De sacrossanto nome já firmado
Nos anais dos teus egrégios brasões
E afundas sem mais remissões,
Os que querem só escrever um fado.
(Carlos De Castro, in Há Um Livro Por Escrever, em 16-01-2023)
VINDIMA DE ESPERANÇAS
Quando se ama ou se volta a amar
A natureza perdida,
É sinal que a própria vida
Mesmo que dolorida
Tem esperança noutra saída
Rumo a um nova vindima.
Afagam-se os cachos com carinho
De baixo para cima
Como numa rima.
Provam-se as uvas coloridas
Prenhes de doçuras convertidas
Em álcoois depois amadurecidos
Em madeiras velhas consentidos
E fatalmente domados,
Aconchegados odores de bom vinho
Em toneis anciãos embriagados.
Era o Douro da Pesqueira em braços
De mulheres e homens de desembaraços
A soltar da cepa mãe, os filhos maduros
Naqueles socalcos pedregosos e duros.
Alguma lágrima vertida ao arrancar
Em doloroso transe de despedida,
A uva néctar fadada a uma nova vida.
Eram os bagos gordos e mimados
Pela natureza sol e solo vividos,
Que logo na prova primeira,
Fazem da minha amada Pesqueira,
A mãe do vinho dos meus sentidos.
(Carlos De Castro, in Há Um Livro Por Escrever, em 13-05-2023)
DORA DA MINHA DOR
Clamei por ti noites inteiras.
Eras a Dora
Da minha hora,
Que foi amar-te nas clareiras
Das selvas em que vivi.
E eu sempre a chamar por ti.
E a Dora que agora
Me desadora,
Esta perfumada e rica senhora
De berloques de jóias gamadas,
De mamas por gigas sustentadas,
Faz de conta que não existo
Na sua memória cruel!
Não adiantou eu dizer: Sou o Manel,
O que te aliviou o "vírgulo"!
Pelo visto e sem mais vírgula
É triste lembrar assim
Quem não se lembra de mim...
Ah, Dora, mulher fatal,
Que matas qualquer mortal
Como me mataste por fim!
(Carlos De Castro, in Há Um Livro Por Escrever, em 31-05-2023)
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