Realmente Nao sou Perfeita nem Dona da Verdade
Não sou um objeto quebrado, sou uma obra em reforma perpétua, tentando alinhar as peças enquanto o chão ainda treme.
Sou um pedido de socorro que se transmutou em literatura para não ser um fardo e, assim, garantir sua própria sobrevivência.
Sou como um canto que nasceu livre, mas aprendeu cedo o peso invisível das próprias grades, não as que se veem, mas as que se sentem no fundo da alma. Há em mim um desejo antigo de voo, desses que não pedem destino, apenas horizonte, mas que se desfazem toda vez que a lembrança me puxa de volta. Minha liberdade mora longe, talvez no tempo em que o peito ainda não conhecia o silêncio imposto pela dor. E mesmo assim, continuo cantando baixo, como quem tenta não esquecer a própria essência, ainda que tudo ao redor insista em aprisioná-la. Porque existem almas que nasceram para o céu, mas aprenderam a sobreviver dentro de gaiolas feitas de saudade.
- Tiago Scheimann
Eu não sou forte, eu sou persistente, e existe uma diferença tênue entre os dois, porque a força se esgota, mas a persistência se arrasta, e, mesmo aos pedaços, eu continuo.
Eu não sou o que me fizeram, sou o que sobrou depois do impacto, o que sangrou, caiu… e ainda assim se levantou.
Não sou inteiro. Sou feito de remendos, restos, reconstruções e adaptações. Mas talvez seja justamente essa imperfeição que me sustente. Quem já se quebrou aprende a voltar de outro modo. E seguir, às vezes, é isso: refazer-se com o que sobrou.
O passado não me arrasta, me arma, não é peso, mas fundação, é raiz indestrutível da árvore que sou.
Não sou triste; sou um deserto onde a felicidade se perdeu como miragem. Caminho por suas areias quentes, carregando sede de algo que jamais tocarei. Cada passo levanta nuvens de lembranças secas, e o vento que passa parece sussurrar risos que não me pertencem. Aqui não há flores, apenas o eco vazio de promessas que evaporaram antes de nascer.
Sou o que não se doma, um cavalo errante, um verdadeiro Mustang selvagem, meu destino não se escreve em linhas, ele não tem selas,ele nasce no horizonte inalcançável.
Venci porque quis mais do que temi, minhas decisões não esperam permissão, sou autor da minha passagem.
A fé que me move é tangível, trabalho, rima e rotina, não espero milagres sem esforço, sou artesão da própria sorte.
A dor já não me define, me informa, ela sinaliza o que cuidar e o que transformar, não mais sou refém do que passou.
