Realmente Nao sou Perfeita nem Dona da Verdade
Não era uma vez feliz para sempre, porque era a realidade. Era tudo aquilo que jamais seria perfeito.
Era uma toalha molhada em cima da cama, uma rotina cansativa, uma convivência quase que por obrigação. O vilão não era um clichê de contos de fadas.
Eram eles mesmos ali, se desgastando.
pequena história
ela se vestia de silêncio, não
porque desconhecia os sons, mas
a voz dos seus sentimentos ficou
presa no imenso nó que havia em
sua garganta.
A vida se aprende nas perdas. É perdendo a liberdade que a gente descobre que não se encaixa, é perdendo alguém que a gente descobre que não vale a pena lutar por futilidades, é perdendo o apoio que a gente descobre que o resto do mundo não para só porque nosso mundo parou. A gente vai aprendendo a viver assim, na marra, no grito, no sufoco, no impulso.
Ninguém ligou, ninguém vai ligar. O visor do telefone não acusa uma mensagem perdida. E-mail, sinal de fumaça, uma chamada não-atendida. A tela da tv não parece uma saída. Eu vivo um refrão antigo, feito às pressas, plágio de uma bela melodia. Eu vivo um sonho toda noite, eu vivo a noite todo dia. O que eu não pude prever, o que eu não queria. E quando eu ver tv, vou ter sempre uma chance de lembrar.
Não penso mais em objetivos. Depois de um tempo as coisas começam a perder a forma. Olhe muito pra alguma coisa até você deixar de vê-la e se pegar pensando no se seu cachorro enxerga em preto e branco ou colorido.
Eu troquei o dia pela noite. Antes eu lutava contra o sono, quando eu parei de lutar eu venci. O corpo levemente dolorido, a sensação do ácido lático borrifando nos seus músculos flácidos do sedentarismo, as superfícies dos seus membros formigando pela falta de circulação sanguínea, suas pálpebras descendo involuntariamente e um gosto adstringente de café amanhecido nas papilas gustativas do fundo da sua língua. Tudo isso se foi. Depois de um tempo as coisas começam a perder sua forma.
O sono chega quando eu me deito. O café é sempre doce e reconfortante, se você se lembrar de não ferver a água antes de passar no coador. A noite é quieta. As pessoas dormem. Os cachorros dormem, os peixes dormem, a cidade dorme.
Os que não dormem trabalham para um objetivo que esqueceram, se embebedam, estão tendo orgasmos ou qualquer outra coisa que faça ter alguns momentos sólidos de individualidade sem sentido. Existir por existir. A gente faz o que pode. A madrugada tem um cheiro fresco, é toda lâmpadas e aviões e táxis e pessoas relativamente perigosas e outras pessoas perigosamente frágeis perambulando indo umas atrás das outras, fazendo entregas, rindo, pensando na vida ou não pensando em nada e todas escutando um chiado desértico e a própria palpitação quando o semáforo fica vermelho. 30 segundos de respiração, ar gelado entrando pelas narinas inundando os pulmões, olhando para o console do carro, para as faixas na rua, para os mendigos, para a luz acesa num apartamento com uma leve curiosidade em saber porque aquela pessoa está fumando na sacada naquela hora.
Você é tão especial e lindo quanto um lírio no campo. Não vejo sua beleza somente por fora. Porque o que tens por dentro exala entre os seus poros, realça na sua aura e resplandece na sua alma.
