Real
Se milagres não acontecem na vida real, a existência divina não faz diferença. Um criador que não mexe um dedo para mudar a realidade é, na prática, o mesmo que um deus que não existe!
Se existe uma divindade, então ela é a única consciência real e todas as outras são apenas simulações menores, como se sente sabendo que você não é real?
Se deus é a única consciência real, o paraíso é exclusivo: só ele entra. Na porta, a placa: "Propriedade privada: proibido simulacros!"
Se deus existe, só a consciência dele é real; logo, só ele tem livre-arbítrio. O paraíso é exclusivo. O resto é simulação para fingir que não está sozinho!
O diabo inventou a imortalidade da alma para seduzir os humanos a desprezarem a única vida que realmente importa!
Já briguei na vida real, já perdi tempo brigando na internet por política e futebol. Hoje, eu não discuto mais com ninguém. A única luta que realmente importa agora é pela minha vida.
Já lutei no mundo real e desperdicei horas em discussões vazias sobre política e futebol na internet. Agora, encerro todos os debates: minha única prioridade é a batalha pela minha própria vida.
Há uma necessidade urgente de abraçarmos a humanidade real,com suas trajetórias de tristezas e sofrimentos. E,se assim o fizermos acabaremos perceber que afinal,a beleza só aparece quando as projeções terminam e a transparência é vista.
"Quem carrega consigo o espírito do lobo não vive só o real. Vive a travessia entre o mundo que se vê e o mundo que se sente."
É Natal!
Evito falar sobre essa data e o seu real significado (ou seja, a comemoração do nascimento de Jesus Cristo).
E, mais ainda, evito ficar repetindo para todos: "Feliz Natal!".
Vejo tanta hipocrisia e falsidade nesse ritual linguístico de fim de ano.
Sim… é Natal.
E o que eu penso e escrevo a respeito
traz uma lucidez que dói em mim e pode ferir os outros, como quase tudo o que é cruamente honesto, e que costuma golpear algumas pessoas.
O “Feliz Natal” virou um mantra automático,
esvaziado de real presença e de sentimento,
repetido por bocas que não se dispõem
ao mínimo gesto natalino de verdade:
sentimento, empatia, escuta, coerência e humanidade.
Celebra-se uma data que deveria simbolizar
a ruptura com a lógica da violência,
do acúmulo e da exclusão, mas…pratica-se exatamente o oposto, embrulhado em luzes, comilanças, consumo e frases prontas.
E há algo muito coerente no meu evitar esse ritual, quando ele se torna falso.
O meu silêncio, nesse caso, é mais ético que a saudação mecânica.
Jesus, se tomado verdadeiramente a sério,
seria profundamente incômodo hoje.
Ele não caberia nos shoppings lotados,
nos discursos moralistas, nem nas felicitações ( na maioria das vezes) vazias enviadas por obrigação familiar e social
Meu incômodo com essa data não é rejeição ao sagrado. É, ao contrário, respeito.
Respeito por não banalizar o que deveria ser vivido com sentimento e reflexão, e não repetido automaticamente.
Talvez o meu Natal seja esse:
não o da frase dita, mas o da consciência
que se recusa a fingir.
E esse fato, mesmo sem “Feliz Natal”,
é profundamente verdadeiro.
Quantas “Marias” (mulheres solteiras, grávidas
e destinadas à fuga) ainda existem?
Quantos “Jesus” ainda nascem em situações precárias por causa do preconceito e da desumanidade?
Quantos “Josés”, no mundo de hoje,
acolhem uma “Maria” (solteira e grávida) e reconhecem o bebê como um pai?
São tantas as perguntas…
mas prefiro terminar por aqui.
Saúde e serenidade a todos.
Fiquem em paz 🕊
Sejam paz 🕊
✍©️@MiriamDaCosta
Reflexões. Uma literatura real (I-VIII)
I.
E Jeoaquim chorava porque queria participar da história que sua irmã Léia estava brincando e inventando.
Não sabia quem era na história, pois não estava nela, e por isso chorava.
E quem observava refletiu uma solução:
Que Jeoaquim brinque sozinho e faça sua própria brincadeira, ao invés de tentar entrar na de Léia, que fazia suas próprias regras.
E ele, talvez me dissesse, não consigo.
E eu a ele: você já tentou?
–Sim, muitas vezes e não consigo.
E eu concordei. Sim, se você não tentar de novo, nunca vai conseguir mesmo.
