Real
Quero viver a eternidade de uma real felicidade, mesmo que ela não passe de um simples piscar dos olhos.
Não há transição real entre ignorância e clareza - essa ideia só existe dentro da lógica da mente. O que parece um caminho é apenas o desgaste gradual das ilusões que impedem o reconhecimento imediato do que sempre esteve evidente. Nada novo é alcançado, apenas o falso deixa de se sustentar.
Você aprende que; nem tudo oque as pessoas te falam é verdade . Mas é dificil acreditar quando realmente estão falando a verdade.
Entre aquilo que vejo, ouço, tateio, provo e respiro e o real, há uma distância que não sei medir; mas o desconhecido logo me revela a pequenez do que sei.
Ser verdadeiro ou mentiroso é uma opção pessoal... Seja sempre você; e verá o seu valor real... Caso queira mudar ou redesenhar a sua vida; um risco pequeno num papel, ou um traço qualquer, já é um grande começo.
A Dialética do Despojamento: O Belo e o Real
Na redução fenomenológica do espaço e do traço,
a alma repousa naquilo que o pouco revela;
é a beleza do silêncio que rompe o cansaço,
o mundo despido, sem a moldura da cela.
Nesta busca, a imanência se faz clara e contida,
onde o ser se encontra com sua forma mais rara,
longe do ruído que a abundância, em sua lida,
para o consumo da imagem, tão cedo prepara.
Contudo, a simplicidade não é apenas repouso;
é o reflexo da materialidade que a vida impõe;
atrás do pão rústico, há o esforço penoso,
a mão que a estrutura social logo expõe.
O que o olhar esteta consome como harmonia,
é, no solo, o habitus da privação e do rigor;
a existência se molda na escassa e fria geometria,
onde a beleza é o subproduto de um longo labor.
Assim, o simples é um equilíbrio de tensão ontológica,
um palco onde o belo e o trágico dançam no rés;
não há pureza que escape à força da lógica,
que sustenta o encanto, mas fere através dos pés.
A dignidade do nada é o triunfo do espírito humano
frente à violência sistêmica que a carne consome;
a simplicidade é a glória do mais fundo cotidiano,
mas é também o eco da sede e o rastro da fome.
A vida pela vida simplesmente não tem realmente importância ou valor real. Viver é péssimo. O que torna a vida em algum nível preciosa e suportável é ter coisas boas o bastante pra isso. Viver daquilo que ama, pra mim, pelo menos, seria fundamental, apesar de não ter certeza de que só isso baste. Se você não tiver um bom anestésico, não aguenta a existência. E eu não estou falando de drogas, apesar de entender completamente quem recorre a isso. As vezes é só o que se tem.
- Marcela Lobato
Permanência
"O que é real não morre
O que foi sempre será
Feche os olhos e estará lá
De tudo que guardar
Apenas eleve o que pode admirar".
No caos de uma vida sem sentido, vago pelos limites da existência em busca do seu real significado. Vago pelos mares da vida, formados por dor e ternura. Vago pelos sentimentos e prazeres momentâneos, tudo isso em busca de um significado para uma vida estranhamente difícil e incrível.
Velejo pelo espaço-tempo como um velho marinheiro em busca de um único tesouro, um tesouro perdido no tempo, perdido no futuro, perdido no universo. Em meio à noite mais quente, a vida me abraça com seus longos braços frios, trazendo memórias de uma vida passada, de amores e dores que foram me desgastando e se perdendo com o tempo.
Contudo, a vida me ensinou muito: como as pessoas são, como elas vêm e vão, mesmo quando não queremos que partam. Erros e acertos são os melhores ensinamentos para uma convivência mútua. Viver é como velejar por mares de lágrimas, formados pelas memórias, pelos ensinamentos e pela história de uma vida complexa e estranha.
