Quietude
O Núcleo, gélido e imune ao impacto, persiste em sua quietude. A única fissura, vestígio da origem.
Mas eis que uma frequência exata, sem esforço ou pressão de campo, alcança a crosta. Não rompe o isolamento, mas vibra em compasso.
Ali, naquele instante de Ressonância, o tempo se dobra. Não é o calor da combustão, mas o eco da vida que revela que a Memória ainda possui a chave para o fluxo.
E assim, a casca entende: a ausência tem o peso do chumbo, mas a Presença sutil é feita de ouro, e está fora do alcance da dor.
O tempo tem o seu próprio tempo!
E para a ocasião o tempo se aconchega em silêncio
Na quietude suspira a minha alma,
Como terra seca observa as rachaduras profundas que anseia por chuvas para irrigar e renovar a relva da alma, conforme a estação do tempo.
A minha alma tem sede de ti SENHOR.
Na quietude de uma noite sem fim, onde as estrelas eram os únicos vigias e o céu parecia guardar os segredos de impérios antigos, eu a vi. Não como alguém comum atravessando a fumaça dourada da cidade, mas como uma visão arrancada das páginas esquecidas da história. Ela surgia diante de mim como Cleópatra renascida, não a rainha contada pelos homens, mas a mulher que existia entre o mito e o caos, grande demais para caber nas mãos erradas.
E eu, como Júlio César diante do inevitável, senti o mundo mudar no exato instante em que nossos olhos se encontraram.
Havia algo nela que fazia o tempo se curvar. Como se Roma ainda queimasse em algum lugar distante, enquanto neon e concreto refletiam em sua pele como ouro derramado. Ela caminhava entre as sombras daquele futuro desconhecido carregando o peso de quem sempre foi intensa demais para amores rasos. Grande como sempre foi, mas nunca amada da forma certa. Nunca compreendida por inteiro. Nunca tocada como um império merece ser conquistado.
Mas eu a via.
Via a fome escondida entre os exageros, a tempestade disfarçada nos sorrisos, o desejo absurdo de se entregar sem limites, mesmo fingindo que não precisava de ninguém. E talvez tenha sido exatamente ali que tudo começou. No instante em que minha licença poética decidiu transformá-la na rainha que o mundo sempre teve medo de amar.
Juntos, éramos mais do que duas pessoas atravessando madrugadas vazias. Éramos César e Cleópatra reinventados num século que já não acreditava em eternidade. O passado e o presente se misturavam numa dança silenciosa enquanto caminhávamos pelas ruas iluminadas, como se cada esquina escondesse um pedaço do nosso destino.
Na canção que ecoava baixa entre nós, éramos eu e você contra o mundo.
E o mundo odiava isso.
Havia olhos por toda parte. Olhares carregados de inveja, admiração e medo. Sussurros atravessando corredores, bocas dizendo que nosso amor era impossível, intenso demais, destrutivo demais. Diziam que pessoas como nós nunca terminavam inteiras. Que amores assim sempre acabam em ruínas.
Mas eles não entendiam.
Não entendiam que toda vez que tentavam nos separar, nós brilhávamos ainda mais. Como duas constelações condenadas a colidir. Como dois impérios destinados à guerra, mas que escolheram o amor antes da destruição.
Criamos nosso próprio refúgio entre noites longas, confidências e excessos. Entre doses de tequila e o álcool com que lavávamos a alma, nós nos despíamos das versões cansadas que o mundo exigia. E ali, longe das expectativas alheias, você finalmente podia se esbaldar dos exageros que sempre quis viver. Sem culpa. Sem limites. Sem precisar diminuir sua intensidade para caber no peito de alguém.
Porque eu nunca quis que você fosse menos.
Eu queria tudo.
Queria teu caos, tua fúria, teus exageros, tua maneira quase trágica de amar. Queria teus silêncios pesados, teus medos escondidos, tua vontade absurda de sentir o mundo inteiro de uma vez só. E enquanto você me olhava como se tentasse entender por que eu permanecia, eu só conseguia pensar que nenhum homem antes de mim soube amar uma rainha sem tentar prendê-la.
Seu antigo exército caiu justamente por isso. Pareciam gigantes vistos de longe, mas de perto eram apenas um mar raso tentando conter um oceano.
Você nasceu para profundidades que assustam.
E eu também.
Talvez por isso nossos nomes tenham se reconhecido antes mesmo de nossos corpos se tocarem. Como se em alguma outra vida César já tivesse encontrado Cleópatra sob outro céu, em outro império, prometendo outra vez que o mundo jamais seria suficiente para separá-los.
Nos momentos de silêncio, quando a madrugada cansava de existir e o universo parecia respirar devagar ao nosso redor, olhávamos para o futuro como quem encara algo inevitável. Sabíamos que éramos mais do que dois nomes passageiros tentando sobreviver ao tempo.
Nós éramos um pacto.
Uma promessa silenciosa feita entre ruínas e estrelas.
Talvez César não queira mais atravessar o mundo para conquistar outros impérios, porque ele enxergou em Cleópatra a sua castra.
E mesmo que o mundo inteiro desabasse ao nosso redor, ainda haveria nós dois, lado a lado, reinventando o amor como quem desafia a própria história.
Porque algumas pessoas nascem para viver romances simples.
Mas nós?
Nós nascemos para virar lenda.
Adaptação
Não me subestimem,
Na quietude, recarreguei as pilhas,
A dor tentou consumir os caminhos,
A saudade não conseguiu superar o processo de adaptação,
Mudar é uma certeza,
Atravessar o deserto gera consequências momentâneas, no entanto fortalece,
Aceitar mora no passado, levantar mora no presente e alcançar uma nova história mora no futuro que queremos.
A quietude do silêncio , acalma e eleva nossa alma, nos deixa plenos e sem ressalva , e ,a vida fica assim mais calma !
João Batista Barbosa
Noite de insônia
Na penumbra do quarto, mergulhado na quietude da noite que se estende infinita, encontro-me deitado, imerso na insônia que me visita como uma companheira indesejada. O silêncio que me cerca é quase palpável, preenchendo cada canto do ambiente com uma densidade sufocante, como se fosse possível ouvir o eco dos meus próprios pensamentos reverberando nas paredes.
Meu corpo repousa sobre o colchão macio, mas minha mente se recusa a encontrar o repouso tão desejado. Em vez disso, ela se lança em uma jornada intrincada pelos recantos mais profundos do meu ser, explorando os labirintos da minha alma em busca de respostas que parecem sempre se esquivar de mim.
O amor, esse sentimento complexo e inescrutável, surge como uma miragem no horizonte da minha consciência, evocando uma mistura tumultuosa de emoções que oscilam entre a paixão ardente e a desilusão amarga. É como se estivesse preso em um redemoinho de sentimentos contraditórios, incapaz de encontrar um ponto de equilíbrio entre o desejo avassalador e a frieza da realidade.
E a vida, essa jornada tumultuada e imprevisível, revela-se como um labirinto intrincado de caminhos entrelaçados, onde cada escolha é um passo em direção ao desconhecido. Caminho sem rumo pelas encruzilhadas da existência, sem saber ao certo se estou seguindo o curso certo ou se estou condenado a me perder nas trilhas sombrias da incerteza.
A crença, essa âncora frágil que nos sustenta em meio à tempestade da vida, ergue-se diante de mim como um farol na escuridão da noite. É ela que me dá esperança nos momentos de desespero, que me conforta nas horas de aflição, e que me faz acreditar que há um propósito por trás de cada provação, uma razão para continuar seguindo em frente, mesmo quando tudo parece desmoronar ao meu redor.
Assim, nesta noite de insônia que se estende interminável diante de mim, deixo-me levar pelas correntezas turbulentas dos meus pensamentos, navegando pelos mares tempestuosos da minha mente em busca do sentido que se esconde nas entrelinhas do universo. E enquanto o tempo passa lentamente, como se estivesse se arrastando sob o peso da minha própria angústia, permaneço deitado, contemplando os mistérios da vida, do amor, da crença e de tudo o mais que habita os recantos mais profundos da minha alma.
Um dos modos de permanecer na quietude divina é esperarmos na paz do Senhor, aguardando a Sua intervenção a nosso favor.
O silêncio é o lugar onde Deus fala sem palavras. Quem aprende a ouvir a quietude, descobre o som da eternidade. A graça não se impõe, apenas convida a permanecer.
A força não está em gritar, mas na quietude de quem sabe o poder que carrega, o oceano é mais profundo que a onda.
O Ponto Fixo do Trânsito
O Agora é a minha única morada, o ponto exato,
a quietude que o caos me permite reivindicar.
Se o defino, ele já é Presente-Passado,
a matéria de memória, a substância de tudo que o riso dos deuses levou.
Não é um vazio findo, mas o volume da minha história,
a textura viva da cicatriz que me torna necessário.
Mas o Agora é também, e sem trégua, Presente-Futuro,
a tensão que me impede o ócio inabitável.
É o vetor da força que move o Ser para o devaneio lúcido—
a criação de um paraíso possível,
mesmo quando a lucidez me diz que ele é breve.
Pois sei que as coisas transitam ao meu redor
e a minha perspectiva é o único centro real.
Se o mundo gira e a folha cai,
minha presença é o ângulo irrepetível
que dá forma e cor à velocidade do trânsito.
Os Deuses, lá no alto, podem rir da minha seriedade,
rindo da minha busca por um sentido,
zombando da pequena chama da minha vontade.
A gargalhada deles é a confirmação:
A vida é regida pela ironia lúdica, não pelo mérito.
Mas a síntese é a minha resposta:
Eu não preciso de um plano perfeito.
Eu sustento a minha existência apesar do riso,
criando o meu próprio éxtase no intervalo.
Eu sou necessário para completar a canção,
e mesmo sabendo que o futuro é incerto,
eu carrego a coragem indiferente de quem sabe:
O ato de estar aqui, no Ponto Exato do Agora,
já é o maior e mais belo de todos os propósitos.
Flutuo entre pensamentos vagos,
tecendo o futuro em frágeis fragmentos
na quietude da noite.
Observo os detalhes esculpidos
pelas arestas do cotidiano,
contemplando o reverso oculta da percepção.
No horizonte vago, acendem-se estrelas:
em divergência, a mente colide
em abstrações e pareidolias.
Reflexos erguem-se em barreiras de gelo
enquanto tocamos o infinito.
O verdadeiro império é erguido na quietude da mente: A fortuna material é apenas a sombra projetada por um caráter que já era trilionário muito antes de tocar no primeiro centavo.
A serenidade da alma
É na quietude que nos conectamos a nossa luz, polimos nossos valores e brindamos por vida junto ao universo.
Marcelo HB
(...)Um coração que vive na quietude do amanhecer, esta vivendo em tempo de plantio. E é preciso silencio, calor e luz para que a imensidão de todo e qualquer bonito sentimento floresça.
QUE O VENTO LEVE, QUE A CHUVA LAVE, QUE A ALMA SEJA SEMPRE LIVRE.
O mundo fica melhor quando ele possui; calma, fleuma, placidez, quietação, quietude, serenidade, sossego, tranquilidade, paz.
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