Quente
Final de agosto,
dia quente,
calor insuportável.
Parece que vem chuva por aí
Eu ouço os trovões distantes,
o som do vento a barulhar,
é a chuva itinerante
passando por tantos lugares:
hoje aqui, amanhã lá.
Observo as primeiras gotas
pelo vidro da janela a deslizar,
formando desenhos estranhos
ao se misturar com a poeira
que o vento levantou.
Rendado ficou o vidro,
embaçado ficou meu olhar.
Agosto definitivamente se despede,
a chuva, com certeza,
em outra ocasião voltará.
editelima 60
No meu peito carrego âmbar,
luz que teima em não se apagar,
tesouro secreto, quente e raro,
guardado só pra você tocar.
E no mês que é teu, eu trago
uma surpresa, sussurro do vento,
que dança entre o agora e o segredo,
prometendo mais que um momento.
Banho quente, comida boa e o amor de quem se ama.
No fim, a felicidade quase nunca mora no excesso. Ela costuma chegar em silêncio, aquecendo o corpo, alimentando a alma e encontrando abrigo no coração de quem nos escolhe todos os dias.
*O FILTRO É O PROBLEMA*
No primeiro sábado realmente quente depois do inverno, fui ao parque central da cidade.
Não por esperança. Tenho idade suficiente para desconfiar de qualquer coisa que prometa renovação.
A primavera tinha chegado sem pedir licença. Havia flores demais, folhas novas demais, gente demais tentando recuperar em poucas horas aquilo que o frio havia roubado durante meses.
As crianças ocupavam os espaços com a irresponsabilidade própria de quem ainda não descobriu que a vida cobra juros. Algumas brincavam. Outras apenas estavam ali, largadas ao sol, como se não houvesse nada urgente no mundo.
Os adolescentes circulavam em pequenos grupos. Ensaiavam aproximações. Um olhar demorava mais que o necessário. Uma risada surgia sem motivo. Um deles ajeitava o cabelo antes de passar perto de alguma garota. Pequenas operações de guerra, ainda sem mortos.
Os adultos eram mais complicados.
Alguns caminhavam como se estivessem cumprindo uma obrigação médica. Outros conversavam, sorriam, fotografavam flores, filhos, cães, os próprios pés, qualquer coisa que pudesse provar depois que haviam participado daquele dia.
Havia também os de sempre.
Sentados com a expressão de quem fora condenado a respirar o mesmo ar que os outros.
Reclamavam da quantidade de pessoas.
Do barulho.
Das crianças.
Do calor.
Da primavera.
Esses deveriam ter ficado em casa.
Não porque o mundo lhes devesse silêncio, mas porque certas pessoas carregam uma espécie de quarentena particular. Saem de quatro paredes e levam outras quatro dentro da cabeça.
O curioso é que chamavam aquilo de realidade.
Fiquei observando.
O parque não era bonito.
Também não era feio.
Era apenas um lugar cheio de gente tentando interpretar o que estava diante dos olhos.
E foi aí que percebi o truque.
Talvez o caos nunca tenha sido tão caótico quanto parece.
Talvez o problema esteja no sujeito que olha.
Um homem vê uma multidão e sente ameaça.
Outro vê companhia.
Um enxerga crianças fazendo barulho.
Outro enxerga infância.
Um vê adolescentes desperdiçando tempo.
Outro reconhece, com alguma vergonha, a própria juventude.
A mesma cena. Cabeças diferentes.
E cada cabeça jurando possuir a versão correta.
Passei boa parte da vida fazendo isso.
Escolhendo um ângulo.
Defendendo uma interpretação.
Chamando suas preferências de princípios e suas feridas de experiência.
Depois comecei a perceber que muita coisa que eu chamava de verdade era apenas uma maneira confortável de permanecer sentado dentro da minha própria versão dos acontecimentos.
O sujeito cria uma explicação.
Depois passa a viver dentro dela.
Cria um inimigo.
Depois precisa encontrá-lo todos os dias.
Cria uma identidade.
Depois passa o resto da vida protegendo-a.
Cria uma história sobre si mesmo.
E quando alguém ameaça essa história, reage como se estivessem tentando arrancar-lhe a pele.
Talvez liberdade seja uma coisa bem menos gloriosa do que imaginamos.
Talvez seja simplesmente deixar de acreditar tanto na própria narrativa.
Eu olhei novamente para as pessoas.
As crianças continuavam brincando.
Os jovens continuavam tentando impressionar uns aos outros.
Os adultos continuavam fingindo que sabiam para onde estavam indo.
Os mal-humorados continuavam mal-humorados.
Nada havia mudado.
Só havia mudado o lugar de onde eu estava olhando.
E isso foi desconfortável.
Porque, quando o observador percebe que também faz parte da cena, perde a vantagem de julgar.
Não há mais plateia.
Não há mais personagem principal.
Há apenas alguém olhando.
E esse alguém também está sendo observado pela própria consciência.
Nesse instante, minha história pareceu menos importante.
As coisas que eu havia defendido.
As coisas que eu havia perdido.
As pessoas que eu culpei.
As versões que construí para suportar determinadas noites.
Tudo começou a parecer uma coleção de móveis dentro de uma casa que eu já não precisava habitar.
Foi estranho.
Não houve revelação.
Nenhuma luz desceu do céu.
Nenhuma música começou a tocar.
Apenas uma pequena suspeita.
Talvez eu não seja aquilo que penso sobre mim.
Talvez você também não seja.
Talvez sejamos menos definidos do que passamos a vida tentando parecer.
Fiquei ali por mais alguns minutos.
Sem procurar significado.
Sem tentar consertar o mundo.
Sem transformar o parque em uma lição.
As pessoas continuavam passando.
E, pela primeira vez em muito tempo, eu não precisei decidir o que aquilo significava.
Foi quase nada.
Mas, para quem passou anos carregando explicações, quase nada já é uma forma razoável de liberdade.
Do casal nasce a criança, do casal nasce a brigança; que vira briga quente, deixando amor de lado, tendo uma criança inocente , no meio do fogo cruzado de dois culpados.
Sol... Que faz nosso dia brilhar. Quando muito quente, ardente nos faz reclamar. Mas ao entardecer quando se põe nos faz encantar.
Neve quente
As árvores estavam cobertas, carregadas,
a estrada estava intransitável,
o telhado ao mesmo tempo que explorava a fumaça da chaminé a todo vapor também segurava o peso da neve densa que caia impiedosamente aquela noite,
Do frio foram extraídos goles incansáveis de vinho,
da lareira foi consumido o calor sussurrante em cima do tapete de tecido grosso,
dos sorrisos foram arrancados o doce mel do frescor daquela noite,
Já é madrugada,
a neve continua a cair densamente,
a lareira ferve impenitente,
da janela apenas o suor é exposto descaradamente.
A chance
A janela aberta no amanhecer,
O café quente descendo quente a cada gole,
No olhar para dentro uma divisão de sentimentos,
Nas nuvens passageiras o recado foi dado,
Na revisão das atitudes e do comportamento, a chance de evoluir sem errar novamente.
POESIA
Renascer
Gosto muito de acordar quente de tanto pensar em você é maravilhoso dormir pensando nos carinhos que recebi durante o dia.
O Amor pode trazer consequências, faz chorar, faz sofrer, mas é o melhor e único caminho para evitar a solidão.
É incompreensível o descontrole que causa ao coração, á esperança, a felicidade através de afetos, toques, palavras carinhosas.
O seu amor me faz renascer a cada dia.
Eu sou um novo homem todos os dias depois que te conheci.
O Café e a Estrada
O vapor sobe lento da xícara quente,
um calor que acorda o peito por dentro.
Sinto o amargo suave, o perfume presente,
e no silêncio do pó, me encontro e me centro.
Estar vivo é esse gosto, esse gole de agora,
o milagre sutil de inspirar e sentir.
É ver a manhã desenhar-se lá fora
e saber que ainda há tanto caminho a florir.
Sigo só na caminhada, passo a passo, a pensar,
com a alma desperta e o peito sereno.
Pois o solitário trajeto só serve pra honrar
o destino dourado que me faz o percurso pequeno.
Trago a vida no peito e o café nas lembranças,
enquanto me movo ao encontro dos meus.
Onde a gratidão vira abraço, riso e esperança,
e o amor reafirma as bênçãos de Deus.
Boa caminhada e bom encontro!
No recanto
O vento quente do sertão
varre a alma cansada,
E a ansiedade aperta
o peito como corda de viola.
O homem sente
o mundo pesado nos ombros,
E a esperança parece distante, escondida no céu de brasa.
Mas chega uma palavra doce, feita de calma e cheiro de terra molhada,
Um sussurro que floresce entre
o juazeiro e a laranjeira.
O coração se abre,
desata o nó que sufoca,
E a vida volta a dançar
na batida lenta do luar.
No recanto da paixão,
o olhar se encontra,
Mãos trêmulas se entrelaçam,
tão simples e certeiras.
O medo se dissolve
na música das palavras,
E o amor cresce no silêncio
que fala mais que tudo.
Ah, sertão que ensina
a alma a resistir,
Entre seca e chuva,
entre dor e sorriso.
Uma palavra bondosa
é a chuva na rocha,
E o coração do homem
volta a cantar seu próprio destino.
Labirinto Interior
As pedras falam,
mas ninguém escuta.
O sangue quente escorre
entre sombras que dançam na cabeça.
Há vozes que me atravessam,
rasgam o silêncio,
e deixam rastros de carvão no peito.
Não sei se é noite ou tempestade,
se o chão queima ou se sou eu,
ou se o vento carrega minhas mãos,
incapazes de segurar o que foge.
Senhor, você que vê meu coração no meio da confusão,
guarda-me da própria sombra
sem apagar o fogo que me lembra que existo.
Que eu não me perca
entre a brasa e a bruma,
entre o toque que destrói
e a mão que quer abençoar.
Que eu seja labirinto e mapa,
raiva e silêncio,
pesadelo e oração,
até que a manhã me reconheça
entre os escombros do meu ser.
O meu amor por você é Quente
Quanto ao sol
O meu amor por você Brilha
Quanto a lua
O meu amor por você é Puro
Quanto a água
O meu amor por vc é Grande
Quanto ao universo
O meu amor por você é o Aurelio
Quanto as palavras
O meu amor por você tá na Palavra
Quanto a Deus
Sob a mata fria e o solo quente, o tempo se cala na noite eterna, onde a lua cheia não ilumina o caminho, mas expõe a nudez da nossa ilusão. Pois quem caminha descalço sobre as cinzas da razão logo descobre que a verdadeira escuridão sempre esteve nos olhos de quem observa.
Reno Fioraso
A coisa ficou quente para o Frias! Tentaram emendar as rachadinhas, mas levaram um coice do Azarão; agora só lhes resta a prisão!
