Quem tem Telhado de Vidro Evita Chuva de Pedra

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Quem exerce o Direito sem gratidão transforma uma conquista coletiva em propriedade intelectual de si mesmo.

Há uma espécie de injustiça que nenhum tribunal julga: receber uma liberdade e esquecer quem pagou seu preço.

A lei mais nobre talvez seja aquela que transforma a gratidão pelo passado em dever para com quem ainda não nasceu.

Uma democracia demonstra sua força quando protege inclusive aqueles de quem a maioria discorda.

Quem procura a verdade jurídica deve estar disposto a descobrir que sua primeira hipótese estava errada.

Quem usa a lei para vingar-se transforma o tribunal em templo do próprio ressentimento.

A lei estabelece limites para os homens; a sabedoria pergunta quem vigiará os limites da própria lei.

Quem julga os outros sem julgar os próprios preconceitos transforma sua ignorância em sentença.

A justiça começa quando deixamos de perguntar apenas “quem fez?” e passamos a perguntar também “o que aconteceu para que isso fosse possível?”.

Quem conhece apenas a letra da lei pode aplicar normas; quem compreende sua finalidade consegue fazer justiça.

O Direito civiliza o poder quando consegue dizer “não” justamente a quem pode dizer “sim” a tudo.

Quem acredita possuir toda a verdade já começou a perder a capacidade de fazer justiça.

Quem pergunta antes de julgar frequentemente encontra razões que o julgamento apressado não permitia enxergar.

Quem controla a definição do problema frequentemente já controla metade da solução.

O Direito é também uma disputa pela linguagem: quem define o significado das palavras influencia o destino das pessoas.

Quem domina suas paixões decide melhor do que aquele que permite que suas paixões escrevam sua sentença.

Quem define o que é “normal” frequentemente define também quem será considerado desviante.

O Direito deve investigar não apenas quem violou a regra, mas quem teve o poder de escrever a regra.

Algumas normas parecem neutras porque ninguém pergunta quem se beneficia de sua neutralidade.

A questão jurídica nunca é apenas “quanto limitar?”, mas “quem limita, por quê e sob quais controles?