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Quem sabe um dia eu Volto a te Encontrar

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Construir pode ser a tarefa lenta e difícil de anos. Destruir pode ser o ato impulsivo de um único dia.

A partir de um certo ponto, o dinheiro deixa de ser o objetivo. O interessante é o jogo.

Tolo e muito tolo é aquele que, ao revelar um segredo a outra pessoa, pede-lhe encarecidamente que não o conte a ninguém.

Um clássico é algo que todos queriam ter lido mas que ninguém quer ler.

O mundo divide-se em pessoas boas e pessoas más. As pessoas boas têm um sono tranquilo. As pessoas más divertem-se muito mais.

A mulher não é um gênio, é um elemento decorativo. Não tem nada para dizer, mas di-lo tão lindamente.

Um homem sensato pode apaixonar-se como um doido, mas não como um tolo.

Matar um homem para salvar o mundo não é atuar para o bem do mundo. Imolar-se a si mesmo, eis o que é agir bem.

Existe um caminho que vai dos olhos ao coração sem passar pelo intelecto.

Para ser um bom observador é preciso ser um bom teórico.

Se uma mulher se vestisse só para um homem, com certeza não demoraria tanto tempo.

Quando se diz que um escritor está na moda, isso quer dizer que ele é admirado por menores de trinta anos.

Odiar as pessoas é como atear fogo na casa a fim de se livrar de um rato.

O sucesso tem sido sempre um grande mentiroso.

Se ao lado da biblioteca houver um jardim, nada faltará.

Nos acontecimentos, sim, é que há destino:
Nos homens, não - espuma de um segundo...
Se Colombo morresse em pequenino,
O Neves descobriria o Novo Mundo.

Mario Quintana
QUINTANA, M. Espelho mágico. Porto Alegre: Ed. Globo. 2005

Um idealista é alguém que ajuda outro a ter lucro.

É um homem sensato aquele que não lamenta pelo que não tem, mas se alegra pelo que tem.

Uma viva inteligência de nada serve se não estiver ao serviço de um caráter justo; um relógio não é perfeito quando trabalha rápido, mas sim quando trabalha certo.

É menor pecado elogiar um mau livro sem o ler do que depois de o ter lido. Por isso, agradeço imediatamente depois de receber o volume. Não há vida literária plenamente virtuosa.

Carlos Drummond de Andrade
ANDRADE, C. D. Passeios na Ilha, 1952