Quem Nao da Audiencia Abre Concorrencia
A semana dita "santa"
Chamam de santa
uma semana
onde a memória sangra.
Dizem sagrado
o que foi feito de cordas,
de açoites,
de carne rasgada
e silêncio forçado.
Eu olho,
e não vejo santidade.
Vejo mãos humanas
erguendo a própria crueldade
como espetáculo.
Vejo a multidão
(os mesmos que hoje rezam)
gritando ontem
pela condenação.
Vejo o peso da madeira
não como símbolo,
mas como instrumento.
frio, concreto,
real.
E me pergunto,
em que instante
a dor foi coroada de divina?
Em que momento
a atrocidade
ganhou nome de redenção?
Chamam de santa,
talvez porque precisem
que seja.
Talvez porque encarar
o abismo humano
sem adorno,
sem promessa,
sem justificativa,
seja insuportável.
Mas eu não consigo.
Não chamo de santo
o que nasceu da violência,
nem beijo
o que foi instrumento
de tortura e de morte.
Se há algo sagrado ali,
não está no ato,
nem nas mãos que feriram.
Talvez esteja
no que sobreviveu...
apesar de tudo.
Ou talvez…
na recusa de olhar na cara
a atualidade
das mesmas atrocidades
(e até piores)
que a humanidade
é capaz.
©️ @MiriamDaCosta
A arte e a poesia, em geral, são criações destinadas a serem interpretadas dentro do universo da sensibilidade e da subjetividade de cada indivíduo.
E esse universo, por vezes, pode estar restrito às próprias limitações cognitivas e emocionais.
A arte e a poesia são expressões humanamente divinas que, antes de tudo, precisam ser sentidas no processo íntimo da interpretação individual.
Infelizmente, nem todos possuem essa prerrogativa.
Muitos preferem, antes mesmo de tentar compreendê-las, criticá-las e condená-las como aberrações,
quando, na verdade, é nelas que se veem refletidos.
Afinal… a humanidade, desde os tempos mais remotos, no cotidiano de sua própria realidade, o que é senão uma sucessão de contradições, excessos e deformidades?
A arte e a poesia sobrevivem justamente por isso,
porque testemunham.
Um exemplo histórico dessa incompreensão diante da criação artística é o quadro
#Guernica, de #PabloPicasso,
uma obra que, ao escancarar a dor e a brutalidade humanas, foi por muitos rejeitada,
não por falta de significado,
mas por excesso de verdade.
✍©️@MiriamDaCosta
Os direitistas, bolsonaristas e afins...
fizeram de tudo para condenar e prender ( baseados em convicções) o Lula.
Agora, fazem de tudo para blindar/proteger ( mesmo com evidências de provas)
os seus comparsas/aliados.
Fizeram tribunal de convicções
ergueram sentenças no ar rarefeito
onde provas eram dispensáveis
e certezas… bastavam.
Apontaram dedos em riste,
vestidos de moral emprestada,
gritaram justiça
como quem grita guerra.
E guerrearam.
Condenaram antes do tempo,
antes da prova,
antes da verdade,
porque a pressa
sempre foi inimiga da lucidez.
Agora…
diante dos seus,
das suas próprias sombras
projetadas no chão da história,
erguem escudos,
costuram silêncios,
inventam dúvidas
onde as evidências gritam.
A régua entorta,
a balança pende,
e a justiça,
essa palavra tão usada,
vira apenas instrumento
de conveniência.
Não era sobre justiça,
nunca foi.
Era sobre lado.
Era sobre poder.
Era sobre quem pode
e quem não pode
ser julgado.
E assim,
entre convicções e provas,
a verdade segue,
não absolvida,
não condenada,
apenas…
blindada
e adiada.
✍©️@MiriamDaCosta
Ventos outonais
O Outono vem embarcando
no ùtero da estação
dos meus versos,
e eu ...
lentamente,
vou caminhando
e sangrando poesia
entre os ventos
orvalhados de folhas,
galhos, espinhos,
pétalas e sementes...
e me deslumbro
cada vez mais
com toda a nudez poética
dos roseirais,
arbustos e àrvores
do meu ser ...
Sou filha do Outono
ovulando Primavera.
✍©️@MiriamDaCosta
O oásis silencioso
A praia completamente desnudada
da caótica presença humana
é um dos meus oásis.
Ali,
o vento não disputa espaço com vozes,
nem o mar precisa gritar
para ser ouvido.
A areia repousa em sua própria epiderme,
sem marcas de exibicionismo e vaidade,
sem rastros de pressa, gritaria e estresse.
E eu,
descalça de rumores do mundo,
finalmente me reconheço
na vastidão simples
de existir em simbiose com Ele,
o mar.
✍©️@MiriamDaCosta
Umbral Park
As pessoas temem o umbral
como se fosse um abismo distante,
um território sombrio reservado
aos que “caíram”.
Mas caminham, distraídas,
por corredores de um mundo
onde a luz é fachada
e a sombra é norma.
Vivem em um parque temático
de ilusões e crueldades sutis,
um Umbral Park
onde a dor é naturalizada,
a indiferença é entretenimento
e a consciência… opcional.
Aqui,
fantasmas vestem carne,
e muitos corpos
já não abrigam presença alguma.
Temem o pós-morte,
mas não percebem
a morte em vida
que respiram todos os dias.
E assim seguem,
comprando ingressos para o próprio esquecimento,
sorrindo nas filas do absurdo,
sem notar
que o verdadeiro umbral
não é para onde vão…
é onde já estão.
✍©️@MiriamDaCosta
Um talento, quando sufocado
pelo excesso
ou abandonado ao ócio,
definha em rotina.
Mas, quando dança
no equilíbrio entre ambos,
deixa de ser vício ou inércia
e se revela
plena virtude viva,
pulsante, consciente.
✍©️@MiriamDaCosta
A interpretação dá origem
a muitas filhas,
cada cabeça nutre e cuida
da sua própria.
Filhas
incontáveis
e indomáveis,
e cada mente as embala,
alimenta e educa
seus sentidos
à sua maneira.
E assim crescem,
diferentes entre si,
como se a verdade,
muitas vezes,
fosse apenas uma mãe
incapaz de reconhecer
todos os rostos
que dela nasceram.
✍©️@MiriamDaCosta
A diferença entre pensar e refletir
Todos, de uma forma ou outra,
têm a capacidade de pensar.
Mas poucos são capazes de refletir.
Pensar é um fluxo,
natural, rápido, incessante.
Quase sempre automático,
por vezes raso,
muitas vezes apenas ruído.
Refletir, não.
Refletir é pausa.
É escolha.
É mergulho.
É o ato consciente
de atravessar um pensamento
e olhá-lo por dentro,
por ângulos diversos,
até que ele revele
mais do que aparenta.
Pensar acontece.
Refletir exige.
Pensar passa.
Refletir permanece.
E é nesse intervalo,
entre o que surge
e o que se compreende,
que nasce
a possibilidade da sabedoria.
✍©️ @MiriamDaCosta
08 de abril - Dia do povo cigano 💃
Oração Cigana 💃
Salve a Lua, salve o Sol!
Salve a Noite, salve o Dia!
Salve a Força do Universo,
salve o Poder da Natureza!
Salve os quatro Elementos:
salve a Água e a Terra,
salve o Fogo e o Ar!
Salve a Fauna, salve a Flora!
Salve o meu Anjo Guardião,
e todas as Entidades de Luz
que me guiam,
que me guardam,
que me protegem!
Salve a Vida,
e todo o sagrado aprendizado
que nela pulsa e floresce.
💃 ✍️ @MiriamDaCosta
Paz de espírito?!
É um poder espiritual interior
que bem material algum
consegue negociar.
A paz de espírito
é um poder silencioso e íntimo,
um território sagrado,
onde nenhum bem material
tem moeda suficiente
para sequer tentar entrar.
✍@MiriamDaCosta
É terrível ver
tantos seguidores
da ignorância.
É triste ver
tanta cafonice
cultural.
É terrível
ver a ignorância
com tantos fiéis.
É triste
ver a cultura
reduzida ao raso.
✍@MiriamDaCosta
Assim como a aquarela
confia à água
o destino das cores,
eu confio ao tempo
o desdobrar do que sou.
Porque há uma sabedoria silenciosa
no que escorre,
no que amadurece sem pressa,
no que se transforma
sem anunciar o instante
exato da mudança.
E assim caminho,
não em disputa com os dias,
mas em suave
convivência com eles.
Trabalhando minha evolução
como quem pinta devagar
sobre o papel da existência,
deixando que o tempo,
com sua natureza fluida,
também participe da obra
que sou...
✍@MiriamDaCosta
A dona Vergonha
perdeu a vergonha na cara...
E, toda desavergonhada,
anda se exibindo pelo mundo
despudoradamente orgulhosa
e cheia de si.
Desfilando em palanques,
em telas, em discursos vazios,
vestida de cinismo fino
e perfumes de hipocrisia.
Já não cora,
já não baixa os olhos,
já não se esconde nas sombras
como outrora fazia.
Agora gargalha alto,
aplaudida por plateias cegas,
que confundem ausência de pudor
com coragem e ousadia.
E assim, sem rubor,
sem freio, sem medida,
a Vergonha, outrora virtude discreta,
virou espetáculo,
virou moeda corrente na vida.
E eu, do lado de cá,
ainda procuro, entre os escombros,
um resto dela…
nem que seja um vestígio,
um sopro,
um rubor tardio
na face da humanidade.
✍@MiriamDaCosta
Às vezes sinto
que vejo o mundo
como uma enorme lixeira
transbordando...
um aterro de consciências,
onde se empilham
mentiras em decomposição
e vaidades com cheiro de podre.
Um lugar onde
se descartam princípios
como embalagens vazias,
onde a ética
é jogada no fundo do saco
junto com restos de conveniência.
O ar
anda pesado de hipocrisia,
e os urubus da esperteza
sobrevoam satisfeitos
esse banquete de decadência.
E eu,
com o estômago da alma embrulhado,
reviro os escombros humanos
procurando,
entre latas amassadas de caráter
e plásticos rasgados de moral,
algum vestígio ainda vivo
de moralidade e de humanidade.
O mundo é um enorme lixão
que transborda sujeira e fedor
por todos os lados,
até no espaço extraterrestre!
✍@MiriamDaCosta
Ando cansada de todos os absurdos
que, de forma quase banal,
se apresentam como pontuais
enquanto se espalham
feito praga silenciosa
pelos dias do Brasil
e do mundo.
Cansada dessa coreografia grotesca
onde o incoerente se veste de lógica
e o injusto se disfarça de ordem.
Cansada de ver o espanto morrer
aos poucos, porque tudo já parece
esperado demais.
E o mais exaustivo não é o absurdo em si,
mas a naturalidade com que ele se instala,
se acomoda e passa a ser considerado normal.
✍@MiriamDaCosta
Ode às Sete Belas Artes
Óh! Sete faces do indizível,
sete caminhos
para tocar o invisível.
Sois vós,
Belas Artes,
que traduzis o mundo
quando a palavra falha
e o silêncio transborda.
A ti, Arquitetura,
erguida entre o sonho e o cálculo,
que moldas o espaço
e ofereces abrigo ao tempo,
és o corpo onde a vida acontece.
A ti, Escultura,
que arrancas da matéria bruta
a delicadeza do gesto eterno,
como se o mármore lembrasse
que já foi carne.
A ti, Pintura,
que aprisionas instantes
em cores que respiram,
e fazes da tela
um território onde o olhar se perde
para enfim se encontrar.
A ti, Música,
invisível e absoluta,
que atravessas o peito
sem pedir licença
e reorganizas o caos
em harmonia ou tempestade.
A ti, Literatura,
que fazes do verbo
carne, sangue e memória,
e transformas palavras
em mundos habitáveis.
A ti, Dança,
linguagem do corpo em liberdade,
onde cada movimento
é um grito sem voz
e um poema em movimento.
E a ti, Cinema,
síntese viva de todas as outras,
que costuras tempo, imagem e som
e nos convidas
a sonhar de olhos abertos.
Óh! Artes!
sem vós, o mundo seria raso,
um deserto de sentidos,
uma existência sem eco.
Mas convosco,
até a dor encontra forma,
até o caos encontra ritmo,
até o efêmero
ousa tocar o eterno.
Sois vós
que impedis o humano
de esquecer que sente,
que pensa,
que cria,
e, sobretudo,
que existe para além
da própria existência.
✍@MiriamDaCosta
📆 15 de abril - dia mundial da arte
Ode à Arte
Óh! Arte!
O que seria do mundo sem a Arte?
Seria um corpo erguido
sem alma para habitá-lo,
um grito contido
sem coragem de ecoar.
Seria o cinza
imposto como destino,
a existência reduzida
ao cálculo frio do sobreviver.
Mas tu,
insurgente e indomável,
rasgas o véu da obviedade
e devolves ao humano
o direito de sentir.
És o sopro que colore o caos,
a desordem que revela sentidos,
a ferida que sangra beleza
e a beleza que não teme a dor.
Na tua linguagem
cabem todos os silêncios,
todos os excessos,
todas as contradições de existir.
És abrigo e abismo,
espelho e vertigem,
carícia e ruptura.
E é por ti
que o homem não sucumbe
por inteiro
à brutalidade do mundo
porque onde
a realidade endurece,
tu floresces.
E onde tudo parece
perdido,
tu insistes…
em criar.
✍@MiriamDaCosta
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