Quem
Meus passos correm em busca de mim
Em busca de quem eu sou
Em busca de onde estou
Em busca do meu lugar no mundo
Do meu propósito
Da minha missão
Do meu ser
Do meu mais profundo
Reconheço minha ignorância
Mas não me conformarei enquanto não puder ajudá-la!
Ajudar a quem?
A mim ou a minha ignorância, talvez...
Ajudá-la a olhar outros olhos
Verdadeiros reflexos de quem sou
Ajudá-la a enxergar outras faces
Herdeiros do mal e do bem, do não e do sim...
Ajudá-la a desterrar as máscaras
A soberba
A preguiça
A vaidade
Ah, como a ignorância é vaidosa!
Ela se esconde em si mesma.
Ponte
Escorre tempo
Entre as mãos perenes
Insensatas
Rogadas
De quem nem lembra
De ti!
Escorre tempo
Sereno
Suave
Pequeno
Entre nuvens e dentes
Ranger de trovões
- Ai de mim!
Escorre tempo
Escorro eu
Em ti!
Tenho frio nesta madrugada
Não encontro quem me coloque o cobertor nos pés descalços
Os gritos não ardem
Se espargem na estrada
Da riqueza que abandonei
Quando quis crer na tua lembrança
(Amar é...)
Um abraço ou um braço a quem necessita
Uma palavra ou um ouvido amigo
Uma mão que levanta ou que divide a bagagem
Um olhar que compreende ou aponta um caminho
Um pão para o faminto ou uma canção aos seus ouvidos
...
Uma música, uma louça lavada, uma casa arrumada
uma esperança plantada, uma confiança conquistada
um alento merecido, um convite ao cinema
uma verdade dita, uma virtude desperta
um gesto singelo, um momento
um tempo… Presente!
Vou contigo pra Pasárgada
Meu caro Manuelito
Quem sabe lá eu encontre
Dos Anjos, os versos íntimos!
Pensando bem, eu irei
Para o mundo de Drummond
Tão vasto quanto ele mesmo
Mais vasto do que o som!
Jorge e sua Fulô
Bem me acompanhariam
As estrelas de Bilac
Mais forte lá brilhariam
De Campos e todo o LUXO
A vida seria perfeita
Como os versos de Vinícius
Na morte, vida refeita!
Citando Manuel Bandeira, Augusto dos Anjos, Carlos Drummond, Jorge de Lima, Olavo Bilac, Augusto de Campos e Vinícius de Moraes.
(rostos)
quem é o olho que cria
a criação de outrora?
a quem deve a primazia
da perfeição da aurora?
a noite parece dia
o dia reflete o escuro
o tempo não passa em nós
seu fruto é sempre maduro!
Pena que palavras não fossilizem!
Quem pronunciou a primeira delas?
Se ao menos elas existissem
Palavras, meros sons que reverberam...
dis-forme
falsa simetria
doses de agonia
ao olhar perplexo
da cidadania.
quem vive de versos
rotos de existir…
passa pelas ruas
esgotos do devir.
fala-se em direitos
falácias sem um jeito
próprio de servir.
os versos tão disformes
da minha boca escorrem
não têm pra onde ir…
quem enxerga o que vejo?
quem vê o que vivo?
quem percebe o desconcerto
e a sanha do malabarismo?
sou poeta e nada sou
nas mãos de uma gente cruel
desde o ventre me matou
a chance de ter um céu [e ver o céu!]
trapos
vestem meu corpo
tripas
mordem minha mente
tropas
prendem meus sonhos
sorvendo os seres doentes
visíveis apenas aos olhos
daqueles que ainda sentem
sem o torpor do egoísmo
sem a ponte do abismo
pelo olhar das nossas gentes…
Sou mulher e minha casa quem pinta
sou eu!
Sou mulher e minha canção quem entoa
sou eu!
Sou mulher e minha estrada quem percorre
sou eu!
Sou mulher e minha sorte quem decide
sou eu!
Sou mulher e minha pele quem veste
sou eu!
Sou mulher e minha dança quem faz
sou eu!
Sou mulher e minha letra quem escreve
sou eu!
Sou mulher e minha vida quem comanda
sou eu!
tem quem se afaste de você
por não suportar suas sombras
tem quem se afaste de você
por não suportar sua luz
os que permanecem ao seu lado
apesar das suas contradições
e complexidades
podem ser chamados de
verdadeiras amizades...
estou bufando Poesia
cagando Poesia
arrotando Poesia
quem diria!
num tô me aguentando
tô arrebentando de Poesia
esta magia!
me agonia
me aperreia
me fantasia
de melodia
estou vomitando Poesia
tá vendo?
até nisso ela me atormenta
quem aguenta?
estou muito insana
de Poesia
a barriga continua vazia
mas o coração se alimenta.
É chato ter consciência de que sua escrita não é boa o suficiente. Não é boa o suficiente para quem? Para os parâmetros que eu mesma me impus. E vejo que não escrevo nada com nada e o sentimento apenas não reside nas palavras ou em suas junções como eu gostaria… fim. Sem finalidade. Sem vontade de se expressar ao mundo como vivem em mim.
Não há quem inicie sua história familiar, e não encontre em seus antepassados verdadeiros Boncompagni.
Já fui vendido por quem dizia me amar, e fui negociado por alguém que amei, porém eu, não negocio ninguém nem tão pouco serei mercador daqueles que amo!
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