Que Saudades eu tenho da Aurora da minha Vida

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Se a vida acabasse hoje
Eu juro que a deixaria
Um pouco triste
Pelas coisas
que não fiz ainda
Mas algo
Sempre há de ficar inacabado
E sem resumo
Se esta noite eu partisse
Diria que não fiz
Aquilo que eu tanto queria
Mas sereno
Por lembrar-me que disse
Se hoje
O Dedo de Deus
Apontasse pra mim
E dissesse
Que a hora do fim era agora
Eu iria embora um pouco triste
Porém, sem remorsos
Nenhum arrependimento
Sequer pelos muitos erros
Que eu cometi
Enquanto pensava acertar
E triste eu iria
Nos braços de uma isquemia
Uma hemorragia cerebral
Tanto faz, não faz mal
Na hora da partida
Qualquer despedida é igual
Creio ter feito
Menos o mal que o bem
Não deixaria ninguém
Que tenha sido
importante pra mim
Sem antes ter dito muitas vezes
Sobre a importância que tiveram
Nesta e em todas as outras vidas
Se minha vida acabasse hoje
Creio ter sido esta
A minha poética despedida.

Edson Ricardo Paiva

Inserida por edsonricardopaiva

Rio da Vida
Rio dos outros
Rio das Ostras
Rio de Janeiro a Janeiro
O importante é que Eu Rio

Inserida por TerezadeJesus65

Hoje
Eu gosto de saber
O quanto é curta a vida
Longe
Encosto meus ouvidos
Na parte estreita
Escondida nas dobras do tempo
Pois o tempo sim, se curva
Estronda uma trova
Um dobrado
Apito de trem
Um grito que me vem
do outro lado
Prova
Que apesar de ser
Curta a vida
A vasta estrada continua
Basta saber
O túnel
Que deve ser atravessado
depois da próxima curva
Onde existe um rio de águas turvas
Ou uma linda alameda
Que culmina
Em límpida queda d'água
e envereda
Noutra estrada
Esta, bem colorida
Onde se vive
Pro resto d'outra vida.

Edson Ricardo Paiva.

Inserida por edsonricardopaiva

Eu me perdi
Faz tempo que eu ando
Perdido na vida
Não me sinto culpado
Este mundo é um grande labirinto
Portanto, estamos perdidos
Sem saber que o melhor que fizemos
Foi o fato de não termos lido
O aviso que havia na entrada
Dizendo que poucos de nós
Vão querer encontrar a saída
Mas um dia, a saída nos encontra, isso é fato
Contra o qual, ninguém pode fazer nada
Mas há sempre a opção
De deixar uma boa risada
Apagando o ruido da dúvida
Que essa vida tem fim
Mas que nada foi perdido à toa.

Edson Ricardo Paiva.

Inserida por edsonricardopaiva

Não tive medo da vida
Pois quando aprendi
O sentido da palavra medo
Eu estava muito ocupado
Vencendo todas as dificuldades
Que, por si só
Teriam destruído a vida de muitos
Não tive tempo de sentir medo
Pois o tempo não parou pra isso
Nem busquei uma causa, razão
e nem motivo e nem sentido
A vida passou tão depressa
Que só nesta fase da vida
É que me ocorre o pensamento
Do quanto teria sido inútil
Ter tido o medo que quase senti
Pois a vida não parou pra ser perfeita
Por isso foi sendo refeita todo dia
Qual fosse um castelo de areia
Quando a gente tenta e tenta
E não tem por onde
Pois quando não venta forte
Vem sempre uma onda
De modo que no fim da tarde
A gente percebe
Que nem tudo está perdido
Há uma palavra escondida no vento
O tempo, sem pressa ensina
Que a beleza das coisas
São como promessas, escritas na areia
Mas quando a gente tanto insiste
Em tentar fazê-las
Aprende a fazer desenhos
Nas estrelas que o Céu ponteiam
Por isso não tenho medo
e também não me sinto triste
Existem mais delas no firmamento
do que todas as areias sem firmeza
Que o vento, sem dó
Carrega por entre os dedos
Talvez, por não ter sentido medo
É que descobri
O sentido da palavra vida.

Edson Ricardo Paiva.

Inserida por edsonricardopaiva

Eu peço à vida
Que todas as minhas certezas
Venham sempre abençoadas
Pela dúvida que as obscurece
Mesmo que em nada mudem
Pra que eu não me iluda também
E que possa prosseguir
Vivendo de morrer
Como tantas vezes fiz
Com a fleuma da alma ativa
Que viu secarem mil jardins
E que era amigo de uma flor em cada um
Pra que a vida me guarde
E que eu não me sinta jamais
De posse de verdade alguma
Pois é isso que torna os tolos
Incapazes de rir à toa
Naquela hora boa
Em que a gente tropeça
E que eu nunca me esqueça
Que flores se vão
E as quedas vem
Quanto à sabedoria
Por enquanto eu não a tenha
Pra que assim
Eu possa me perder completamente
Pois gosto de ficar
Pra bem distante do que eu vejo
Quando me vejo
Diante da insanidade tamanha
Encontrada no falso equilíbrio
Travestido de força ... e certeza
A beleza da vida
É sabê-las inexistentes
Mas a graça maior da vida
É vê-las mundo afora
Nas caras dos que as tem nos bolsos
e as trazem nas falas.
É por isso que eu peço à vida
Pra que me afaste desse subterfúgio
E me traga a certeza
De todas as minhas dúvidas
e minhas fraquezas
Quando a mentira jurada
Se torna verdade com o passar dos anos
À vida eu não peço mais nada
Peço aos olhos luz
Como num prisma
Pra que enxerguem a alegria
Mesmo que pouca
E que ao final do dia
Decantada ela seja
Mesmo que não mudem nada
E sejam rudes
Rudes, qual poesia que ora faço
Contrastando esse mundo suave
Ao qual não pertenço
E que cada olho a veja de uma forma
Apartando aquilo que são normas
daquilo que eu chamo bom senso.

Edson Ricardo Paiva.

Inserida por edsonricardopaiva

Dizer que aprendi a viver...
Eu não posso
Mas eu posso dizer
Que habituei-me à vida
Adaptei-me ao mundo
Percebi a existência do inverso
A força da leveza
Na ausência da vaidade há beleza
Escuridão na luz
Quando o mundo
Busca a luz na escuridão
O bem no mal
Qual se isso fosse igual
A alcançar sua velocidade
Abraçar a verdade do universo
Sem nenhum apego
Dizer que se sabe viver
Não cabe a ninguém
A vida não é uma luta
Muito menos um jogo
Aprendi somente a não tratá-la assim
Pois o vento traz canções
Mas a voz do silêncio é a que fala no fim
Feliz de todo aquele
Que se cala para ouvi-la
Porque tudo é um mero sonho
Pendurá-lo numa nuvem não basta
É preciso depois
Dela afastar-se
Simulando a cautela tranquila
No momento mais exato
Que pro jogo e pra luta
Enveredem
Eu jamais aprendi a viver
Sei somente
Quando não fazer igual
Porque sei
No final
Todos perdem.

Edson Ricardo Paiva.

Inserida por edsonricardopaiva

Creio eu
Que talvez, o segredo
A bem viver a vida
É guardar sempre pra si
Um pouco de coragem
Misturada ao medo
Saber viver as alegrias
Mas só um pouco dela a cada dia
Penso
Num momento de silêncio
Em meio ao caos
Nem todo mal
Nem todo bem com muito afã
Pra que a vida seja bela
Deixe um pouco da tristeza
Para vivê-la também amanhã
Feche a janela para o Sol
Deixe entrar a escuridão do dia
E você sorrirá
Pra luz do Sol de amanhã
Não se come todo o almoço
Numa única garfada
É preciso tempo pra esfriar
Consolidar, brotar, crescer
Secar e até morrer
Não sinta pressa em livrar-se de nada
Cedo ou tarde as coisas se vão
O tempo é que rege essa vida
E é sempre bom ter lágrimas nos olhos
Pra que se contenha as risadas
Mesmo que elas venham
Vão passar
Pois tudo passa
Tudo e nada
Solidão também faz companhia
Penso eu, que a graça da vida
É saber dividi-la
Não se vive tudo de uma vez
De um fôlego só
Uma só voz
É preciso guardar sempre um pouco
de lágrimas e de sorrisos
E, quem sabe, a presença
de alguém que seja louco o suficiente
Para estar
Sempre presente em nossas vidas
E queira estar com nós.

Edson Ricardo Paiva

Inserida por edsonricardopaiva

"Tem horas que a vida
Não é que ela parece
Que perdeu todo sentido
Tem horas que eu olho pro mundo
E a impressão que eu tenho
É dela nunca ter tido''

Edson Ricardo Paiva

Inserida por edsonricardopaiva

O que quero pra mim amanhã
Não importa, pois eu quero agora
Já passei por coisas demais nesta vida
Pra viver de planos e ilusão
Pois se ontem alguém perguntasse
Onde é que eu estaria hoje
Não sei o que teria respondido
Pois eu ontem não era eu
A vida me ensinou
Que não somos donos dos nossos destinos
Aprendi a querer a vida pra hoje
E se a vida responder de outra forma
É a norma da vida
Eu vou seguir fazendo sempre o meu melhor
Viver à minha maneira
Indiferente a opiniões e perguntas
Devia ter feito isso a vida inteira
Amanhã pode ser outro dia
Amanhã pode não ser dia nenhum
Não sei nada sobre a poesia que não escrevi
Então só posso responder sobre o que fiz até agora
Não me envergonho de nada
E se houve erros
Esses não me pertencem
Eles apenas estavam lá
Surgiram de escolhas alheias
Eu os contornei da melhor maneira que pude
E essa vai continuar
Sendo a minha atitude hoje
Perante a vida
Quando a vida te convida a chorar
Aceite o convite e chore
Pode ser que melhore
E depois que melhorar
Ria
Talvez amanhã seja outro dia
Talvez não
De vez em quando as coisas não são assim, tão boas
Mas foram assim...tão frequentes
Que percebi o quanto era desgastante chorar à toa
Ainda há tempo, acorda!
E escreve teu dia-a-dia
Sem nunca esperar glória ou alegria
Se ontem alguém me perguntasse sobre a vida alheia
Eu, com certeza, não saberia uma linha
A vida ensinou-me a viver
E ao menos hoje
Eu já sei muito sobre a minha.

Edson Ricardo Paiva.

Inserida por edsonricardopaiva

Hoje
Eu escrevo pra falar em brumas
Algumas ocultam, sem muito enlevo, a arte da vida
E as trazem de volta
A dizer de coisas que nos fogem
Que se vão na distração dos tempos...tempos correm
Até que um dia os ponteiros parem
e ponham um espelho à nossa frente
Pra que, enfim, a gente se encare
E sem que haja mais tempo, nem mesmo para uma prece
Comece a fazer um inventário
Acerca da própria existência
Nas quatro folhas do trevo da rude vida
Uma delas foi a coragem, talvez a sua falta
Outra o caminho, a miragem que ilude
Mais uma outra, o carinho ausente
A exibir os seus dentes, seus cortes
A folha derradeira, foram as escolhas
O tempo revela que a vida não atende a pedidos
Nenhuma delas foi sorte.

Edson Ricardo Paiva.

Inserida por edsonricardopaiva

⁠Eu tanto pensava em colher em vida
Um espaço entre quatro linhas
Linhas tortas, quiça tivesse
Uma horta de flores que Deus me desse
Regadas da dor doída, ao longo de uma jornada
Eu tanto quis, de querer
Um querer que me foi verdadeiro e existe ainda
Um simples canteiro de céu
Daqueles que nos ensinaram que existia
Desses, que eu tanto ensino a quem puder
Que eles existem
Um pedaço qualquer entre algumas linhas
Daqueles, com nome da gente escrito
Que ao longo do tempo é que se descobre
O quanto era pobre esse nosso pensar
Sobre dor doída ou de sofrimento
Não era, essas coisas não eram minhas
Era apenas sobre toda raiva
Que não fosse devolvida
Era sobre deixar aqui, quando voltar
A todo pedido de desculpas
Que devia ter pedido e que não foi pedida
Era sobre aprender a enxergar
Uma grande conquista
Um tanto assim de céu que já temos
Todo dia sobre as nossas cabeças vazias
Repletas de atmosferas
Era sobre saber ver apenas
Pequenas coisas que estão bem diante das nossas vistas
Pouco importa as flores que cresçam lá
Que nem cresçam, que nasçam mortas
Gira sobre a complexidade das coisas simples
Que tanto nos esforçamos em torná-las complicadas
E, no final, o mais nos interessa
Não passa de um monte de nada, de todo sinceras
É a surpresa de perceber
Que agora, quase nada mais nos surpreende
São as dores que não mais queremos
É o amor que nos ensina a não querer deixar elas aqui
Pra que outros também as sintam
E essa forma sucinta e profunda de viver a vida
É que haverá de regar ou não
Os jardins da outra vida
Porque tudo sempre recomeça
No lugar exato onde termina
Esquecer a pressa de sentir-se
Triste ou feliz
Essas coisas vem
E são sempre mais pesadas para quem não quis
Quando tudo volta e se mistura
E nada mais se encontra
É ali que se acha o segredo
As flores, canteiros, os medos da vida
Uma orquestra de letras e notas misturadas
Volta tudo pro universo enorme
Com o nome da gente escrito
Onde tudo é mais pleno e bonito
Quanto mais pequeno
E sereno é o pranto
Se eu pensar menos em mim
A vida é mais simples assim.



Edson Ricardo Paiva.

Inserida por edsonricardopaiva

⁠Vida, meu chão
Assoalho meu, brilhante
Preciso de ilusão por onde eu piso
Energia renovada
Excetuada essa alegria
Escondida atrás das cortinas do tempo
Termina que resulta em nada
É só pura realidade
É preciso ter coragem
Pra atirar tantos duendes à lareira
E enxergar que atravessou a vida inteira
Pisando sobre um chão feito de estrelas
Iguais àquelas lá do céu
Eram tudo, a vida inteira, folhas
E tempos e ventos e telhados
Velhas telhas
Nada que nos faça diferentes, nem melhores
Que as folhas e as abelhas
O chão de estrelas
Tinha o mesmo formato das calhas
Por onde escoa a chuva, que carrega as folhas
Parecia ser bonito
Parecia haver escolhas
Parecia até ser boa
Mas estava desde sempre tudo escrito
Era tudo uma ilusão sem chão que se cumpria à toa e bem
Iludir-nos
Era a parte que nos cabia.


Edson Ricardo Paiva.

Inserida por edsonricardopaiva

⁠Outro dia eu sonhei
Sonhei que não sonhava
E que a vida era verdade
E que eu podia dar bom dia
A tudo que a vida esconde
Mas que ali não se escondia
E dei bom dia à escuridão
A toda escuridão
Que, não à toa, se oculta
A toda ilusão que morria
Era o lado bom da vida boa
Na paz da desilusão
Dei bom dia, não ao tempo passado
Nem ao dia que caminha ao nosso lado
Minha voz dava bom dia ao tempo
Outro tempo
Aquele que voa e se despede
Se despe de nós todo dia
Numa voz calada nos diz
Que ele não se prende a nada
Só flutua
Sonhei com a verdade nua
Que desejava um bom dia
E toda promessa esquecida
E toda palavra que não foi cumprida
Que sempre foi só palavra
Mais nada
Sonhei que a verdade mentia
Dei bom dia à toda solidão advinda
Dei bom dia ao ódio escondido
Dei bom dia ao lado sórdido da vida
E todo silêncio aguardando
Pra deixar de ser silêncio
Penso que só sonhei
Amanheceu
E ainda está tudo do mesmo jeito
Sonhei que hoje era o dia.

Edson Ricardo Paiva.

Inserida por edsonricardopaiva

⁠O Tempo está Correndo.

Daqui onde estou
Eu vou olhando a vida
Rindo pra mim de mim também
Não cabe a ninguém me compreender
Muita coisa, atrás do muro, sob o céu
Só sabemos sobre ele
Depois de muito imaginá-lo
Por detrás de escuro véu
Um dia, a vida te convida a compreender
Que a sorte te vem nas escolhas
Caminhos, verdes folhas
A graça da vida, escondida
Não em tudo que ela traz
A alma é algo limitado
E pode transbordar
Daqui onde estou
Eu vou olhando a vida
Sorrindo pra mim apenas
Porque vejo nas coisas pequenas
Veleidades, orgulho, a vaidade
O tempo que evapora
A graça que a vida nos tira
Quando a hora era de rir
Deixar que caíssem as folhas
Manterem-se as poses
Lustrarem-se as máscaras
Renovarem-se as mentiras
A vida era só brincadeira
Mas não era
Não existe sorte nas escolhas
Só escolhas
A alma é algo que transborda um dia
Pode ser que, de tristeza ou de alegria
Não existe talvez
Uma vez escolhida.
Aqui, de onde estou
Vou sorrindo pra vida
Amanhã pode chover
Há de ser um lindo dia!

Edson Ricardo Paiva.

Inserida por edsonricardopaiva

Às vezes tudo que eu queria
era apenas não ser eu
e nem ter esta vida que Deus me deu
e nem ser do jeito que fui feito
ser qualquer outra pessoa
e portanto, ser perfeito e gente boa
pois todos defeitos do mundo
existem apenas em mim
mas se eu não fosse eu
seria eu, de qualquer jeito
este ser humano ridículo e imperfeito
por melhor que fosse feito
então, talvez as coisas sejam assim
e tudo que posso dizer ao mundo
e que, se algo der errado
podem pôr a culpa em mim.

Inserida por edsonricardopaiva

Eu me sinto meio que esquecido
a cada dia que se passa
mas não me sinto ressentido
na vida tudo tem um preço
talvez seja isso mesmo que eu mereça
enquanto caminho sozinho
com memórias cheias de ferrugem
eu me enxergo assim
incapaz de desenhar a vida
com as cores que agora exigem
sinto minhas mãos calejadas
os olhos cheios de fuligem
porém, caminho ainda
debaixo de um Sol escaldante
mas deixei de ser preponderante
já faz alguns invernos
momentos são sempre momentos
somente pensamentos são eternos
um dia a vida bate
e no outro a gente apanha
os dias de vitória vejo
cobertos por teias de aranha
a cada dia que passa
e descubro que na vida nunca tive
qualquer proeminência
e que junto com os sonhos
também há de naufragar
os dias que vivia na inocência
tem dias em que eu me sento
sob as sombras dos muros do inferno
mas Deus vem e diz que aquilo
que hoje é velho
amanhã será moderno

Inserida por edsonricardopaiva

Nesta vida
Da qual
eu nunca quis
nada
Hoje peço
me ensina, meu Deus
me diz
O que é preciso fazer
Pra poder conquistar
O coração de uma fada?
Uma fada que não peça amor
Por saber que já o tem
Uma fada sem rancor
e nem ciúme
Segura por saber
Que não sinto
em mais ninguém
O seu perfume
O aroma
Que emana da alma
E faz meus olhos
Só a ela ver
E quando olho
vejo coisas que
outros não vêem
Aquela luz
Que ultrapassa
os limites
do sorriso
irradiando
Além
dos seus limites
Se é que uma Fada
Pode ter limites
Eu acho
Que não tem.

Inserida por edsonricardopaiva

Eu queria só saber
o que é que havia
Há muitos e muitos anos
Antes de a vida
Estar nos planos
do Divino
Que criou os Oceanos
Será que Ele dava importância
Pros sentimentos
Inclusos em nós
Que com o tempo
Se tornaram arrogância?
Será
Que o conhecimento
da verdade
Nos faria então
dar mais valor àquilo
que a nossa ignorância
chama de humildade?
Haveremos de encontrar
um dia
Nas cinzas mortas
Levadas pelo vento
profanadas
da Biblioteca de Alexandria
das raizes mortas
de árvores milenares
sob a lama que existe
no fundo dos Mares
na poeira cósmica
na energia telúrica
nos conselhos da minha mãe
no tempo e na madeira
que nos traz o champanhe
na areia que traz os cristais
Tomaremos então
A bebida no cristal
comemoraremos o fracasso do mal
e não seremos infelizes
Nunca mais.

Inserida por edsonricardopaiva

Uma vez
Quando eu era criança
Uma das mães
Que a vida deu
Me contou
Que a vida cansa
E
Que não seria mansa a minha
Mas
Que era a missão
Que alguém escolheu
A ausência de mansidão
Que o tempo trouxe
Não deu-me tempo
de parar para pensar
Em muita arte
Que fiz ou
Queria ter feito
Mas nunca permitiu
Que se afastasse
A lembrança do Rosário
Que desfiou
Aquela Mãe
de nome doce
Que nunca afastou-se
de verdade
E eu a vejo às vezes, ainda
Quando abro os olhos pela manhã
Isso permite
Que eu suporte a saudade
De minha velha Mãe Maria
E aquela expressão, tão linda!
De me olhar
Como quem olha a um filho
Que nunca haveria de pisar
Um tapete vermelho
Eu queria apenas vislumbrar
As lágrimas
Que ela previu naqueles dias
Sentado em seu colo quente
Não calculei mágoas tão frias
Hoje sei
Que caminhei por boa parte
Sei também
Que não foram mais sombrias
Devido àquela doce companhia
Que me fez e faz ainda
Minha doce e amada Avó Maria
Que cedo assim
partiu para o Mundo
Porém,
nunca apartou-se de mim.

Inserida por edsonricardopaiva