Que Saudades eu tenho da Aurora da minha Vida
Previ os efeitos posteriores à minha fala - ao dizer o que eu penso consegui adeptos e opostos. Não há um agrado pleno.
Eu não autorizo o Mark Zuckerberg entrar na minha casa, abrir minha cabeça e comer meu cérebro com uma colher.
Toda vez que eu faço polenta me lembro da minha avó materna.
Ela pegava a panela onde havia sido feita e despejava um pouco de leite e depois que o angú desgrudava da panela, ela comia.
Minha avó lavava todas as roupas. Lavava toda a louça. Era forte e trabalhadeira.
Era vaidosa e nunca ficava sem esmalte ou tintura nos cabelos.
Sempre fazia um vestido novo que tinha bolsos na parte da frente.
O que a minha avó mais costumava falar era algum ditado antigo ou coisa que ela mesma inventava: " Quem chega por derradeiro bebe água suja." "Igual esse daí o diabo caga aos montes" e por aí afora.
Minha avó ensinou muitas lições preciosas. Mas esta é a melhor de todas:
A simplicidade é um item de luxo.
Um dia eu sonhei ter uma bike, pedalar. Sonhei ter minha própria nave, viajar. Ter uma bóia, velejar. Um dia sonhei voar. Voar, como é bom sonhar. 🪂
Eu não sei como tudo aconteceu, tampouco quando começou a acontecer. Sei apenas que minha razão, em alguns segundos, sobrepôs-se ao meu coração, e, exatamente nesse pulsar do tempo, eu decidi aceitar o que gritava aos meus olhos. Então, despi-me de você. Não somente da roupa, mas do cheiro, do toque, da voz, da ausência, da presença, enfim, fiquei nua de você. E agora é assim que vou à rua. É assim que fico sozinha, quando estou sozinha. É assim que vou à vida. Vida que um dia eu sonhei contigo, mas por motivos irrelevantes (não para mim), quase me levaram à morte. Por isso decidi viver, ainda que para isso eu saiba que pedaços desse amor continuam jogados pelas mesmas Champs-Élysées e sarjetas que costumávamos passar. Porque era assim, não era? Com você, eu ia do luxo ao lixo, da alegria à tristeza, do prazer à dor, da dor à cura, da cura à loucura, da loucura à sensatez, do céu ao inferno, mas eu ia. Simplesmente ia. Ia a qualquer lugar do mundo porque você estaria lá. Agora não quero mais ir. Agora eu quero ficar. Ficar bem aqui, quietinha, enquanto lá se vão nossos planos, enquanto lá se vai a minha antiga pele, aquela que você tocou. Pouco a pouco também lá se vai a sua imagem se esvaindo da minha mente, juntando-se a esse amor espalhado por aí, quebrado, maltratado e perdido em vias que não se cruzam mais. Amor que eu não quero mais sentir, embora não tenha desistido de amar alguém que não me obrigue a atirar pela janela lembranças de amor na solitária tentativa de me fazer inteira mais uma vez.
A minha meiguice é diretamente proporcional ao que EU penso que você merece de mim, no momento. Se eu vou ou não continuar meiga depende do que VOCÊ me faz acreditar que merece!"
E é bem assim a minha relação com Deus: se eu me recuso a tirar do coração, Ele arranca! Se eu me recuso a tirar da cabeça, Ele também arranca! E é à força mesmo, com cirurgias!! Mas que sai, sai!
Acho que eu estava com mais ou menos três anos de idade. Certo dia, aproximei-me da minha mãe aos prantos.
- O que foi? – perguntou-me ela, preocupada.
- Pi-mi-ga, mamãe! – respondi, mostrando o vermelho que a cabeçuda tinha me deixado na perna.
- A mamãe vai bater na formiga! Ora, formiga boba! Machucando meu bebê!
- Não pi-ci-sa! Eu já arranquei as zoleia dela! – surpreendi minha mãe, trazendo nas mãos a cabeça da formiga, que eu confundira com suas orelhas!
Eu só falei porque meu coração já começava a disputar espaço com as palavras em minha garganta.
Sairia um ou o outro.
Eu optei pela saída das palavras!
Não é que eu não saiba perdoar.
Mas a minha quantidade de perdões é diretamente proporcional à minha distância da sua vida.
Então, se quiseres que eu me afaste de você, dê - me motivos para que eu te perdoe.
E quando me perderes de vista, tente SE perdoar.
Se puderes.
Quer mesmo saber qual é o parâmetro?
Não soltar minha mão quando eu realmente precisar que você a segure mais forte. Se isso não acontecer, eu posso até tentar unir minhas mãos às suas novamente, mas os meus pés continuarão sempre atrás.
E eu não consigo caminhar assim...
Então, GPS, você pode até calcular minha melhor rota, e recalculá-la quando eu teimar em te desobedecer.
Mas quem decide onde ir, onde chegar, sou eu!
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