Que Saudades eu tenho da Aurora da minha Vida
Devemos exercitar a nossa autovalorizacão, obviamente não de modo orgulhoso e soberbo. Mas sim de uma autoconfiança claramente não prepotente.
Devemos entender que ninguém será como nós queremos que seja. E se a pessoa é do jeito que queremos para amá-la isso não é amor, pois olhando do ponto de vista do amor de Cristo que representa o amor do Eterno, Ele nos amou do jeito que éramos. Na verdade é isso que muda a outra, primeiro o amor depois o novo nascimento, sem amor não à mudança, e a mudança só acontece amando.
Devemos entender que somos imperdoáveis mais perdoados, odiosos e errantes mais encontrados e emboscados pelo amor do Pai no Filho.
Ela é aquela menina que enche os olhos de quem a olha,pois é linda.
Não é só uma beleza física, pois quem a conhece sabe que por dentro é muito mais bonita.
Ela corre atrás do que quer.
Tem jeito de menina, mas atitudes de mulher.
É louca, inteligente, grosseira e delicada.Quando está entre amigos, mostra que também tem um lado retardado.
Ela é aquela menina que alegra minha vida.
Me faz sorrir, mesmo longe está sempre comigo. Me ama de um jeito tão bonito.
Ela é você amiga querida!
Só tenho a agradecer a Deus por ter colocado você na minha vida.
Hipocrisia é ser um anjo para os de fora e ao mesmo tempo um demônio para os de sua casa, não que você tenha que ser um demônio para os de fora, mas sim um anjo em ambas as partes.
Há de transcender a culpa, há de transcender a reposabilidade.
Há de sempre jogar no outro, para Deus, para o futuro, para o que for, os nossos erros, as escolhas, as nossas ideias.
Vivemos criando o ideal e negligenciando o aqui e o agora. O ideal do que deve ser, do que devemos ser, e negamos o que somos.
Somos o que somos, e nos mudamos a cada segundo, a cada suspiro há de surgir um novo ser.
Pois no agora já não há o mesmo do que já foi um dia.
O mundo tem sido duro com o homem pois o homem tem sido duro com o mundo. Assim o mesmo efeito se aplica a vida. Mas tudo isso também deriva do fato de que o próprio homem é duro consigo mesmo.
Vive num conflito externo e interno, mas neste ultimo tipo de conflito há de surgir tudo aquilo que torna duro o que o homem vivencia e transforma através de suas ações e pensamentos perante o mundo e a si mesmo.
A tragédia não transcende o ser, mas esta contido em si próprio, este cria sua própria realidade e sua própria desgraça. O fim do homem é a própria forma deste agir, pensar e viver.
O fim em si mesmo.
A mudança me enche de receio, de medo, de dúvidas e insegurança. Mas também me enche de sentimentos que me fazem evoluir, me fazem crescer, me desafiam, me fazem querer, me fazem aprender.
Nossas histórias estão repletas de vilões nomeados como heróis. Nos tornamos vilões também em dizer que eles foram heróis.
Nossas histórias estão repletas de homens que conquistou terras, guerras, riquezas, mas pouquíssimos que dominaram a arte de sí conquistar. Na anseia de conquistar o mundo, não dominaram eles mesmos.
Sobre nossas histórias. Investigamos nosso passado para corrigir o nosso futuro, na verdade isso é um presente do passado para nós, nossas histórias passadas podem se repetir.
O desejo
Nos últimos dias me bateu um desejo de voltar a escrever as minhas crônicas. Transformar alguns “rabiscos digitados” no computador em escritos que abordam um pouco sobre o meu pensar e agir diante do que capto da realidade.
Com o passar do tempo me veio uma série de temas, como por exemplo: amor, perdão, paciência, angústia, liberdade, solidariedade, fé, sabedoria, filosofia. Porém, decidi simplesmente escrever, não com o sangue como direcionaria o filósofo alemão Nietzsche, mas com sensibilidade.
Então, como começar se não tenho um assunto específico?
Vamos lá! (...)
Pensando! Pensando!
No instante que penso, veio em minha mente o Rubem Alves, que tentava descobrir em uma de suas obras o pensamento que ele pensava quando se estava pensando. Parece loucura, não é?
Mas o que virá ser a loucura? Se não essa vontade infinita de ser o que a nossa mente nos possibilita sermos com os nossos sonhos, fantasias, desejos...
O que virá ser o pensamento? Se não vontade infinita de voar sem sair do lugar como cantarolava a banda Cidade Negra!?
Aí estou eu! Escrevendo sobre o pensamento, a vontade, a loucura e o desejo.
Mas... Voltando a Nietzsche, o que significa escrever com o seu próprio sangue? Talvez, pensar com a sua própria alma? Expor com sensibilidade, o seu amor por algo ou alguém?
Deixo algumas perguntas para servir de alicerce para novas possibilidades ou novas viagens... Encare essas indagações como uma espécie de caminhada infinita que só termina quando quiseres parar de fluir as suas próprias potencialidades.
Logo, o infinito aqui, quem vai determinar o que é, e será, é você, leitor.
Admiração
Hoje passei o dia pensando em um tema novo. Aí me veio a palavra admiração, mas, afinal, o que significa essa ideia? Quando admiro sinto o quê? Percebo o quê? Quais modificações são produzidas no meu corpo?
Será que muda alguma coisa em minha alma?
Para os antigos, a filosofia brota da admiração, do espanto, da nova descoberta e do perceber o que antes a mente ou intelecto não havia reconhecido.
O que dizer, então, da comunidade que acolhe o afogado na bela história de Gabriel García Márquez, que Rubem Alves cita com maestria no livro: Lições de Feitiçaria: meditações sobre a poesia.
Uma obra fascinante que li há alguns anos, mas que me provocou um espanto imediato quando encontrei no curso de Teologia uma obra que ensina feitiçaria.
Que loucura a minha!
Eram apenas meditações sobre a poesia!
Depois de fazer a aquisição de tal obra, me senti como aquela menina que absurdamente queria o livro para ler, como se estivesse dentro de uma redoma contemplando uma “felicidade clandestina”.
Deixei entre aspas porque já ouvimos esse termo antes...
Mas continuando a nossa história... Quem era esse afogado?
Talvez, um homem sem identidade e sem passado.
Seu corpo não revelava quem ele realmente era.
Foi preciso preparar para o rito de despedida, precisaram limpar o seu corpo, purificá-lo...
Cavar a sua sepultura.
Mas antes de tudo acontecer, foi preciso pensar.
Como esse homem vivia?
Quem o matou?
Por que as suas mãos estão macias?
Será que ele deixou filhos? Esposa?
As mulheres da aldeia faziam o rito de purificação do corpo, mas naquele momento acontecia outro ritual...
A mudança de mentalidade das mulheres... Que deixaram a mesmice de lado, a estagnação de seu viver para pensar a sua própria existência.
O afogado gerou uma onda de reflexão pela aldeia.
Foi semeada a dúvida.
A inquietação.
A sensibilidade de homens e mulheres se aflorou como uma rosa que desabrocha mostrando sua beleza e seu aroma matinal.
E foi feito o enterro...
Foi cumprido o silêncio por aquele corpo que ninguém conhecia, mas que estava ali boiando em alto mar.
Depois de ter cumprido todo processo de ritualização, a vida na aldeia nunca mais foi a mesma...
E com o passar do tempo a vila foi se modificando, as pessoas foram reformando as suas casas, construindo novos barcos, plantando jardins...
Aí foi acontecendo o que Adélia Prado, encantadoramente, recorda em sua poesia impressionista:
Uma ocasião,
Meu pai pintou a casa toda
De alaranjado brilhante.
Por muito tempo moramos em uma casa,
Como ele mesmo dizia,
Constantemente amanhecendo.
Enfim, o morto trouxe a salvação daquela aldeia.
O morto promoveu o advento da boa nova para aquele povo.
Uma vida que contempla os amanheceres da existência saberá, de fato, o valor ou o ato de admirar-se diante da vida que surge ou do morto que se esvai.
14/12/2015
Detalhes de uma mudança
Depois de muito refletir, me veio à mente a ideia da mudança, pois “tudo muda, tudo se transforma o tempo todo” - Heráclito de Éfeso. Quantas vezes ouvimos isso? Ou alguém dizer por aí: calma, meu filho, tudo passa! As coisas da vida vão se aprumando, como se afirma no senso comum.
Em meio à ideia de “aprumação”, tomar prumo, seguir em frente, virá uma concepção de mudança. Sendo que aquilo que era uma dor forte se acabou, se esvaziou no tempo. Mais uma vez reafirmo que o tempo é o gerador das mudanças.
E em meio a toda essa logística do tempo, me veio um pensamento com mais força em minha alma, algo me falou com mais força em meu intelecto.
A metamorfose é uma palavra forte. Uma palavra que já está dizendo que alguma coisa está acontecendo com o homem/mulher. “Metamorfose ambulante”, como cantava Raul Seixas, o ambulante é o ser da mudança, por isso, ele sofre a metamorfose.
Se remetermos a uma lembrança, a palavra ambulante pode ser associada também a andante ou cavaleiro andante, que é outra história que já ouvimos por aí... (Dom Quixote)
Mas voltando à mudança, agora pensada por Kafka em sua obra intitulada de A Metamorfose, que se inicia assim:
Certa manhã, ao despertar de sonhos intranquilos. Gregor Samsa encontrou-se em sua cama metamorfoseando. Estava deitado sobre suas costas duras como couraça, e quando levantou um pouco a cabeça, viu seu ventre, abaulado, marrom, dividido em segmentos arqueados, sobre o qual a coberta, prestes a deslizar de vez, apenas se mantinha com dificuldade.
O que terá acontecido comigo?
Foi a sua indagação!
Então, brota uma nova perspectiva.
De ser humano para um inseto. Para um bicho nojento que é menosprezado pelos outros. Talvez, era assim que ele estava se sentindo.
Como um inseto em um mundo que não o compreendia. Não o respeitava. Com uma família que não o amava. Que não percebia o seu crescimento.
Nem sempre as metamorfoses dos sonhos estão nos sonhos, pois eles podem transformar em enormes pesadelos.
A mudança sofrida por Gregor Samsa será que não causa nenhum efeito sobre ele?
Não vou me aprofundar nas sequências dos acontecimentos da vida dele, apenas quero dizer que algumas mudanças nos levam ao desespero.
Porém, se faz necessário sofrer ou metamorfosear a existência para comprovar o que realmente importa, nem que para isso tenhamos que cair duas vezes no mesmo poço de lama.
Ainda ao ruminar todo esse pensamento no que diz Nietzsche sobre a redenção:
O profundo instinto para o modo como alguém deve viver para sentir-se “no céu”, para sentir-se “eterno”, enquanto qualquer outro comportamento absolutamente não leva alguém a “sentir-se no céu”: somente isso é a realidade psicológica da “redenção” – uma nova conduta, não uma nova fé...
Sabemos que o Nietzsche está criticando a religião, pois bem a obra é O Anticristo. Não quero abordar aqui o seu ateísmo latente e muito menos reafirmar os valores cristãos.
Quero que pensemos sobre o valor da redenção como conversão da mentalidade. Não quero manifestar o surgimento de uma nova fé como o pensador aborda, porém, a ideia apresentada por uma nova mentalidade significa uma mudança que perpassa a natureza humana, que o fluir das potencialidades nos provocam uma erupção ideológica.
Sendo que a mudança no começo é estranhada e depois se entranha em nossa mente e corpo provocando um novo encontro de rotas.
Por fim, é preciso seguir porque a “felicidade não está na chegada, mas sim na travessia”, como abordou Guimarães Rosa.
14/12/2015
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