Que partiu desta vida

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Indescritível

Sou interior da lasca
A água límpida
Caos
O mistério em vida
A floresta viva
Que em ti habita
A história incrédula
Sem início e fim
Indescritível presença
O olho do furacão
No centro do vendaval
Que acampa nas
Areias desertas do
Manto acolhedor.

Travessia

Seja do jeito que for
Colha do jeito que for para colher,
Nos cantos da vida por onde eu caminhar
Mesmo que eu pise nos espinhos que eu encontrar,
Das flores eu hei de lembrar.
Meus pés ardem de tanto caminhar,
As lágrimas vertem rasgando o trajeto
Fazendo-me esquecer da dor.
Lembrar-me-ei dos amores que não tive
Dos amores que quis muito e por medo ignorei-os
Mesmo assim deixei-me amar tanto que doía.
Meus medos e sonhos se misturaram
Com as nuvens que passavam devagar
Como poeira das terras desertas.
Investi contra meu caminho para que ele acordasse
Levando-me para onde eu esquecesse o medo
No trajeto das minhas escolhas
Onde estava meu sonho adormecido.

A vida é feita de uma sucessão de momentos. Momentos vividos e dos que virão a ser.

Quando levamos uma vida equilibrada, nos mantemos firmes para continuar a nossa caminhada sem cair.

O Poeta tem o poder de dar vida às palavras.

Vivemos cercados por ilusões e indecisões, e só não tomamos as rédeas da vida, por falta de persistência.

Vida são todos os seres que nela habitam, portadores de uma magia capaz de nos revelar a sua verdadeira magnitude.

Nossa vida está ligada ao nosso comportamento perante os acontecimentos.

A vida me ensinou a ser batalhadora e a seguir sem medo. Ensinou-me a não parar, a não me acostumar com o meio-termo nem com o pouco. Ensinou-me que, lá fora, a vida grita, esperando que eu vá ao seu encontro, e que parar é morrer lentamente.


Ensinou-me que, quando caminhamos sem olhar para o passado, seguimos sem medo de viver plenamente o presente. O futuro, esse, pertence somente a Deus. Lá fora, há um mundo nos esperando de braços abertos. E quando temos fome de viver, encontramos coragem para ir além das nossas próprias possibilidades.


Rita Padoin

O destino é escrito nas linhas tênues do livro da vida, que nos conduz a um mundo criado por nós, realizado à medida que componhamos nossa história.

A vida é um breve sopro. O que se esconde por trás das cortinas invisíveis é o que verdadeiramente nos alimenta. Observemos com atenção: O caminho pode ter tropeços, mas pode ser próspero.

Estejam preparados. A qualquer momento tudo muda, tudo passa e tudo se desfaz. A vida é um estalar de dedos e, se não estivermos atentos, não veremos nada passar.

Somos protagonistas da vida, mas não das nossas manifestações e vontades

Somos protagonistas do que a vida nos impõe, mas não autores daquilo que sentimos. Há em nós vontades e emoções que florescem sem nos avisar; portanto, somos nós que decidimos o que fazer – ou não – diante desses acontecimentos.

O celular não sabe que dói. Ele só sabe contar os anos e mostrar de volta, feliz da vida, achando que tá me fazendo um favor.

Uma vida inteira cabendo numa telinha de cinco polegadas, aparecendo do nada, sem hora marcada, sem pedir licença.

G A N G O R R A


Quando tudo na sua vida estiver muito calmo, água tranquila, barulho apenas do cantar dos pássaros ou do vento a tocar nas folhas das árvores, não se acomode. A "paz" aqui não é duradoura.


De uma hora para outra tudo muda. Um turbilhão de situações desagradáveis nos cerca, leva-nos para regiões abissais.


É nessa hora, embora com dificuldade, que precisamos compreender o verdadeiro balanço da vida, a gangorra na qual vivemos.


Uma hora no alto, com o vento a favor.
Outra hora embaixo, aprendendo a respirar fundo e a encontrar força onde parecia não haver.


Nem a calmaria é eterna, nem o caos é o fim.
Tudo é movimento. E é esse movimento que nos mantém vivos.

UM CAMINHO DE IDA, SEM VOLTA

A vida é um caminho de ida, sem volta.

E de nada adianta a revolta.

Podemos olhar para trás, revisitar lembranças, reinterpretar acontecimentos, compreender nossas escolhas — mas não podemos voltar para mudar aquilo que já aconteceu.

O ontem aceita novas interpretações, mas não novas intervenções.

Talvez essa seja uma das verdades mais difíceis da existência: há coisas que podemos compreender, mas não podemos desfazer.

Palavras pronunciadas.

Oportunidades perdidas.

Pessoas que partiram.

Escolhas realizadas.

Abraços que não demos.

“Eu te amo” que adiamos.

Perdões que chegaram tarde.

O tempo não retrocede para corrigir nossas distrações.

Tempo é vida.

E o tempo não tem preço.

Tem fim.

Por isso, viver permanentemente revoltado com aquilo que aconteceu é tentar discutir com o irreversível.

A revolta não altera o passado.

Apenas permite que o passado continue alterando o presente.

Não significa aceitar passivamente tudo aquilo que nos aconteceu. Existem injustiças que precisam ser enfrentadas, feridas que precisam ser cuidadas e histórias que precisam ser ressignificadas.

Mas existe uma enorme diferença entre lutar contra aquilo que ainda pode ser transformado e lutar contra aquilo que já não pode ser modificado.

Discernimento também é saber essa diferença.

A mente mente.

Ela nos convence de que, se pensarmos mais uma vez sobre determinada situação, talvez encontremos uma saída para aquilo que já terminou.

Repetimos conversas que não existem mais.

Criamos respostas para perguntas antigas.

Imaginamos aquilo que deveríamos ter dito.

Construímos finais diferentes para histórias encerradas.

Se penso, logo resisto.

E, algumas vezes, resistimos justamente ao fato de que a vida continuou.

A saída não está em esquecer.

Está em compreender.

Não está em apagar cicatrizes.

Está em não permitir que elas continuem escolhendo por nós.

O passado explica.

Mas não precisa sentenciar.

Porque protagonismo não é controlar tudo aquilo que nos acontece.

É assumir a responsabilidade pelo que faremos depois daquilo que nos aconteceu.

A vida não anda para trás.

Nós também não deveríamos morar lá.

Leve as lições.

Deixe os pesos.

Aprenda.

Desaprenda.

Perdoe quando puder.

Recomece quando precisar.

E siga.

Porque enquanto discutimos com o ontem, o hoje também está se transformando em ontem.

E talvez amanhã descubramos que perdemos novamente o presente tentando recuperar aquilo que já havia passado.

A vida é um caminho de ida, sem volta.

E de nada adianta a revolta.

Não podemos voltar para escrever novamente as páginas anteriores.

Mas, enquanto houver tempo, ainda podemos decidir o que escreveremos na próxima.

Porque viver não é voltar.

É transformar aquilo que ficou para trás em consciência suficiente para continuar em frente.

Carlos EDUARDO Balcarse

01/09/2026

A INDECISÃO É UMA DECISÃO

Talvez uma das decisões mais perigosas da vida seja acreditar que ainda não decidimos.

Porque enquanto pensamos, hesitamos, adiamos e esperamos pelo momento perfeito, a vida continua decidindo por nós.

A indecisão também é uma decisão.

E, algumas vezes, é a pior delas.

Decidir exige coragem porque toda escolha carrega uma renúncia. Quando escolhemos um caminho, inevitavelmente deixamos outros para trás.

Por isso hesitamos.

Queremos a segurança antes do passo, a certeza antes da escolha, a garantia antes da tentativa.

Mas a vida raramente oferece garantias.

Ela oferece possibilidades.

A mente mente.

Cria cenários, antecipa fracassos, fabrica perigos e chama de prudência aquilo que, algumas vezes, é apenas medo.

Se penso, logo resisto.

Pensar é necessário.

Pensar indefinidamente pode ser apenas uma maneira sofisticada de não agir.

É aí que entra o discernimento.

Discernir não significa ter certeza absoluta.

Significa possuir consciência suficiente para escolher mesmo quando todas as respostas ainda não existem.

Porque quem espera conhecer todas as consequências antes de tomar uma decisão talvez termine conhecendo apenas uma:

A consequência de não ter decidido.

O tempo não fica parado enquanto escolhemos.

Tempo é vida.

E o tempo não tem preço.

Tem fim.

Existem oportunidades que não dizem adeus.

Apenas deixam de existir.

Pessoas se afastam.

Portas se fecham.

Caminhos mudam.

E aquilo que hoje chamamos de “ainda estou pensando” amanhã pode receber outro nome:

Era tarde demais.

Protagonismo é compreender que nem sempre escolheremos corretamente.

Mas precisamos assumir a autoria possível da própria história.

Errar uma decisão pode nos ensinar.

Corrigir uma decisão pode nos transformar.

Mudar de decisão também pode ser sinal de consciência.

Mas permanecer eternamente indeciso nos ensina pouco, porque não caminhamos o suficiente para descobrir onde aquele caminho nos levaria.

Não decidir é permitir que circunstâncias, pessoas e tempo decidam em nosso lugar.

E depois talvez culpemos o destino por uma história cuja autoria abandonamos.

Portanto, pense.

Questione.

Discernir é necessário.

Mas decida.

Porque existem momentos em que continuar procurando a melhor decisão possível se transforma na pior decisão possível.

A indecisão não nos protege das consequências.

Ela apenas escolhe consequências que não tivemos coragem de escolher.

E talvez seja esse o maior paradoxo:

quem não decide para não perder nenhuma possibilidade acaba decidindo perder a possibilidade de escolher.

Carlos EDUARDO Balcarse

01/09/2026

O inferno é interno

Passamos boa parte da vida procurando culpados do lado de fora para conflitos que acontecem do lado de dentro.

O inferno nem sempre é um lugar para onde vamos. Muitas vezes, é um lugar que carregamos conosco.

Mudamos de cidade, de emprego, de relacionamento, de religião, de amigos, acreditando que uma nova realidade resolverá uma velha angústia. Mas podemos mudar tudo ao nosso redor e continuar convivendo com aquilo do qual nunca conseguimos fugir: nós mesmos.

Nada externo preenche o vazio interno.

A mente mente, cria medos, alimenta culpas, revive dores, antecipa sofrimentos e transforma pensamentos em prisões. E quando não temos discernimento, acreditamos em cada história que ela nos conta.

Talvez por isso ninguém poderá te defender de você mesmo.

Não basta fugir daquilo que nos incomoda. Somente seguimos em frente quando enfrentamos de frente.

Porque existem prisões sem grades, guerras sem armas e infernos sem fogo.

O céu e o inferno podem começar no mesmo lugar:

Dentro de nós.

E talvez a saída nunca tenha estado lá fora.

A saída é para dentro.

Carlos Eduardo Balcarse

02/10/2026