Que meus Pes me Levem
O fundo do poço me ensinou que ter lama nos pés é combustível para ir em busca de água para lavá-los.
Quando sinto que dentro de mim há um descontrole, procuro manter os pés firmes no chão e a cabeça em equilíbrio.
Aprendiz ..
E quando bati as asas
Não consegui voar,
tinha os pés amarrados
Pela vida.. Tive que
Reaprender a desfazer nós
e criar laços.
Laços que Dão a
possibilidade de voos
E não a possibilidade
De aprisionamento.
Tem dia que a gente acorda com a alma amarrada.
A cabeça quer voar, as mãos querem fazer, os pés querem andar... e nada sai do lugar.
Não é preguiça.
Não é falta de vontade.
É excesso de vida acontecendo tudo junto.
É boleto, é filho, é medo, é cansaço, é sonho grande demais pra caber num corpo que só tem 24 horas no dia.
Se você tá assim hoje, senta aqui do meu lado.
Respira. Você não tá sozinha.
Às vezes o primeiro passo não é correr.
É desamarrar um nó de cada vez.
_Van Escher_ 🪐
Normalmente aquele que se abaixa para receber carinho, encosta a cabeça no chão ao beijar os pés daquele que o afagou
Às vezes só é possível atravessar o deserto dos nossos martírios ao aposentar os pés como mola de travessia, e usar os joelhos como tabernáculo e oratório da morada do Eterno.
É impossível comparar
a chegada até aqui
de alguém provida de intrepidez,
que com os pés descalços
subiu escadas de pedras
em meio à temporais ...
com alguém
que usou escadas rolantes
protegidas por vidros temperados
à prova de intempéries
e ainda se faz de vítima...
Há cicatrizes e marcas
que são verdadeiras
medalhas de ouro...
e há confortos
que geram cegueiras...
e há quem, mesmo intacto,
insista em se declarar ferido...
✍©️@MiriamDaCosta
O SOM DAS CASCAS SOB OS PÉS
(Os desafios invisíveis da maternidade atípica)
Ser mãe atípica é viver em um território de incertezas: nunca sabemos quando o vento da crise vai soprar, mas sentimos quando ele balança o nosso chão.
É caminhar constantemente sobre ovos, sentindo o estalo delicado de cada um sob os nossos passos. Viver nesse universo é desafiar a lógica: é tentar acolher as cascas que se esfarelam e montar um quebra-cabeça cujas peças parecem ganhar novas formas a cada dia.
Não há trégua, não há mapa. Resta-nos o silêncio das lágrimas que secaram, enquanto aguardamos, com o coração alerta, o próximo estalo.
Lu Lena / 2026
Quando eu virar um anjo,
não será fuga — será encontro.
Deixarei no chão as dores que me pesaram
e vestirei leveza feita de eternidade.
Helaine machado
"Trilionário é aquele que, mesmo chegando ao ápice, mantém os pés no chão e a mão estendida para ajudar a subir quem tem valor."
Que as dificuldades não tire
a firmeza dos nossos pés. Que
a tristeza se vier, que seja só de
passagem. Que a opinião dos
outros não destruam nossos
sonhos. Que o amor possa ser
sempre o maior motivo de nossas
alegrias.E que hoje seja o começo
de um lindo e abençoado dia.
A Dança da Loba e a Terra
Ela tem a raiz nos pés e o céu no pensamento,
Traduz o que o vento sopra sem precisar de voz.
Ser mulher é ser árvore, rio e movimento,
É ser a calma do lago e a correnteza veloz.
---------- Eliana Angel Wolf
Enquanto
a FIFA pensa com os pés, os Futebolistas
não usam nem eles
nem as cabeças.
Quando o jogo passa a ser administrado mais como produto do que como arte, algo essencial começa a se perder.
O futebol, que nasceu da improvisação, da inteligência do corpo e da astúcia da mente, lentamente vai sendo comprimido em protocolos, métricas e decisões tomadas aos pontapés longe do gramado.
Quanto mais a engrenagem institucional tenta controlar o jogo, menos espaço sobra para os jogadores pensarem dentro dele.
Há uma ironia quase perfeita nisso: quando quem governa o futebol passa a “pensar com os pés”, transformando tudo em espetáculo coreografado, calendário saturado e regra calculada para o consumo, os protagonistas do campo acabam sendo treinados para obedecer mais do que para interpretar.
A criatividade cede lugar à execução mecânica; o gesto genial vira exceção, quando antes era linguagem.
O futebol sempre foi uma conversa entre pés e cabeça — entre instinto e inteligência.
Quando uma dessas partes é silenciada, o jogo continua existindo, mas algo de sua alma se dissipa.
A bola ainda rola — e até grita —, os estádios ainda vibram, os números ainda crescem.
Mas, pouco a pouco, o jogo deixa de ser pensado por quem joga e passa a ser apenas executado por quem mal assiste.
E talvez o sinal mais evidente disso seja quando os jogadores correm cada vez mais… enquanto o futebol parece pensar cada vez menos.
Desde que a FIFA passou a pensar com os pés, a torcida com as cabeças dos outros, nossos futebolistas já não usam nem eles, nem a cabeça.
Talvez o problema nunca tenha sido exatamente o futebol, mas o que fizemos dele.
Um jogo que nasceu como expressão espontânea de corpo, inteligência e improviso foi sendo lentamente capturado por interesses que preferem o automático ao criativo, o previsível ao genial.
Pensar com os pés, nesse contexto, deixou de ser metáfora poética da habilidade e virou sintoma de uma inversão: decisões tomadas longe do campo, desconectadas da essência do jogo.
A torcida, por sua vez, que antes era extensão pulsante da arquibancada, passou a reproduzir discursos prontos, terceirizando até suas próprias emoções.
Já não se vibra apenas pelo que se vê, mas pelo que se manda sentir.
E quando a emoção deixa de ser autêntica, ela facilmente se transforma em massa de manobra — barulhenta, intensa, mas pouco consciente.
E os jogadores?
Esses parecem cada vez mais pressionados a cumprir roteiros invisíveis.
Entre contratos, estatísticas e expectativas infladas, o improviso — que sempre foi a alma do futebol — vai sendo sufocado.
Jogar com a cabeça, no sentido mais nobre, exige liberdade para pensar, arriscar e errar.
Mas, em um ambiente onde o erro custa caro demais, a criatividade se torna um luxo perigoso.
No fim, talvez estejamos todos participando de um jogo que já não reconhecemos completamente.
Um jogo onde se corre muito, fala-se demais e pensa-se de menos.
E aí, ironicamente, aquilo que sempre nos encantou — a inteligência que nasce do corpo em movimento — vai sendo substituído por uma coreografia previsível, eficiente… e cada vez menos humana.
A vida é feita pra ser tocada com os pés descalços
A cada passo, cada compasso e a cada braço
