Quase Morto
ALÉM-DE-MIM... (BARTOLOMEU ASSIS SOUZA)
Inabalável!
Deve ser minha fé, um rochedo
Jamais uma fé manca
Traçada pelo destino
Buscar sempre o além-de mim...
Por mais que um "deus" vazio se apresente
Pois a vida segue o transitório
Sem mapas, trilhas, pegadas
Na vida tudo é transitório
Como num trivial velório
Cheio de preceitos e falatórios
Será que o morto ouvirá as lamúrias?
ISBN: 978-85-4160-632-5
[...] E o que dizer dele ? Defeitos ? Não tinha, pelo menos parecia não ter. Inteligente e maduro diziam seus professores, leal e prestativo diziam seus amigos, " o que mais se pode querer de um filho ? " respondiam sempre seus país.
Mas quantos o viram como pessoa ? Não como aluno, amigo ou filho, mas como pessoa.
Quantos o conheceram de verdade, já que ninguém nunca o viu chorar ? E aí tem algo errado, alguém que não chora, pra mim ta morto ou é fingido.
O dia em que eu conseguir me conhecer plenamente e me aceitar como sou, certamente já estarei morto.
Às vezes,carregamos coisas que não podemos carregar e tombamos,pelo cansaço,ou para nos livrarmos do peso excessivo.
Conselho? Carregue apenas o que você pode carregar,para chegar ao destino com alegria,não exausto ou morto!
Último segundo : - Morto gera emprego em funerárias, floriculturas, cemitérios e na produção deste documentário... estamos te aguardando para assistir ou participar ainda neste século!!!
O velório também é uma hipocrisia, pois passamos horas ao lado de um morto sem nunca ter-lhe dado atenção em vida.
Noite de chuva fina que cai, fazendo ressurgir as plantas semimortas. Diante das lutas travadas no íntimo, sempre ressurge algo que pensávamos estar morto. Assim a madrugada vai passando, levando com ela o que se tornou vivo e não passou de uma grande ilusão.
Meio morto…
(Nilo Ribeiro)
Parte de mim morreu,
quando você partiu,
não dissemos nem adeus,
e meu mundo ruiu
morreu a alegria,
não fiz mais poesia,
a noite ficou sombria,
choro durante o dia
morreu o sentimento,
não ficou a paixão,
não há contentamento,
tudo foi pro caixão
o que ficou vivo…???
apenas a lembrança,
o amor exclusivo,
muita esperança
a vontade de te ver,
de te abraçar,
de te pertencer,
de te amar
vou sobrevivendo,
tento não sucumbir,
continuar escrevendo,
não desistir
vida que segue,
morte que abate,
amor que renegue,
amor que combate
não rio, não choro,
sentimento disperso,
a poesia é ancoradouro,
com ela eu converso…
Despretensão
Sentindo respingos ainda morto
Com aquela arma no meu peito
Em segundos soube do caminho
Uma despedida do desconhecido
Eu não tinha nada a fazer
Era uma meio passo pro espaço
Sem controle de nenhum passo
Acaso me fez deitar
E casar com a terra
Filtrando a luz
Regado e purificado pela maré
Conversei sem dizer nada
Já nos conhecíamos
De milênios atrás
Eu era pedra e ela me fez ceder
E formei, virei gente
De repente foi tão longo
Quem eu veria quando despretensioso
Corto o horizonte visível em milhares de quilômetros à frente buscando respostas antes de caminhar de volta?
O atual sistema educacional tupiniquim é um morto que seu lar reluta em enterrá-lo,usa pintura,mas tudo denuncia a putrefação.
Na escola pública, o aluno aprende que é preferível o peixe já pescado e frito na hora "certa" do que a dignidade de adquiri-lo. A mente torna-se como o Mar morto: repleta de valiosos elementos e materiais, mas sem uma aplicação útil.
Mesmo eu não serei morto,
apenas deixarei o pó sacudido
com meu sopro, sopro de comoção
em meio a lágrimas de emoção.
