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Quase

Cerca de 8116 frases e pensamentos: Quase

Lastimamo-nos da nossa ignorância, mas é ela que produz quase todo o bem do mundo: não prever faz com que nos empenhemos.

Quase todos os jovens têm a coragem das opiniões alheias.

Quase se poderia dizer que só existo na medida em que existo para o outro e, no limite: ser é amar.

Quase ninguém se apercebe, por si próprio, do mérito de outra pessoa.

O trabalho involuntário ou forçado é quase sempre mal concebido e pior executado.

O efeito mais determinado, e quase a soma dos efeitos que produz num homem de raro e elevado espírito o conhecimento e a experiência dos homens, é o ato de torná-lo muito indulgente em relação a qualquer fraqueza maior e excessiva, qualquer pequenez, tolice, ignorância, estupidez, maldade, vício e defeito alheio, natural ou adquirido....

A obstinação nas disputas é quase sempre efeito do nosso amor-próprio: julgamo-nos humilhados se nos confessamos convencidos.

Uma vida bem escrita é quase tão rara como uma bem vivida.

Uma das causas principais do analfabetismo das massas é o fato de que, hoje, quase todo o mundo sabe ler e escrever.

Dinheiro! Como é que esta palavra prosaica exprime quase todo o talento.

O amor-próprio dos homens é quase tão inflamável como a imaginação.

A procura maciça foi criada quase totalmente pelo desenvolvimento da publicidade.

Quase todos os médicos têm a sua doença preferida.

Estranho que o homem, em quase todas as coisas, deva parecer melhor ou pior do que já é.

Ontem ri tanto no jantar, tanto que quase fui feliz de novo. Mas aí lembrei, no meio da minha gargalhada, como eu queria contar essa história para você. E fiquei triste de novo.

‎O ser humano só valoriza o amor quando há perda ou risco de perda... Quase nunca durante sua encantatória vigência. Descobrir que amar é também saber amar e transformar a vigência do amor em vivência de amor, em algo bom, pelo gosto de viver e não pelo medo de perder, é sabedoria para poucos [...]. Amar é fazer um pacto de felicidade e não de dor. Quem porém sabe disso?

Depois, penso também naquele quase velho poema do John Lennon: “I don’t believe in yoga/ I don’t believe in mantra/ I don’t believe in God/ I don’t believe in Freud/ I don’t believe in drugs/ I don’t believe in sex/ I don’t believe in Beatles” e termina com um acorde profundo de guitarra e um “I just believe in me”. Mas nem isso.

Deve ser o vento norte, esse excesso de luz, a primavera chegando, a lua quase cheia.

Deus, me desculpe por estar quase sempre reclamando da minha vida, e de meus pais. Me desculpe por muitas vezes ter perdido a minha fé. Me desculpe por só pedir e esquecer de agradecer. Mas obrigada por me proteger, por acreditar em mim e por estar sempre ao meu lado, e que sempre esteja.

Adormecida

Uma noite eu me lembro... Ela dormia
Numa rede encostada molemente...
Quase aberto o roupão... solto o cabelo
E o pé descalço do tapete rente.
'Stava aberta a janela. Um cheiro agreste
Exalavam as silvas da campina...
E ao longe, num pedaço do horizonte
Via-se a noite plácida e divina.
De um jasmineiro os galhos encurvados,
Indiscretos entravam pela sala,
E de leve oscilando ao tom das auras
Iam na face trêmulos — beijá-la.
Era um quadro celeste!... A cada afago
Mesmo em sonhos a moça estremecia...
Quando ela serenava... a flor beijava-a...
Quando ela ia beijar-lhe... a flor fugia...
Dir-se-ia que naquele doce instante
Brincavam duas cândidas crianças...
A brisa, que agitava as folhas verdes,
Fazia-lhe ondear as negras tranças!
E o ramo ora chegava, ora afastava-se...
Mas quando a via despeitada a meio,
P'ra não zangá-la... sacudia alegre
Uma chuva de pétalas no seio...
Eu, fitando esta cena, repetia
Naquela noite lânguida e sentida:
"Ó flor! — tu és a virgem das campinas!
"Virgem! tu és a flor da minha vida!..."

Castro Alves
ALVES, C., Espumas Flutuantes, 1870