Quanto Vale um Abraco

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O poder de punir precisa ser tão limitado quanto o poder que pretende conter.

Quanto mais uma sociedade depende da crueldade para produzir obediência, menos confia na própria razão.

O desenvolvimento humano depende tanto da liberdade de pensar quanto da possibilidade de aprender.

A liberdade de consciência inclui tanto o direito de crer quanto o direito de não saber.

O dado é a sombra digital do indivíduo; quanto mais precisa a sombra, maior o poder de quem aprende a interpretá-la.

Quanto mais invisível se torna a tecnologia da persuasão, mais visível precisa tornar-se sua responsabilidade jurídica.

Quanto mais íntima a publicidade se torna, mais delicada se torna a fronteira entre relevância comercial e invasão da autonomia.

Quanto maior a capacidade técnica de influenciar, maior deve ser a responsabilidade ética e jurídica de não transformar influência em dominação.

A dúvida é uma liberdade que o Estado laico deve proteger tanto quanto a fé, porque o agnosticismo transforma a suspensão do juízo em uma possibilidade legítima da consciência.

Quanto mais conhecemos as causas do comportamento, mais difícil se torna definir onde começa a responsabilidade.

Quanto mais previsível se torna o comportamento humano, mais delicada se torna a fronteira entre liberdade e determinação.

Podemos ser enganados tanto pela mentira que aceitamos quanto pela verdade que recusamos, sobretudo quando reconhecer a realidade ameaça a narrativa que construímos sobre nós mesmos.

Quanto mais profundamente a inteligência contempla a existência, menos encontra nela respostas definitivas e mais percebe que o mistério não desaparece: apenas se torna intelectualmente mais sofisticado.

A razão pode iluminar os mecanismos da existência, mas não necessariamente seu fundamento; quanto mais avançamos na explicação do mundo, mais percebemos que compreender como algo acontece não equivale a descobrir por que há algo para acontecer.

Quanto mais violentamente tentamos possuir o que é transitório, mais profundamente somos possuídos pelo medo de perdê-lo.

Quanto mais acumulamos para facilitar a vida, mais complexa parece ficar a arte de simplesmente viver.

O Direito deveria proteger tanto a liberdade de acreditar quanto a liberdade de não transformar crença em prova.

Quanto maior o poder de uma afirmação sobre a vida alheia, maior deveria ser a exigência de evidência para sustentá-la.

O Direito deveria desconfiar tanto do poder que invoca Deus quanto daquele que invoca a ciência para escapar do debate público.

Quanto mais conhecemos o mundo, mais difícil fica acreditar que ele foi desenhado especificamente para nossa satisfação.