Quanto Vale um Abraco
Eram cinco horas da manhã. Era sábado. Ouviam funk a um som excessivamente alto e irritante de modo que não havia como não sentir vergonha e constrangimento, mas isso não importava. Nada importava pois eu estava nos braços dele, ele me chamava de "anjo", acariciava meus cabelos e beijava minha testa, fazendo eu me aconchegar mais e mais nele. Para que cobertor se eu o tinha ali comigo? Para que paranoia se ele estava ali, me abraçando ao amanhecer? Para que drama se era carinho, se podia ser paixão?
O sol nascia e os galos cantavam ao longe um "cocoricó" digno de aplausos, como uma sinfonia em uma orquestra às seis da manhã de um sábado. O dia nascia, eu tinha passado a noite em claro, no entanto, nunca estive tão acordada em toda minha vida e isso me chegava à consciência de um modo doce e misterioso. Sentei no sofá e fiquei olhando as flores do Ipê caírem e de repente percebi como o perfume dele ainda estava impregnado em minha pele e ele era como o paraíso, tanto que se me concentrasse até ouvia "The Cure" cantando: " You, soft and only, you lost and lonely, you, just like heaven"...
Houve um momento em que ele subiu em uma árvore e ficou olhando para mim. Seus olhos castanhos se fixaram em mim como se quisessem me puxar para ele, como se ele fosse uma espécie de imã e eu de repente sentia que o frio em minha barriga aumentava a ponto de eu sufocar e não lembrar mais de como se respirava. Ele olhou bem para mim, só para mim, diário, eu tenho certeza disso porque virei para trás nessa hora para verificar se ele não estava olhando para outra pessoa, mas não havia ninguém ali. Ele vestia uma blusa rosa, eu acho, não lembro ao certo, talvez fosse branca, ou até azul, mas para mim pareceu cor-de-rosa, mas quem sabe nem fosse, e era somente eu que via tudo cor-de-rosa naquele momento de tontura.
Em um dia estamos resolvendo a regra de três na escola e no outro estamos pesquisando preços e modelos de carros. Não é engraçado? Não é precipitado? Não é louco?
Querido Josh, eu primeiramente queria dizer que eu odeio, odeio você! Eu pensei, por um breve momento de felicidade, que você de fato gostasse de mim- sim, eu acreditei nisso! Eu pensei que poderíamos ser como Baby e Johnny em Dirty Dancing, apesar de eu não saber dançar, mas você poderia me ensinar! Eu pensei que você me lançaria diversos olhares, como estava fazendo, e certo dia diria algo como “ninguém deixa Baby de lado” e me puxaria para uma dança, para um beijo e tudo ficaria bem entre a gente. Eu...eu realmente acreditei em você e isso me dói. A consciência clara me liberta da cegueira do amor, da ilusão que eu acreditei ser verdade. Por alguns dias eu cri que você estivesse sendo verdadeiro comigo. Eu cri que você fosse verdadeiro, mas agora vejo como é falso como bijuteria e isso me dói. A consciência de que fui enganada me dói como uma faca cravada nas costelas e me arde com a fúria do sol do meio dia. Eu odeio! Meu Deus, como eu o odeio, Josh! Eu o odeio por ter me beijado e tirado minha inocência, como se eu fosse uma donzela que tivesse perdido sua virtude e estivesse destraçada e perdida para sempre! Você foi quem me deixou à mercê da ruína e eu odeio por isso! Eu o odiarei para sempre! Meu Deus, como eu o odeio! Odeio mais do que posso suportar escrever! Eu odeio o fato de eu ter gostado de ter te beijado, odeio o fato de eu ainda te amar e desejar beijá-lo de novo. Eu odeio a mim mesmo de modo que quero vomitar! O pior é que eu quis, eu realmente insisti nessa história e eu achei que tudo seria diferente quando a gente ficasse. Eu achei...eu prefiro vomitar do que ver sua cara novamente! Eu o odeio por ter estragado Dirty Dancing e Blck Eyed Peas para mim para sempre e ter feito com que minha mente associasse a música a você de algum modo e não sei se algum dia vou poder ouvir “the time” sem me lembrar de você! Arg, eu o odeio mais do que suporto escrever Adeus!
Eu tive um sobressalto ao ouvir a música pois ela parecia ter sido feita para mim. Parecia ter sido feita para mim pois durante as aulas eu me sentia queimar e parecia que eu estava em brasa, em fogo e ardia e me consumia em mim mesma e Josh... Josh só estava lá no canto dele olhando para mim como se nada tivesse acontecido nunca, como se ele nunca tivesse me beijado, como se nunca tivesse causado uma erupção dentro de mim, uma explosão que destruiria continentes com a intensidade que é o meu amor por ele. O pior era que eu gostava de tudo isso como se eu fosse uma espécie de pessoa doente e masoquista que gostasse da dor que ele me causava pois se eu nunca tivesse o beijado eu jamais teria sentido a intensidade avassaladora do amor. Por isso eu não, não me arrependendo nenhum pouco de ter ficado com ele, mesmo que isso estivesse me destruindo agora. Ele tinha me visto chorar aquele dia e nem tinha se abalado como se para ele estivesse tudo bem, como se ele gostasse de me ver chorar e sangrar por ele constantemente com o se eu fosse uma espécie de diversão para ele, um ratinho que ele pudesse torturar. Meu Deus, a música era tão minha, tão minha e nada da Rihanna no final das contas pois eu o amava, amava o jeito que ele mentiu que me amava para ficar comigo, pois se ele tivesse sido sincero desde o início eu teria me sentido ofendida e não teria ficado com ele. Eu amo o jeito que ele mentiu para mim e que me deixou tão vulnerável a ele. Eu gostava do jeito que o amor dele doía em mim como um corte aberto ainda sangrando. Gostava de toda dor que acompanhava o amor como se eu soubesse que o amor nunca vem só, sendo sempre acompanhado da dor, sendo grata pela dor pois sem ela não haveria o amor.
Eu esperei. Eu imaginei uma música que não veio. Eu aguardei um frio na barriga, uma facada no peito ou algo que me fizesse desmoronar, mas eu não desmoronei. Na verdade, meus pés nunca estiveram tão lindos em um scarpin preto e minhas unhas nunca estiveram tão bonitas e eu nunca fui tão bem-sucedida. Na verdade, eu não perdi nada e só ganhei um aumento na minha autoestima, um admirador na minha vida, uma conquista na minha lista, mas eu não seria um prêmio para ele pôr na estante. Porque eu sou maravilhosa demais para ele e ele não é nada além de um rostinho bonito e um beijo bom. Eu sou inteligente, bem-sucedida, independente, poderosa e ele já não é nada. O fato é que ele não tem nada que eu admire e eu acho que é por isso que eu jamais me apaixonaria por ele. Não que eu não flerte, pois ele para mim é um flerte e como já dizia uma mulher foda, “até que eu quero amor, mas meus olhos estão no game” e ele faz parte do game, mas é apenas isso e não mais que isso e acabou, pois, eu mereço mais. Eu mereço alguém que me venere e que lamba o chão que eu piso e não alguém que esteja no game comigo e com mais quatro mulheres porque eu realmente sou uma mulher extraordinária e não mereço nada menos que o extraordinário e a devoção. Eu sinto pena. Pena das quatro mulheres mendigando o afeto dele como se ele fosse muitíssimo especial a ponto de suprir todo amor e carência delas. Eu sinto pena porque eu já sofri também por outro homem que me fez comer o pão que o diabo amassou e me transformou da rainha das flores para rainha do gelo. Eu queria abraça-las. Queria dizer que vai ficar tudo bem e que elas valem muito e são diamantes sendo jogadas a um porco. Eu queria dizer que eu nem as conheço, mas que as compreendo e que elas são incríveis, maravilhosas, poderosas e capazes de conquistar o mundo, embora elas não saibam disso ainda, mas um dia vão saber. Eu não preciso aprender isso porque eu já aprendi, porque eu sofri e sofri tanto que o sofrimento me valeu por uma encarnação e hoje eu consigo falar disso e rir. Falar do meu antigo amor enquanto degusto o melhor vinho de uma vinícola famosa sentindo o clima da serra. Hoje eu dou as cartas e tenho minha independência profissional e financeira. Hoje eu sou a minha melhor versão.
A gente se ilude, não é? A gente faz todo um esforço para ter controle, para dominar determinadas situações quando na verdade não temos controle sobre nada! Não controlamos nem nós mesmos, quem dirá os outros! Eu não tenho controle sequer sobre minha estagiária! Basicamente a vida é feita de escolhas. Todos os dias eu escolho ajudá-la e ela insiste em me desafiar. Todos os dias ele escolhe me mandar mensagens e eu escolho responder. O controle é uma ilusão, o controle é uma falácia. A vida é um tango no escuro e você tem que aprender a dançar e confiar...mesmo naquilo que você não vê. A vida é um tango no escuro, é um lançar-se em um abismo, é um salto de fé. A vida é um deixar-se fluir pois deixar fluir é tudo o que realmente temos.
Eu lembro daquele dia de junho, um sábado, em Bom retiro, em que a neblina deu uma trégua e o sol surgiu , surgiu com uma clareza avassaladora e esquentou meu corpo e também , ouso dizer, meu coração. O sol me iluminava com intensidade, Fleetwood Mac cantava “everywhere” no rádio do carro e eu compreendia , eu passei a compreender a verdade na voz de Stevie nicks quando dizia “ I wanna be with you everywhere”. Eu não sei se foi ali exatamente que passei a entender que eu realmente queria estar com você em qualquer lugar ou se foi nos dias que se seguiram. Eu não sei se eu devia estar lhe contando isso. De todo modo, ou foi a música, ou foi o sol ou foi a direção do vento, mas naquele dia alguma coisa iluminou minha mente e coração e eu passei a compreender que queria estar com você. Engraçado como pareceu certo. Uma amiga minha veio aqui no gabinete e entre conversas e cafés me disse que “ o que é para ser tem força “ e isso foi como um “clique “ na minha cabeça, pois eu acho que é verdade e eu acho que tem sido. Pode ser bobagem minha , mas eu tenho fé . A fé é esse sentimento dentro de nós que não tem explicação , nem certezas , nem garantias , ela apenas é, e eu tenho fé em nós. Não há certezas, não há garantias , mas eu tenho fé em nós dois. Um dia você vai saber - e entender , talvez ? - como eu te amo . Um dia eu vou dizer. Vou dizer que eu quero você e que gostaria de estar com você em qualquer lugar e para irmos para algum lugar longe dessa confusão , alguma cidade menor e no interior . Não sei se é loucura minha pensar assim, mas é o que eu tenho sentido ultimamente
Sei que faz tempo que eu não escrevo- mais de um mês!- é que eu estava devastada, desanimada demais para escrever. Parecia que eu havia secado! Eu me sentia uma árvore seca pelo inverno, maltratada pela geada e com receio e nunca mais florescer. Uma árvore seca ainda como ser considerada uma árvore? Uma escritora que não escreve ainda pode ser considerada uma escritora? Eu não sei responder. Achei que tivesse perdido a poesia. Achei que nunca mais conseguiria parar de chorar. Achei que ficaria paralisada para sempre como alguém que leva um choque e fica em estado catatônico. Mas adivinhe só? Eu não fiquei. Eu sinto que uma parte minha morreu e doeu mais do que cabe em palavras. Nos sete primeiros dias eu vesti-me de luto, nos quinze primeiros e só chorei, mas eu tive uma espécie de epifania e sinto que renasci. Eu renasci, tal qual Perséfone e eu me sinto tão diferente...
Há um tipo de solidão que só os que pensam demais conseguem reconhecer — ela mora entre uma pergunta e outra.
A vida me escapa entre os dedos enquanto eu busco um significado que talvez nunca tenha existido. No fim, só a morte é real — ela é o ponto final que ninguém contesta.
Naquele último ano, o xadrez se tornou nossa pequena revolução. Começamos sozinhos, diante de uma mesa que ninguém tocava, e pouco a pouco ela se encheu de alunos, professores, partidas e risadas. O que antes era esquecido passou a reunir pessoas em todos os recreios. Talvez tenha sido simples para quem olhava de fora, mas para nós era muito mais: era um pedaço daquele último ano ganhando vida. E, sem perceber, deixamos naquela mesa uma pequena marca no último capítulo da nossa vida escolar.
Menti em expurgo coração devastado ainda resta penas um para lutar ao meu lado menino desgraça perdido no passado mente entupida de palavras não ditadas mais disparadas por aquele que está ao seu lado, sua mente quer amarrá-lo mais não consegue segura lo vazio inexplicável que nunca dito e nem falo.
screams in the dark of my past
No desabrochar de uma rosa em um peito vazio, uma dor se revela com sua própria luz, que grita e anseia por um ser ausente.
"Seja uma pessoa boa. Ajude no que for possível, seja um (a) amigo (a) leal."
Agora...
"O que os outros farão com isso, é problema deles."
"Esforça-se tanto para cultivar a máscara da bondade, onde, na verdade, oculta-se um narcisista manipulador."
Hahh! A autenticidade...
Essa, passou longe. Muito longe!
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