Quanto Vale um Abraco
Um argumento financeiro jamais pode suprimir direitos fundamentais e constitucionais, eis o caos no Estado de direito Brasileiro, arrefecendo a credibilidade do Judiciário, quando assim se comporta em detrimento da Constituição.
No Brasil preocupa-se mais com animais do que com ser humano, percebem que um animal abandonado na rua e com fome, o Estado está obrigado a cuidar, ONGs se mobilizam, ao revés tantos seres humanos na mesma situação, e muitos não possuem o mesmo tratamento, amparo nem do Estado, de ONGs e quem quer que seja. O interesse por trás disso me parece mais financeiro e política promocional, com exceções.
Entre o nascimento e a morte, existe um intervalo que de alguma forma, modifica a vida de alguém. Seja intenso.
Enxergar a beleza nas pequenas coisas é um sinal de perspicácia, pois é nos detalhes que a magia da existência se revela.
Lilian Dutra Pugliese
Meu coração bate de forma distinta,
Um ritmo novo, mais ofegante.
Ele me deixou pulsando,
Uma vibração que há muito não sentia.
Vivemos em mundos que não se tocam,
E, no entanto, encontro-me envolvida,
Sentindo algo por alguém
Que desafia o meu conforto.
Como é possível, pergunto-me,
Que a diferença possa gerar tal atração?
Que a alteridade possa despertar
Essas profundezas em mim?
Talvez seja na divergência que reside,
Onde a alma encontra um espelho
Em um reflexo inesperado.
Bosch e eu: entre a crítica e a ferida colonial
De todos os artistas europeus, há apenas um que ainda me atravessa: Hieronymus Bosch. Ele me coloniza — não pela forma, não pela técnica, mas pela crítica feroz que carrega. Bosch é o único colonizador que ainda habita meus delírios, talvez porque a acidez do seu olhar sobre o mundo medieval encontre eco no que eu também preciso denunciar.
Ele pintava o colapso moral da Europa — os vícios, o poder podre, a queda da alma. Eu pinto outro colapso: o da terra invadida, dos corpos silenciados, da memória arrancada pela violência da incursão portuguesa.
Se Bosch mostrava o inferno como consequência do pecado, eu mostro que o inferno chegou com as caravelas. Não há punição futura — o castigo já está aqui: na monocultura do eucalipto, na esterilização do solo, na morte do camponês brasileiro , no apagamento dos povos indígenas.
Há em nós uma fúria semelhante, mas nossos mundos são outros. Ele critica o homem que se perde da alma. Eu denuncio o sistema que rouba a alma dos povos. Bosch pinta o desejo que conduz à danação. Eu pinto a resistência que surge depois do desastre.
E, mesmo assim, ele me coloniza. Como assombro. Como espelho invertido. Às vezes penso que sua crítica me provocou antes mesmo de eu saber meu nome. Ele habita uma parte do meu gesto. Um inimigo íntimo. Uma fagulha que queima, e que às vezes me ajuda a incendiar o que precisa cair.
Palácio de Queluz: Um Encontro de Descolonização
No quadro "Palácio de Queluz", proponho uma inversão simbólica da história: e se os povos indígenas brasileiros atravessassem o Atlântico, invadissem Portugal e reivindicassem o que lhes foi tirado?
Recrie o Palácio de Queluz como palco de uma devolução imaginária. Não se trata apenas de revanche, mas de justiça histórica, em que as riquezas extraídas das terras indígenas voltam às suas origens. A recente repatriação do manto tupinambá da Dinamarca, após mais de 300 anos, inspira essa reflexão. Esse símbolo sagrado ecoa a luta dos povos indígenas por memória e pertencimento.
Vocês podem considerar esse pensamento utópico, mas, se o trouxermos para os dias atuais, veremos que a colonização persiste em novas formas. À medida que as big techs continuam a colonizar nossos territórios, explorando dados e lucros sem retribuir de forma justa às comunidades afetadas, temos uma nova versão da exploração que repete as dinâmicas coloniais do passado.
Minha busca aqui não é apenas despertar a imaginação, mas também provocar uma inquietação política. Essa inversão desafia as narrativas de poder, expõe as feridas da incursão portuguesa e provoca a pergunta: o que significa devolver o que foi tomado?
Assino esta obra como um gesto artístico e político, para repensarmos os lugares que ocupamos no passado e os que podemos recriar no futuro.
Não,não me arrependo de ter experimentado a sensação de um beijo apaixonado.Um beijo tem o gosto refrescante de um sorvete após um longo e cansativo dia de verão,o perfume doce e puro das flores primaveris,o arrepio de prazer como nos dias de outono quando o vento sopra e bagunça meus cabelos e faz as folhas,já amareladas, caírem das árvores e é tão lindo de se admirar como a neve cobrindo tudo de branco nas manhãs de inverno.
E terminou. Terminou como um dia de praia quando chega a tempestade,quando o outono vai embora dando lugar ao inverno e quando o sorvete derrete.Terminou antes de ter começado.
Ele foi sorrateiro,sorrateiro como um ladrão e quando eu vi ele tinha me roubado.Sim,ele me roubou de um modo lento e profundo e depois me atirou facas.Me atirou facas com a elegância de quem atira flores.
Eu choro.Choro sangrando,choro com cada um de meus pedaços que caíram tão tão rápido que não consegui juntar e que agora não sei onde estão mas doem e é isso que importa.
Por isso fiquei esperando que ele voltasse montado em um cavalo branco,surgindo no horizonte valente com um buquê de rosas na mão.
Mas foi tudo em vão.
Há um momento em que você luta e sofre tanto por alguém e por tanto tempo que você desiste;primeiro você para de lutar porque percebe que além de estar lutando em vão você está lutando sozinha embora a esperança de um milagre permaneça.Aí então você se cansa de esperar e tenta retomar sua vida como antes de conhecê-lo e se confunde por não lembrar mais como era.E finalmente você atira sua vida ao vento e diz “faça o que quiser com ela”.Depois disso você não mais se responsabiliza por seus atos.
Estou chegando a conclusão de que tudo na vida vem em um equilíbrio perfeito;as emoções boas vem acompanhadas das ruins no mesmo peso e medida,assim como os momentos bons e ruins.Embora na maioria das vezes as ruins pareçam ter o triplo de peso ,do tamanho e da dor, acima de tudo da dor.
Essa música parece trazer de volta toda uma história,todo um passado que desapareceu para sempre. Ou será que não?Sinceramente,acho que o passado é uma coisa da qual jamais se possa fugir pois ele consegue se impregnar de uma maneira eterna nas coisas,nas pessoas,em tudo.O passado é algo que consegue nos perseguir para sempre.
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