Quanto Vale um Abraco
Você escreve sobre o amor se nem tem a quem amar.
Se declara e ao final de um poema em suspiros.
Achas que não sabe amar, mas de palavras românticas nutre a alma.
Tua sede de amar e se dar como todos merecem, prejuízos então já lhe causou?
Apenas a intolerância de ignorantes que nunca amou.
Em meio há esse caos dentro e fora, você sempre precisou de tudo na mesma hora, agora!
Não tem medo do que não conhece, sim do que sabe onde a maioria das coisas a levam.
Confessar é dizer tudo em meio termos, não para quem mas para que...
Fumando um cigarro atrás do outro, não sei se os tragos dispersam ou alimentam a melancolia nesse duelo de um. É só mais um veneno para enfrentar esse teu oceano de ego em que navego.
Poemeu que teve logo um pai Poermanos e uma mãe Poelista, ainda não aprendeu a deixar de ser poetista em matéria vidistica, acabou sendo letrista em um mundo elitista.
Mais uma vez a vida deu um jeito de seguir seu rumo. Afastou novamente quem deveria permanecer, levou para outro continente quem deveria estar permanentemente recebendo calor e ser possível todo dia abraçar.
Se ela vai trazer de volta ou não, já não posso dizer, não é possível premeditar.
Já não tenho mais coragem de fazer planos ou simplesmente esperar alguma resolução prévia do que se sucederá.
O destino nunca foi uma caneta possível de se segurar.
Pobre menina que não pesquisa antes de se apaixonar, que sempre esteve a mercê do que virá.
Este chão que desliza enquanto ando, o mesmo solo que pareceu-me um dia ter sido tão fértil.
Esta cabeça de humano tão capaz de pensar, repensar, criar, concluir e deletar.
A caneta jogada nas minhas revistas, ama, traça, rabisca, ensina e como inspira.
Esta arte aberta sobre a mesa que preenche-me e finaliza-me todos os dias.
Este cigarro que conheço desde uma pré-adolescência bem vivida, que afaga a alma e invade com teu gosto amargo de prazer.
Sinto pena de ti teclado, ao receber uma surra diária de boas palavras e assuntos tão sérios, não abandonar-me.
Eu proponho então um brinde a esse pequeno universo.
Era mais um dia de sol, era carnaval quando teu olhar pousou no meu,
como quem não queria nada, enquanto a vida vibrava naquela praça.
Aquele ambiente vivo, alegre e colorido,
novamente teu olhar pousou no meu.
Eu que respondia cada um deles, desfoquei, brinquei, conversei.
Você riu das minhas piadas com um sorriso bobo e uma gargalhada afiada,
foi quando descobri que do mesmo humor se tratava.
Calor de 40º no Rio de Janeiro, procurávamos sombra,
estávamos ali sentados, soberbos e agitados.
Dessa vez, meu olhar pousou no teu,
tua mão pousou na minha,
meu riso caiu no teu e teus lábios permaneceram nos meus.
Olha isso, olha aquilo e a gente ria,
em uma gargalhada infinita,
jurava que aquele dia não acabaria.
Corre para cá, corre para lá,
até que corremos para tua casa,
roupas no chão misturadas,
corpos em brasa,
então deixa a faísca,
nos deixamos pistas,
para quando precisarmos,
corrermos um para o outro,
com fôlego de quem quer e faria tudo de novo.
O tal do si.
Às vezes tudo que você precisa é um de espaço seguro para manter o foco em si, redirecionar a atenção, o cuidado, o investimento do grandioso tempo, para si.
Às vezes o “si” , se colide com algo que poucas pessoas conseguem enxergar, mas o segredo é manter essa janela para si. Se o outro quiser ver, que a destranque e a abra.
O “si” é um espaço sagrado, é o lar, o refúgio das almas inquietas que estão a todo momento lutando para não transbordar e quando ela vaza de “si”, se torna instantaneamente vulnerável.
Às vezes é necessário parar, olhar ao redor e dar uma pequena vasculhada no “si” e investigar se realmente é ali que ele pertence, para que ele não se perca e o “si” permaneça onde se deseja e onde se cresça.
Não há como negar que a expressão 'nada como um dia após o amanhã' é raramente utilizada e frequentemente observada. No entanto, de que adianta o amanhã se não houver mudanças significativas em meu hoje?
O local mais propício para expressar suas lágrimas é sob o chuveiro, um espaço acolhedor e quentinho que proporciona um momento de reflexão, onde apenas você tem plena consciência das suas dores.
"Quando a Chuva Fala"
Cai a chuva, em verso manso,
como quem canta um velho canto,
que embala a terra em doce transe
e lava o tempo do seu pranto.
O som que faz é quase abraço,
um sussurrar de acalentar,
batendo leve no telhado,
como se a vida fosse ninar.
E o cheiro... ah, o cheiro vem
como lembrança de outro dia,
de pés descalços na infância
e alma limpa de poesia.
Cheiro de chão, de folha e vento,
de coisas simples, sem demora,
de tudo aquilo que é eterno
e cabe inteiro numa hora.
A chuva chega sem pedir,
mas deixa tudo mais bonito.
O som, o cheiro, o existir —
num instante infinito.
Cansaço Invisível
Carrego um peso que ninguém vê,
um nevoeiro denso dentro da mente,
um grito calado que não se desfaz,
ecoando em silêncio, eternamente.
Pensamentos correm, não sei pra onde,
me perco entre eles, sem direção.
O corpo presente, o espírito ausente,
a alma em queda, sem explicação.
Sorrisos ensaiados, olhos cansados,
respostas automáticas, gestos vazios.
Acordo cansado, durmo inquieto,
num ciclo sem pausa, frio e sombrio.
Queria um descanso que fosse profundo,
não só do corpo, mas do mundo em mim.
Um colo, um tempo, um recomeço,
onde eu me encontre — e diga: "enfim".
Páscoa em Silêncio
As flores renascem, a mesa se enfeita,
mas há um vazio entre os talheres.
A cadeira vazia diz mais que mil palavras,
emudecendo os risos que já foram plenos.
A Páscoa chega com promessas de vida,
de recomeços, de fé restaurada.
Mas dentro do peito, uma cruz invisível
carrega lembranças mal cicatrizadas.
O som das crianças, tão doce, tão leve,
não alcança o canto onde a saudade mora.
E os sinos, que tocam chamando alegria,
ressoam em ecos de quem foi embora.
O coelho não veio, o ovo não importa,
se a ausência aperta feito espinho.
A ressurreição é para os fortes — ou santos —
eu apenas caminho, sozinho.
Mas ainda assim, entre sombras e dores,
uma vela insiste em não apagar.
Talvez Páscoa seja isso, no fundo:
esperar a vida… mesmo sem enxergar.
Durante um período de grande turbulência, é necessário que uma grande quantidade de sabedoria e discernimento seja empregada nas situações que surgem. Quando alguém não tem a quantidade mencionada, precisa produzi-la em uma busca interior muito profunda, inclusive recorrendo ao Eterno. Para que isso aconteça, é importantíssimo que haja um domínio próprio elevado, uma capacidade extra e imediata de lidar com o estresse atípico que surge, pois cada decisão é crucial para quem deseja passar pelo caos e ainda transformá-lo em algo que o fortaleça.
Para cozinhar não precisa praticidade no começo, mas sim amor para tornar prático e um dia virar prático!!!!
Cozinhar não é um dom no começo, mas vira praticidade e dom com o tempo, então, cozinhe para judiar a sua família.
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