Quanto Vale um Abraco
Um Deus para rezar
Uma prece pra pedir
Um milagre pra salvar
Dez manhãs pra refletir
Dez amanhãs pra refletir
Par de brincos e um adorno,
Uma foto três por quatro,
As pantufas, as polainas,
Enlace firmado em contrato.
Seus sussurros versus meus urros
No aposento alagado,
Um acervo apinhado,
A morada do que marcou.
Par de brincos e um adorno,
Uma foto três por quatro,
As pantufas, as polainas,
Enlace firmado em contrato.
Seus sussurros versus meus urros
E você me vence,
Perco Feliz.
Encharcado e remendado,
Bate o arrependimento,
Desbarrancado e resgatado,
Que pende e não decai.
Tornando a remoer,
O que foi abandonado,
Rever o insuperável
Sendo superado.
Seus sussurros versus meus urros
E você me vence,
Perco Feliz.
Contudo, se o ato de amar liberta,
Cumpro minha pena livre.
Sou um condenado,
Obrigado a responder em liberdade.
Absolvição de um Pecado Imperdoável
Perdoe-me Pai.
Peço desculpas Senhor todo poderoso,
Peço que me absolva Deus meu, porque errei,
Um erro imperdoável (inaceitável).
Transgredi o mais importante,
Grandioso e definitivo mandamento
E como se não fosse o bastante,
Violei também o segundo maior,
Aquele que o teu próprio filho proclamou.
Mas não espero que me perdoe,
Não espero perdão, por cometer
A mais grave dentre todas as faltas,
Porque meu pedido não é sincero,
Não, não o é.
Se me entregasse à sinceridade,
Expondo-lhe tudo aquilo que interiorizo,
Lhe confessaria que descumpri
Os mandamentos mais sagrados,
Pois acurralado por meus sentimentos,
Não pude defender-me e cedi.
Cedi ao que me foi avassalador,
Dominante, devorador, atropelante,
Predominante, preponderante.
Cedi a Ela.
Entreguei-me a Ela.
Vendi-me a Ela.
Engrandeci, amadureci, desfaleci,
Me restitui por Ela.
Te amei mais do que me amei.
Te amei mais do que ao próximo.
E em meu pecado imperdoável
Te amei mais do que a Deus
E sobre todas as coisas.
Contudo, se o ato de amar liberta,
Cumpro minha pena livre.
Sou um condenado,
Obrigado a responder em liberdade.
Te amei mais do que me amei.
Mais do que ao próximo.
Mais do que a Deus.
Mais e sobre todas as coisas.
Ps. Absolvição de um pecado imperdoável,
concedida a um condenado respondendo em liberdade.
Esmalte Craquelado
Faiscava mais
Que um colar de strass,
Vinha embriagante
Pruma mente sã.
Vestindo um tubo
Monocromado,
Equilibrando
Em teu scarpan.
Teu esmalte craquelado
É tão vivaz,
Expondo claramente
Aonde estás.
Teu todo abrilhantado
É tão particular,
Expondo claramente
Onde pretende estar.
Vestindo um tubo
Monocromado,
Equilibrando
Em teu scarpan,
Vinha embriagante
Pruma mente sã.
Teu esmalte craquelado
É tão vivaz,
Expondo claramente
Aonde estás.
Teu todo abrilhantado
É tão particular,
Expondo claramente
Onde pretende estar.
Ter sensibilidade
em um terreno brutal,
é caminhar na linha tênue
entre o sofrimento
e a libertação.
Rima sobre Rima
(ou a Monografia Senil
de um Inovador Ultrapassado)
Do barulho infernal,
Ao brilho cegante,
Energia estridente,
Dissipada em instantes.
Nós somos as massas
E as minorias,
Saboreamos o bônus
E as consequências.
Fomos barbárie em harmonia,
Trouxemos uniformidade e conflitância.
Regamos os buquês floridos da melancolia,
Eufóricos desenfreados, anatomistas.
Portamos as causas e as epifanias.
Éforos da argumentação,
Baboseiras intimistas,
Infinitas.
Estratagemas, pilherias,
Ardis e trapaças,
Emboscadas, astucias,
Arapucas, ciladas.
Declives severos
Nessa nossa investida,
Um passo atrás,
A cada novos passos,
Florida Idiotice Alada Na Era dos Rasos.
Somos suntuosos borrões,
Corajosos apavorados,
Expostos assim de repente,
Na vitrine um vapor dispersado.
Reviravolta
Um exaustivo
Sobe e desce
E vice versa.
Segue acima,
Prossegue abaixo,
Degraus disso,
Degraus daquilo.
O impacto dos calçados,
Em madeira, taco compensado,
Concreto, piso emborrachado,
Sortidos revestimentos e tal.
Perdurou assim por um longo tanto,
Antes e após, punhados de anos,
Até que a escada se cansou
De ser solo, chão ignorado,
Prostrado em desencanto,
Estática imutável vegetante.
Esperou um instante,
Levantou renovada,
Um atrevimento repleto,
vibrante,
Chocando paredes e teto,
Saiu dando cambalhotas,
Escada arrojada,
Escada rolante.
Poema sobre Cereja
Faça-me um favor,
Apenas silencie, emudeça.
Estou farto de desafios,
Da vasta e incontinente
Diarreia moral.
Escala de Ascensão ?
Num mundo onde jamais
Houve equilíbrio na balança,
Como é possível pronunciar
O termo merecimento.
Que diabos é isso ?
Eis o resumo,
Do que vivi até agora.
Desta sacada em diante,
Só quero os frutos,
Desejo exclusivamente, retorno.
Cansei de investir para nada.
Pegue seus obstáculos,
Degraus, metas e objetivos,
Enrole-os com carinho,
Entroche-os, reto corrugado adentro.
Se existe coisa mais bela no mundo,
Que um sorriso bobo,
Inda não encontrei.
Caso não queira-me como teu,
Deixe-me ficar com tua pena,
Já que não voo, nem me vou,
Poderei ao menos permanecer,
Respirando
Alto,
Floreando
Amores.
Principessa minha.
Ela ainda não sabia,
Mas era dona da matéria-prima,
Com que os encantamentos eram feitos.
Permita-me,
Converter-te no próprio amor
E o amor próprio,
Que se ame.
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