Quanto Vale um Abraco
MASSA CORONAL
Catastrófica erupção solar
Que um dia irá tostar,
Torriscar,
Estorricar,
Transformar
Em torresmo
Sem dar tempo
Do tenesmo,
O evacuar sequer,
Do macho e da mulher,
Na configuração dos tempos
Por vir,
E há quem já esteja a parir
Na alma feita tormentos,
Os tão amaldiçoados eventos.
Tudo o que há no mundo
Em absoluto ou profundo
Na hecatombe prevista
De uma morte nuclear,
Nada se pode comparar
Ao astro-rei,
Daquela força escaldante
Do queimar do trigo,
Na seca dos rios e dos mares,
No cair da crista das montanhas
E das serras tamanhas,
Num fim evidente
Num futuro presente
De um sono profundo
Do céu à terra
Desde a estratosfera,
Da ligada troposfera
Na mesosfera
De dormirmos a pensar
E, jamais, acordar.
(Carlos De Castro, in Há Um Livro Triste Por Escrever, em 16-03-2024)
DATAS NA CONJUGAÇÃO DO VERBO SER
Era a noite da revolução,
Era o vinte e quatro de um Abril
De lágrimas mil
Num Argoncilhe
Que era mansão
E coutada de gentes
Da delação;
Ainda agora os hão,
Nunca diferentes
E sempre pelo não.
Eram os dezoito de vida
Do rapazola que eu era então.
Era o ano que me dava
E depois me roubava daí por três,
A vida de minha mãe
Que Deus levou e tem
Sem mais porquês.
É hoje, neste mesmo dia
De um vinte e cinco de Abril,
Daqui a tão poucas horas,
Que meu padrinho de batismo
Desce à terra do campo santo,
Fria,
No seu gélido manto.
Lá se foi a alegria
Da festa do simbolismo
Daquela madrugada fria
E ainda hoje eu cismo
Ao defecar na privada,
E de encontro ao já pensado
Pelo meu povo castigado:
"Eles" sorvem tudo
E não deixam nada!...
(Carlos De Castro, in Há Um Livro Triste Por Escrever, em 24-04-2024)
Se algum poeta soubesse
Fazer da palavra um pão,
Talvez no mundo houvesse
Menos fome e opressão.
(in Há Um Livro Triste Por Escrever, em 28-05-2024)
DEFECAÇÕES DE OUTRORA E DE AGORA
Eu era um poeta
Pateta
Sem saber
Como defecar a poesia.
Agora, que julgo saber,
Escrevo sem ser poeta
Só de ver e ler
Como escrevem a poesia,
Defecada,
Com cheiro
Por inteiro,
A nada.
Salvam-se alguns da fornada.
Quase como fúnebre elegia,
A mim, só me apetece dizer:
Ó arte da fantasia
Do pensar e escrever,
Minha irmã poesia,
Diz-me: se és tudo, ou nada!
(Carlos de Castro, in Há um Livro Triste Por Escrever, em 23-09-2024)
ABRENÚNCIO Ó ALMAS PENADAS E OUTRAS PANADAS
Naquele tempo
De um tempo
Em que não havia tempo
Para pintar,
Eis que veio uma mão suja
Com bico de coruja
Das tintas dos tempos
E dos tormentos
Que dava só em pensar...
Teimosa mão pintou
Na tela do meu peito
Uma vereda de árvores negras
Onde copulavam pegas
A torto e sem direito
Num sentido único que ficou
A ser como que metamorfose
De um destino feito osmose
Mesmo sem água,
Só mágoa
Ao natural,
Nada de solvências de sal...
Ainda hoje eu mostro este peito
A quem queira ver a pintura
Que aquela mão suja e impura
Gravou para sempre sem jeito
Este quadro malfeito
De uma vereda de árvores negras
Onde copulavam pegas
A torto e sem direito.
(Carlos De Castro, in Há Um Livro Tão Triste Por Publicar, em 08-07-2025)
Mulher!
Que sejas sempre lembrada,
Não apenas por um dia,
Mas no dia a dia...
Que sejas festejada,
Não por Convenção,
Mas pelo seu Valor,
Sua Força e seu Coração.
Que sejas Respeitada,
Com todo carinho,
E todo AMOR...
Hoje, Amanhã e Sempre!
Feliz Dia Da Mulher Moçambicana.
•|[UMA DICA]|•
— Todos nós temos um mentor na vida, aquele que se acha mestre de si mesmo, é o melhor aluno de um eterno idiota.
Depois da perfeição não existe um ou qualquer outro porém, o que é perfeito não tem "mas e se" ou é, ou não é!
Quando o coração dói.
Há um nó na garganta, um sufocamento no peito, um peso, um vazio, um vácuo no coração, o corpo fica pesado, parado, estático, te cansa até de ficar deitado, andar dói o corpo, os músculos, há uma falta de sede, uma falta de ar, há um vácuo no peito, há um nó na garganta, há um desconforto no estômago, cabeça não pensa direito, fica tudo lento, tudo confuso, tudo que se quer é o escuro, nem música anima, nem passear fascina, nem ver gente simpatiza. Nem mesmo o eu se estima.
Não se abandone, não se deixe de viver, não se deixe de cuidar-se.
O coração dói por vários motivos, sei disso, mas insista em recomeçar mesmo sem motivo, mesmo sem amigos, mesmo sem conhecidos, você precisa fazer isso, independente de não haver sentido, motivo.
Procure sentir o que você precisa para sair disso, para saber quais são seus novos reais motivos.
Escrita para viver.
Todas as teorias concernentes à vida tornam-se inúteis quando você se dá conta de que ela é um palco e o espetáculo não está sob sua direção.
Se todas as vezes que um homem ou mulher errar, nós nos dirigirmos a eles com o dedo em riste, certamente estaremos a quilômetros e quilômetros de Cristo.
A vida é uma VIAGEM, o destino é uma ESCOLHA, a Semeadura é um TRANSPORTE e a Colheita é o PONTO FINAL.
“A vida é um banco onde creditamos as sementes de nossas escolhas para colhermos com juros e correções no futuro”
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