Quanto mais me Conheco Fernando Pessoa
Ver todo mundo avançando enquanto você parece parado é uma das dores mais comuns (e mais silenciosas) da vida adulta.
Crescimento interno não dá pra postar no Instagram, mas é o que mais sustenta a gente quando chega a hora de avançar de novo.
Sábado à Noite/poema
Hoje o dia foi mais tranquilo —
mas o trabalho, cansativo,
mil pensamentos querendo sair correndo
pela porta do serviço.
Vontade de ir embora,
mas o medo da instabilidade
segura meus passos
como âncora no peito.
E no meio do barulho das tarefas
surge o sonho antigo:
abrir meu próprio negócio,
ser dono do meu tempo,
da minha coragem,
do meu caminho.
Foi um dia corrido.
Relógio apressado,
mente acelerada,
coração dividido.
À noite cheguei em casa mais leve,
mas não vazio.
Pensando em mudar de cidade,
por não ter amigo nem parente
onde estou agora,
achando a cidade tão chata,
tão silenciosa demais.
Fui ao posto,
na conveniência comprei
uma coxinha e uma coca —
pequenos confortos de sábado.
Na esquina, perguntei do hospital.
Particular. Pago.
E lá veio de novo a pergunta
que nunca dorme
onde está minha estabilidade?
No meio de tudo isso,
só queria alguém para desabafar,
uma conversa sincera na madrugada,
um ouvido que ficasse.
Mas não encontrei.
Entre sonhos e contas,
entre vontade e medo,
o sábado termina
quieto por fora,
barulhento por dentro.
Tenho observado mais do que falado.
Palavras são baratas; atitudes, essas sim, revelam o caráter escondido entre frases bonitas.
Percebo que muitos afirmam verdades que não vivem e defendem valores que abandonam na primeira conveniência.
Diante disso, o silêncio tem se tornado uma escolha, não uma ausência.
Quem observa aprende mais do que quem apenas reage.
No barulho das opiniões, a coerência é rara.
Por isso tenho preferido escutar, analisar e guardar conclusões comigo.
Nem todo pensamento precisa virar debate; alguns precisam apenas virar consciência.
Às vezes, o silêncio é a forma mais honesta de lucidez.
A autoridade mais respeitável não nasce do cargo, mas da retidão com que o homem conduz a própria vida.
O rio segue seu curso.
O rio leva, consigo, seus peixes.
Leva-os para cada vez mais fundo.
Há rios em desuso.
Há outros que atravessam o mundo.
Vi e vivi muitas vezes.
Par Deus, que água gelada!
É quente, mas também fria.
Que peixes lindos!
De onde são vindos?
Cadê a dama que, nos meus dias de glória, para mim sorria?
A água está gelada, muito gelada.
O Sol aquece o rio;
O rio esquenta.
Por que não aparenta?
O que ocorreu para haver o desvio?
Os outros reclamam da água quente.
Afirmar-lhes-ia que está gelada.
Engraçado o que cada um sente.
Está gelada.
Para mim, já se manifesta congelada.
Não vejo evolução no mundo! Cada dia as pessoas estão mais robotizadas e submissas, as pessoas e coisas! Doentes mentalmente. Acho que quem lutou contra a escravidão e a ditadura estaria extremamente desapontado com o ser humano de 2025.
Ao longo dos anos, percebemos que as ações das pessoas falam mais alto do que qualquer diálogo que possamos manter com elas, o qual, por sua vez, busca nos persuadir em relação a princípios que nem mesmo elas aplicam em suas vidas.
A esperança de um homem perdido é a última arma de quem já não tem mais nada a perder.
Carlos Alberto Blanc
A competição mais acirrada é consigo mesmo; as demais, quando leais, transformam rivalidade em virtude.
