Quanto mais me Conheco Fernando Pessoa
De Norte a Leste
o meu Meridiano é 75° E,
sei o quanto levo,
Há Latitudes 35°–55° N
vivas quando quero,
E Longitudes 50°–90° E,
e sei o que mereço,
por ter olhar não deixo
perder e não me perco.
Ancestralidade surgida
e guiada por Ursa Maior
pelas amplas estepes
dela tenho nas veias
a ampla memória,
Não permito ninguém
de qualquer maneira
[a minha História],
Ter chegado até onde
cheguei é a real glória.
Onde em cortesia sidérea
a Cassiopeia, Orion e Polaris,
dançam na Via Láctea,
Ali repousa e se inquieta,
e faz venérea porque
busca saber onde estão
as moças da Ásia Central,
porque há algo muito
além do que é desigual.
A lembrança insistente
revolveu ao passado
como chama acesa,
Daqui a pouco todos irão
dançar ao redor da fogueira,
porque dançar e cantar
é preciso quando o peito
se encontra em lamento.
Porque resistir unidos
e celebrar a chegada
da Primavera é de ordem
exclusivamente existencial,
entre memórias, festejos,
maus-tratos e incertos,
Não parar de perguntar,
é a soma dos desejos
até alguma resposta
conseguir me tranquilizar,
quando tudo irá terminar.
Senhora de toda a poesia
Somos de muito longe,
mas não distantes,
Não importa o quanto
tempo demore,
Estamos do lado de dentro
no coração e no pensamento.
O quanto deverei
caminhar e quantos
degraus irei subir,
Não intimida
e nem desmotiva.
A minh'alma feminina
pela tua se encantou,
deseja ser cativa,
e senhora de toda a poesia.
Honre a sua ancestralidade
e o quanto tiveram que caminhar
na vida e cruzar o mar,
para até aqui chegar
e a gente vir a nos encontrar.
Nasceste brasileiro,
aqui é o seu abençoado lar;
muitos gostariam de ter
o privilégio de ter uma Pátria
como a nossa para morar,
onde a guerra de alta intensidade
não teve o poder de nos alcançar.
Sem abandonar quem você é,
não apenas pela influência
do nosso idioma bonito,
não se esqueça que você
nasceu latino pelo convívio,
pela construção histórica
e pelo resultado geopolítico.
E isso acaba moldando
o consciente, o inconsciente
e o seu jeito de se comportar,
sem nada teu subtrair ou erosionar.
Tu tens muito o que se orgulhar,
sem esperar que a satisfação
venha independentemente
de quem está a nos governar.
És filho do Pampa, da Mata Atlântica,
do Pantanal, do Cerrado,
da Caatinga e da Amazônia —
e tens o Oceano Atlântico
para estar com ele à beira-mar.
Todas as vezes que tentarem
as ideias distorcer e nublar,
sempre se lembre que tens
todos os motivos para se orgulhar.
O tempo propício chegou
de um mostrar o quanto um
pelo outro sempre esperou;
e nada nos dessacralizou.
Por adoração e magnetismo
viramos o magnífico vício
de escrevermos o destino:
o calendário não ultrapassou.
Não há um só dia que não
tenhamos vivido: porque
pelas estações nós sentimos.
E sentindo: ipês seguimos.
Com o ritmo das estações
pelos caminhos floridos.
Agosto acenou para mim
com pétalas de Ipê-amarelo
logo que saí de casa cedo,
o quanto ainda te espero
foi o que carreguei comigo.
Não nego que aos quatro
ventos sussurei o meu desejo,
Mesmo sentindo a mudança
de estação no corpo
a cada cinco minutos;
Do jeito que você virá não
tenho nenhum receio,
porque virá para mim inteiro.
O Sol que ainda estava
meio desgosto por aqui
na minha cidade de Rodeio,
fiz dele o meu intercessor
para que me guie pelo teu
bonito caminho de amor.
Quem acredita nas mentiras ditas contra mim é tão culpado quanto quem as inventa,se tem os meios de encontrar a verdade diretamente.
Quanto maior é o teu foco melhor a capacidade de seres explorado na sociedade como eu, não pensa que é ferramenta enferrujada, a vida é um relógio universal que respeita tudo e todos.
Tome nota!
Eu sempre soube que esse dia viria de chegar,
mas não sabia o quanto haveria de doer;
jamais me apegara tanto a alguém,
nem imaginara o quanto poderia sofrer.
Enquanto te tinha, não compreendia
a força do que em meu peito se escondia;
foi somente depois que tudo findou
que a verdadeira falta de ti se revelou.
Agora padeço deste luto sincero,
por aquilo que não mais retornará;
e ao ver-te seguindo por outros caminhos,
torna-se mais difícil de suportar.
E o pior, o mais difícil de tudo,
é aprender, enfim, a te deixar.
Seria egoísmo meu dedicar-te isto,
mas quisera tanto que ouvisses
o que meu coração tem a dizer
e aquilo que em silêncio ainda padeço.
Escondo-me por detrás dos bons momentos,
daqueles que o presente me vem concedendo,
tentando seguir adiante e deixar-te para trás,
enquanto finjo não sentir o que ainda vou sofrendo.
Pois, por mais que a vida me traga novos dias,
e outros momentos me façam sorrir,
permanece em mim a dor de te esquecer,
e aquilo que um dia me fizeste sentir.
Enfim, te escrevo meu último verso,
minhas últimas palavras,
pois não quero mais pensar nisso.
Quero ser como tu,
quero seguir sem olhar para trás,
mesmo que tenha sido eu
quem tomou tal decisão.
Quero te dizer adeus,
e te dizer que, por mais que eu queira,
não irei de voltar.
Então, não olhes para trás
e sede felizes com essas coisas boas
que não sou eu.
Quanto custa ser o que se é? Pergunta besta, mas incômoda. Quem já se olhou no espelho com a suspeita de que o reflexo sabe algo que você insiste em negar sabe: a resposta dói antes de chegar.
A culpa se aloja em cada gesto ousado, em cada palavra engolida, nos silêncios que preferimos. Ela é pegajosa, insistente, um lodo que adere à pele e ao pensamento. A liberdade, por outro lado, chega quase sussurrando e exige preço: ser inteiro, visível, irreversível.
Ser quem se é significa viver com a língua raspando as feridas da própria alma. Admitir que cada escolha, mesmo mínima, é uma cratera na qual a culpa pode se esconder — e que ainda assim, é ali que respiramos.
A culpa se veste de memória; a liberdade, de coragem. Oscilamos entre elas. Algumas vezes, a culpa nos segura pelo tornozelo; outras, a liberdade nos carrega pelo peito, nos atirando contra o céu.
Ser quem somos não é leve. Não é fácil. Não é barato. Mas o preço, cada suspiro, cada nó na garganta — vale mais que fingimento, mais que qualquer paz comprada com silêncio ou complacência.
No fim, o duelo nunca termina.
Mas existe algo de radicalmente bonito em atravessar essa colisão entre culpa e liberdade: sentir cada choque, cada fissura, cada centelha — e ainda assim continuar inteiro, pulsando, crua e irreversivelmente vivo.
A liberdade humana é suficientemente complexa para impedir tanto o determinismo absoluto quanto a ingenuidade moral.
"A promiscuidade é o atestado de falência da alma: tanto o homem quanto a mulher que buscam quantidade perderam a capacidade de honrar a qualidade."
- By - Marcélio Sena
