Quanto mais me Conheco Fernando Pessoa
Guerras não são vencidas em dias ou semanas, e muitos já enfrentaram guerras para si; por que então não pode lutar contra tuas fraquezas, e se tornar tão forte que o teu passado jamais viu?
Um homem persistente sabe que grandes coisas levam tempo... quanto a levar uma vida normal, depende de que normal isto seria, se provavelmente vai estar sempre envolvido em alguma enrascada!
Se superar, o desafio o convida à pensar em contrabalançar, entre a investida na vida com a dilapidação dos momentos, sem se deixar seduzir pela rotina!
"Faço tudo o que tem, com o que tenho, não deixo "uma vida" me levar, de cantar sem música e dedilhando notas mortas de falsos acordes"!
A elevação de consciência demora para a maioria das pessoas porque elas não querem ajudar os outros. Elas acham trabalhoso, desinteressante e inútil.
Através da espiritualidade aprendemos a ler as entrelinhas, enquanto no materialismo mal sabemos soletrar.
A jornada de autoconhecimento começa quando percebemos que muitas vezes preferimos morrer numa prisão conhecida do que viver uma liberdade desconhecida.
"Você não merece o que acredita que merece. Você merece o que entrega ao mundo sem esperar recompensas imediatas".
Se a vida é uma escola, então a reencarnação é o currículo, e o karma, o professor que nos orienta a cada passo.
O desejo de controle sempre gerará Karma negativo, pois ele parte da ilusão do ego de que pode controlar algo que, por natureza, é livre.
"A Torre que tocava o céu"
Construiu-se um dia, em pedra dourada,
uma torre tão alta, tão bem desenhada,
que o próprio céu, em sombra e fulgor,
curvou-se ao seu ápice, tomado de dor.
O rei que a erguia dizia sorrindo:
— Tocaremos os deuses, estamos subindo!
Ninguém mais morrerá, ninguém mais cairá!
Seremos eternos, além do que há.
Mas quanto mais alto se erguiam os muros,
mais fraco tornavam-se os elos futuros.
A torre, tão firme, perdeu sua base,
e o rei, cego em glória, ignorou a fase.
Até que um dia, sem som ou aviso,
uma pedra caiu do paraíso.
Depois outra, e outra, e então o trovão
desfez a torre com a mesma mão.
O rei foi soterrado no brilho que quis,
num império que nunca o fez feliz.
E dizem que ainda, por entre os escombros,
ecoam seus gritos: desejos sem donos.
Pois a queda é o fim de quem se recusa
a aceitar que a alma também tem sua lusa.
A ruína não nasce da noite ou da sorte —
ela é o preço de zombar da própria morte."
