Quanto mais me Conheco Fernando Pessoa

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⁠VAMOS

Anda, linda,
Vamos por aí,
Tu comigo e eu sem ti,
Mais ou menos lado a lado,
Mostrar as cores
Das flores
Que tens
E reténs
Nos anelos
Das pétalas dos teus cabelos.

Vamos descobrir o mistério
Flor linda
Do meu refrigério,
Ainda
Segredo do meu ermitério.

Encosta-te a mim,
Na comunhão do cheiro
Inebriante,
Contagiante,
Que têm as flores
Dos meus amores,
No jardim do cemitério.

(Carlos De Castro, in Há Um Livro Por Escrever, em 23-03-2023)

Inserida por CarlosVieiraDeCastro

⁠REFEIÇÃO

Jamais te convidaria...
Por certo, estás habituado
A comeres mais fartos,
Feitos com amores
E sabores
De repastos
Em outras mesas
De mais certezas
Que a minha, que se vai
E esvai em lavagens porcinas
Feitas comeres
Sem temperos e saberes
Por gentes sem disciplinas.

E neste comer só de olho,
Há quem só coma restolho
Que nos deixam abandonados
Como dejetos de cães votados
Ao desprezo
Em mesas tristes, já fadadas
Para servir ração a um preso.

Sinais puros de vinganças
Todavia, sem esperanças...

Porque eu sou pedra
Sou esta dura vida,
Sofrida,
Senhor,
Que és o tutor
Dos meus atos.

Aqui, comem melhor os gatos.

Muito gostaria,
Mas pelos factos,
Jamais te convidaria.

(Carlos De Castro, in Há Um Livro Por Escrever, em 28-03-2023)

Inserida por CarlosVieiraDeCastro

CEREJAS

Degustava eu um ramo delas,
Quase assim.
Uma mais vermelhas
Ainda de formas fedelhas
De polpa ruim.

Outras, matizadas de branco,
Amarelado,
E eu sou franco,
Deixei as amarelas de lado.

Algumas, de bordeaux vincado,
Mas só cor
Sem sabor
Adocicado.
Poucas mais encontrei
Doces
Ainda que maduras
Apesar de duras
Como o mel melado.

Ia a meter a última à boca
E parei.
Era mais redondinha que as outras
Mas muito vermelhinha
E tinha
Uma outra cerejinha
Pegada à sua barriguinha
Como uma mãe que acabou
De dar à luz,
E quer mostrar a filhinha
Que reluz.

Tive pena de as comer
E num rebate de consciência,
Com exemplar paciência,
Fui metê-las em terra fresquinha:
A cereja mãe e a filha,
À espera que um dia destes
Irão nascer mais cerejas
Assim,
Por mim.

(Carlos De Castro, in Há Um Livro Por Escrever, em 05-06-2023)

Inserida por CarlosVieiraDeCastro

⁠O passado, corre sempre o risco de vir a tornar-se presente, no mais imediato futuro.

Inserida por CarlosVieiraDeCastro

⁠Em tudo o que faço na vida, não copio; sou eu mesmo, na mais pura essência natura.

Inserida por CarlosVieiraDeCastro

O HOMEM DO POEMA

Sempre que escrevia, agoirava:
Não vale nada!
Que poesia mais chanfrada!...

Talvez namoro ou derriço,
Ou grito agudo de lamento
Daqueles que a alma vomita
Numa sensata heresia,
Enquanto lhe resta tempo?...

Mas quando o poema nascia
Na transpiração suarenta
Do corte da placenta
Do filho que foi dado à luz,
Entre coxas de sofridão,
Na mais completa escuridão
Onde só se via a cruz,
O homem chorava então,
Já não agoirava e dizia:
Eis a minha poesia
Tão modesta, tão pequena,
Saída da minha pena...⁠

(Carlos De Castro, in Há Um Livro Por Escrever, em 11-10-2023)

Inserida por CarlosVieiraDeCastro

⁠O coração, em termos de emoção, deve ser sempre o último a escutar.
Nestas ocasiões, vale mais a razão de bem pensar, antes de agir.

Inserida por CarlosVieiraDeCastro

⁠NÃO

Não fui eu que me inventei.
Nem projeto,
Nem desenho,
Apenas mais um da grei,
Pelo que sei,
Um ser de certo dialeto
E, já agora, convenho:
Simples, fiel, muito reto.

Fui na pobreza criado
E nunca algoz de ninguém
E muito menos bastardo,
Quer de pai ou de uma mãe.

Sou apenas o resultado
De um amor de vida a dois.
Com a minha voz se canta o fado,
Com a minha vara eu toco os bois.

(Carlos De Castro, in Há Um Livro Por Escrever, em 11-11-2023)

Inserida por CarlosVieiraDeCastro

TALVEZ UM POEMA MEU DOS MAIS CURTOS

⁠Para mim, não há ano novo
Civil, religioso ou profano,
Quando a fome ataca o povo
No pântano em que me movo,
Neste mundo demais insano.
Quem elaborou o plano
Das horas e do calendário
Que rege o mundo, afinal?
Dizem que foi um mortal
Quiçá um gregoriano,
Papa, de certeza com papa
Garantida todo o ano.
Vieram os contadores dos tempos
Em épocas bem mais remotas,
Babilónias, Egípcias e Chinesas
E para maiores certezas
Perguntem lá ao Hiparco,
O grego que não Aristarco,
Nas matemáticas catedrático,
Se há justiça no relógio
Que marca sem sortilégio
Eu ter de me levantar,
Às três e meia da matina
Há trinta anos volvidos,
Matadores dos meus sentidos
Feita já minha doutrina.
Pobre o povo que continua
Sem ver o sol nem a lua,
Em dias e noites sem nevoeiro.
Não há cesto sem cesteiro,
Um dia, irá ser o primeiro
Da revolta
Presa ou solta,
Do teu ano, por inteiro.

Carlos De Castro, in Há Um Livro Por Escrever, em 30-12-2023)

Inserida por CarlosVieiraDeCastro

⁠Mais vale parar para pensar, que pensar em parar.

Inserida por CarlosVieiraDeCastro

⁠OLHOS D'ÁGUA

Sempre que te olhava
No pranto
Quase como quebranto
Mais que feitiço
No teu olhar em derriço,
Nessa lágrima que brotava
Dos teus olhos d'água,
É que eu compreendi
De vez e a horas,
Que quando ris, choras,
Sempre que eu choro por ti.

(Carlos De Castro, in Há Um Livro Por Escrever, em 30-01-2024)

Inserida por CarlosVieiraDeCastro

⁠A minha calma, visto isso,
faz nervos a muito boa gente.
Vou ter de ser mais nervoso,
para que os outros possam
ter mais calma.

Inserida por CarlosVieiraDeCastro

VELHICE ADIADA
Ombro a ombro, ele mais alto
Que ela, baixa de baixo salto
Numa amarração de vidas
Vividas,
Sentidas
Consentidas,
Que mesmo após a velhice,
A idade da rabugice,
Na cidade aperaltada
No passeio da fama do nada
Lembrando suas paixões,
Lá iam os dois amarrados,
Mirrados,
Num abraço de emoções.
Ei-los, chegados ao lar:
Dois jovens apaixonados
Em tempos de namorados
De corpos novos em brasa,
Lembraram a velhinha casa
Na mais louca das razões,
Os seus beijos de ilusões,
Trocados no seu amar.
A paixão andava no ar,
Já com pouco respirar,
Mas com um louco desejo,
Trocaram um longo beijo,
Ainda por cima,
Sem rima.


(Carlos de Castro, in Há Um Livro Muito Triste Por Escrever, em 16-11-2025)

Inserida por CarlosVieiraDeCastro

Tenho certeza de duas coisas nessa vida: a morte
e que eu e você não tem mais volta

Inserida por ludimila_fer

⁠Então continuo achando que...
Grandes homens gostam de mulheres mais altas.
Grandes homens gostam de mulheres mais velhas.

Inserida por lylitude

Durante a locomoção crie seus próprios sentidos, dê razão a sua parte mais irracional - a emoção. Mas lembre-se que é no coração que está sua maior força e também sua maior fraqueza, então cuidado com os significados que tu crias, mas os crie!

Inserida por dikson_vidal_vieira

⁠O remédio mais eficaz para os males da alma é o movimento físico de alta intensidade.

A vida possui imensos modos de adoecer o coração humano, mas após dias do evento traumatizante, se não houver melhoria decorrente do tempo e da reflexão, é indicado colocar trabalho físico para solucionar as demandas emocionais. A cura de certas dores sentimentais provém do choque dado as emoções prejudiciais ao indivíduo, e a forma de chocar para transformar essas emoções é gerando movimento de alto desempenho, e essa possibilidade está dentro dos esportes intensos, pratique é viverá feliz, pratique e terá paz no descanso.

#Escrita para viver.

Inserida por dikson_vidal_vieira

⁠Por mais inteligente que o indivíduo seja, é importante alimentar o senso de desconfiança dentro de suas rotinas, esse exercício é fundamental para uma vivência mais distante do engano.

Escrita para viver.

Inserida por dikson_vidal_vieira

⁠Autocuidado propícia amor-próprio, amor-próprio gera mais autoaceitação, autoaceitação gera mais autoconhecimento, se conhecer mais gera decisões mais congruentes com nossas necessidades psico-emocional, e tomar decisões mais acertadas com quem somos nos possibilita prazer existencial, e prazer existencial nos possibilita paz interior, e paz interior nos possibilita força para superar desafios, e força para superar desafios nos torna mais competente no lidar com o mundo, e lidando melhor com o mundo nos tornamos mais sábios, e nos tornando mais sábios, nos cuidamos mais.

Escrita para viver.

Inserida por dikson_vidal_vieira

Não é só sobre pensar mais sobre isso.

É sobre sentir e pensar mais sobre isso.

Sentir é tão relevante quanto o pensar.

- Escrita para viver.

Inserida por dikson_vidal_vieira