Quando Sorrimos
Eu interior
A beleza, quando imensa, parece absurda
Enxergada de longe, quase inalcancável
Ela é, na verdade, plenamente realizável
Pela alma, fruto do sonhar, do ser e do estar
De nada adiantariam mil vidas, todas elas
Sendo rotineiras, comuns e pouco vividas
Se o espírito não se elevar, o corpo é vago
Somente a imagem de aparência antiga
A esperança, embora forte, não sobrevive
Sozinha e sem a ambição de fazer o novo
Os atos, muitas vezes estranhos, estes dizem
O que todos buscamos e antes ocultamos
A ficha sempre cai, vem à tona, sem dó
É preferível que haja a chance do pior
Pois só assim a surpresa triunfa poderosa
Quando menos se espera, ela é generosa
Sejamos, então, gratos ao nosso eu interior
Não nos abandonou nas crises frequentes
Soube se mostrar grande e venceu o terror
Que poderia crescer permanentemente.
Aluno apaixonado
Não pode ser coincidência quando a garota que você gosta senta-se ao seu lado em uma sala com outras cinquenta cadeiras disponíveis.
As mulheres unem-se para defender os seus direitos, mas detestam umas às outras quando estão interessadas em alguém.
Quando ocorrem terremotos, tsunamis, erupções... o ser humano percebe que o mundo não gira em torno dele e lembra que a natureza tem força.
O amor é, em linhas erradas, pensar naquela pessoa o tempo todo quando você está sóbrio e, quando não está, por incrível que pareça, pensar ainda mais.
O homem, quando ama, sofre alterações em três níveis: no psicológico, em relação ao que pensa; no emocional, sobre o que sente; e, no corporal, naquilo que ele faz.
A dor acaba
Quando faz calor, modifica o seu jeito
Sempre diz “não” disfarçando o “sim”
O que irão dizer destes fatos isolados
Se agora uso bermuda e não uso jeans?
(Oh, não... não mais)
Será que haverá o paraíso algum dia?
Está tão ruim ajuntar trocados na rua
(Estou caído, caído no chão)
Já perdi o sono umas quantas vezes
Por pensar demais sem pensar direito
Sei que você sabe que estou sofrendo
Ficar muito bem não seria perfeito?
Uma tarde de sol, porém sem praia
Queremos lembrar do que não temos
Poderia ser apenas falta de sabedoria
Mas o que nos restou foi muito menos
A dor mata, a dor castiga
Quem já se sentiu assim
A dor corrói por dentro
E lhe destroça por fim
A dor se vai, a dor volta
Até o adeus derradeiro
A dor conhecemos bem
Nada é tão verdadeiro.
A britânica Susan Boyle levou quase meio século para ser reconhecida como cantora. Quando for pensar que é tarde demais, repense: ainda dá tempo!
Quando você tiver certeza que se livrou de mim, eu surgirei novamente e lhe farei duvidar, pois é na ausência que me faço ainda mais presente e nos seus pensamentos que estabeleço a minha melhor morada.
Bom convívio em sociedade
A sociedade estraga os seus melhores homens
Saiba disto quando estiveres disposto a ser bom
Ao teu lado, urubus querem de ti uma carniça
Se torna perigoso buscares manifestar o teu dom
Tu corres em uma maratona praticamente só
Desviando das armadilhas do convívio social
Percebes nisto que eles almejam lhe derrubar
Com críticas “construtivas” em um teor boçal
Seja forte, autêntico, sublime e surpreendente
Só assim conseguirás calar estas bocas grandes
Tu tens que vencer desafios no espalhar do bem
Notadamente é mais fácil imitar os ignorantes
As pessoas encontram motivos para o confronto
Crenças, etnias, time de futebol, o jeito de olhar
Eleições, roupas sujas, modismos, gosto musical
São poucos os que vislumbrar a paz: vais tentar?
Lhe sugiro que mantenhas a serenidade intacta
Se pegares em armas, tu acabarás desamparado
Não és como eles, eles lhe invejam nas glórias
A difícil missão ficou para o verdadeiro soldado.
Alter ego
Sobre meu alter ego: possui insanidade
É tresloucado e apronta quando aparece
Sendo difícil que ele passe despercebido
Tem bastante gente que já lhe conhece
Eu sou calmo e cauteloso normalmente
Assim, fica nítido que nos diferenciamos
Às vezes, temos confrontos peculiares
E, a cada um deles, mais nos separamos
Ora reina tranquilidade, ora há agitação
Dependendo de qual as rédeas assume
Em um mundo de escolhas antagônicas
Se pode ser bálsamo e também chorume
Ele responde pelos problemas causados
Haja vista que eu não tenho nada a ver
Quando meu alter ego chega, eu sumo
Orando para uma tragédia não ocorrer.
Não tenho nada contra ninguém, porém com frequência o melhor momento do dia para mim é quando estou sozinho com um livro em mãos.
Quando ela entrou no rock bar
Quando ela entrou no rock bar
Eu estava olhando pela janela
Meia-noite e quinze de sábado
Acreditei numa vida mais bela
Todas as ações espalhafatosas
Ao menos refletiam a verdade
Cabeça no lugar não foi o forte
Mas confie: não faltou vontade
É fácil perceber interesse real
Ainda tenho alma e me dedico
Nada espero ganhar em troca
De afeições puras não abdico
Não importa o que pensarão
Jogados num mundo carente
Homens e mulheres imóveis
Gente sem coração de gente
Sim, eu faria tudo outra vez
Devoto das causas perdidas
Um cara estranho a olho nu
Entre as chegadas e partidas
Quando ela entrou no rock bar
Eu estava saltando de alegria
Sem tempo para ver o relógio
Apaixonado por uma melodia.
Um país está miseravelmente doente quando os seus habitantes, aos milhares, festejam a morte de uma figura pública local.
