Quando Morremos Sorrimos
Tudo o que deste sem pedir nada em troca é tesouro que nunca se esgota. O que não te dão quando és tu que precisas, te será convertido em dádivas.
Quando sinto que quero, a pergunta é se posso.
Se descubro que posso, a questão é se devo!
Mas ainda que queira, que possa e que deva,
Não há que esquecer se a colheita convém!
O medo torna bem mais fácil tomar-se algo como conspiração do que como realidade quando envolve paradigmas que queremos manter a todo custo.
Ainda me dizes que te decepcionas? Ó tola carência humana de ser levada a sério, quando tua extensa trajetória já deveria ter-te convencido de que a natureza humana não é séria!
Quando o homem não consegue entender o percurso real entre A e B, ele cria uma trajetória inversa a partir de B repleta de elementos precipuamente reunidos para sustentar sua tese, construindo uma “verdade” à sua imagem e semelhança que se sobreponha a todas as demais.
Quando nos deparamos com uma “verdade” previamente estabelecida, ponderá-la ou apresentar argumentos se mostra totalmente improdutivo, pois que já está decidido em que se quer que acreditemos. E é quando o bom-senso nos recomenda poupar tempo e energia!
Quando descobri a igreja que eu trazia instalada em mim, não quis mais buscar por outra que me cobrasse instalar-me nela.
Passamos a vida inteira ouvindo receitas de como ser feliz, quando a felicidade é tão mais simples que isso: ela acontece quando sentimos alcançada a borda do copo, e o mais que a vida oferece faz com que transborde. Esse algo a mais pode até ser bom, mas vem como complemento em vez de essência, pois que o copo já estava completo.
A alegria é a força mais poderosa que trazemos em nós. Quando nos deixamos abater pela tristeza perdemos a capacidade de acioná-la, tornando-nos ainda mais vulneráveis às forças contrárias que precisam nos manter expostos e enfraquecidos. Urge então direcionar todo nosso esforço para reavivar a brasa interna antes que se apague, e resgatar a chama que nos devolve a energia vital. Como o lótus, ela nos mantém alvos e imunes ao lodo que nos rodeia, despertando o brancor dos demais para que também aflorem à tona e seu perfume inebriante dissipe a fetidez da lama sob suas pétalas.
Sabemos que nos distanciamos de nossa alegria quando lamentar as coisas que perdemos ocupa mais espaço na alma do que a gratidão por tudo que nos proporcionaram.
Os mistérios do universo deixam de nos inquietar quando trocamos a estafante busca por respostas pelo exercício ininterrupto e gratificante de formular as perguntas certas.
Quando trocamos o foco dos nossos dramas pessoais pela amplitude da visão sistêmica, muitas coisas que permaneceram obscuras por muito tempo magicamente são trazidas à luz, permitindo-nos não só compreender cada uma delas como também suas ligações com milhares de outras aparentemente desconexas, mas que trazem resposta para muito do que nos chegou, numa sequência agora inteligível a partir de seu ponto de origem. Mas apenas refazer o caminho percorrido não é o bastante, se não soubermos o que fazer com o resultado. É o processamento adequado da descoberta, neste exato agora, que nos permitirá retomar o curso que deveria ter sido feito, não fossem os desvios que sofreu.
Só é possível entender o tamanho de um fantasma quando uma vida inteira já nos separa de sua aparição e, apesar disso, ele segue nos assombrando simplesmente por ouvirmos falar dele.
O horror da vítima por seu fantasma era tão intenso que, quando seu analista desejou libertá-la dele, ela tomou a decisão de matar o analista.
Odeio quando chega a hora de dormir! Mas que não se pense seja eu portador de algum distúrbio do sono: é que sinto tanto prazer com tudo o que faço, que passar horas na cama - simplesmente dormindo - acabou virando sinônimo de uma enorme perda de tempo!
Fazer é a ação mais inteligente realizada por uma pessoa, quando despreza a má vontade daqueles que, em algum momento da vida poderiam ter sido úteis.
