Quando Morremos Sorrimos
Quando nos empenhamos para manter as aparências, para ficar “bem na foto”, o real motivo escondido em nossa alma é o desejo de sermos aceitos e bem relacionados.
RELVA - CAPITULO 5
Arethusa foi um blefe. Quando perguntei pra Sara qual seria um presente ideal, na verdade eu queria sondar e fazer um pouco de ciúmes nela. .
Bobagem, mas alguns homens fazem isso, o famoso "jogar verde" pra colher maduro. Pra saber se realmente ela está gostando na mesma intensidade. As vezes funciona, as vezes não. Mas sempre é tosco, isso é fato.
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Sara é uma pessoa linda, quando estou ao lado dela meu mundo fica colorido, comparar ela com Arethusa foi surreal, bem mais do que presentear alguém com uma jaca.
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16h12
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- Desapaixonei. Diz Levi reclinado na grama ainda úmida da chuva no dia anterior
- Da professora?
- Sim.
- Que bom Levi, você realmente não combina com ela. - Ah, Sara, somos cheios de amores improváveis, platônicos. - Sim, a gente se apaixona pela lua, de longe, ou pelas estrelas só pelo brilho.
- E o brilho da estrela é só o passado, sempre que vemos brilho, contemplamos o passado, pois elas estão tão distantes que o que enxergamos é a luz do que um dia ela foi. A maioria não existe mais.
- Levi, se a gente for pensar tudo é efêmero mesmo. Só não meu amor por você.
Levi mexeu sua cabeça na direção de Sara tentando enxergar e acreditar no que tinha ouvido, seu coração batia tão forte que ficou com medo que ela ouvisse os tambores dentro do seu tórax - Sara? Repete por favor
- Levi não vou repetir nada
- Você ouve bem até demais - disse ela - escorrendo a mão pela grama entre a cerca até tocar os dedos de Levi. Sara tinha unhas pintadas de preto, contrastando a pele branca leite, não mais branca que a pele albina de Levi. Agora pálido pela declaração.
- Ambos apertaram a mãos antes frias agora aquecendo a ponta dos dedos como um cobertor quente em dia de inverno. O coração de Levi volta ao normal, o de Sara se enche de ar. Ambos deitados na grama apenas ouvem o som das folhas e dos pássaros. Um fragmento bom de uma vida em paz. Juntos ali em seu universo particular
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Levi pensa que acreditei na história da paixão pela Arethusa. Bobo. Eu sei que estamos ligados. .
Nossa vida é assim.
Dias de chuva.
Dias de sol.
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Aproveitemos o hoje
Só temos ele
O eterno, agora.
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CONTINUA
Toda vez que te vejo, ah, eu tento me esconder
Mas quando nos encontramos, parece que não consigo deixar para lá
Toda vez que você deixa o ambiente
Sinto que estou murchando como uma flor
RELVA - CAPÍTULO 10
Quando nos encontramos pela primeira vez depois da cirurgia de Levi, ele ainda de óculos escuros me olhava com tom de surpresa. Até hoje não sei se era um olhar de agrado ou decepção. Dias depois quando não precisava mais usar óculos, Levi me observava sempre como se quisesse me dizer algo. Me deixando até sem graça as vezes. Olhar de contemplação como se eu fosse um quadro estranho ou um fantasma.
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A verdade é que se apenas olharmos, não vemos, ver, requer de fato, um senso de reflexão. Analisar o que vemos e realizarmos nossa própria leitura. De forma geral, a gente vê, o que quer ver
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- Eu te amo - disse Levi. - Oi? respondi surpresa.
Levi tem esses rompantes de surpresa de vez em quando, do tipo de quem pensa alto e acaba falando o que sente.
- Isso mesmo Sara, você ouviu. Das coisas que passei a ver, depois que voltei a enxergar, você é a mais linda. Fisicamente e principalmente de alma.
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Abracei o elogio e Levi com um abraço apertado. Nossos corações batiam juntos
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- Te amo também Levi. Com um amor tão grande que não cabe no meu peito. - Boa Tarde crianças! - disse meu pai como um juiz de futebol interrompendo uma partida. Nos desabraçamos rápido como se tivéssemos 12 anos. Meu pai adora nos ver constrangidos, fazendo graça, é óbvio que ele sabe que eu e Levi temos uma ligação. Mas como ainda não assumimos um namoro formal, pra ele somos apenas amigos. .
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Todo namoro começa com amizade, cumplicidade, carinho. Toda casa bem firmada é construída sobre um bom alicerce .
Quando os alicerces de uma casa se destroem, por mais bem arrumada e mobiliada, em algum momento ruirá
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CONTINUA
Tem pessoas que demoram para entrar na nossa vida, mas quando entram é para ficar. Se é destino ou coisa Divina? Talvez mas, tudo fica mais belo com a sua presença.
Nessa jornada, de tantos, e todos os dias
Pra que ninguém siga sozinho.
Quando a esperança já estiver acabado
Sejam os teus passos, os que não te abandonam
Porque nunca é fácil.
Quando uma porta se fecha, outra se abre.
Acontece que naturalmente olhamos tanto tempo para a porta fechada
que deixamos de ver aquela que se abriu.
Você escolhe onde focar.
Na Porta Aberta? Ou na Porta Fechada?
Decida em qual Porta Focare Se Posicione.
"Depois"
E assim,
Quando todos estiverem atentos
à imensidão do meu vazio,
cortarão, como pétalas,
as folhas solitárias dos meus livros
e lerão o que deixei palavra por palavra.
Frente a frente, cara a cara desses versos,
saberás a origem que expresso
os meus pesos carregados pelos ombros
como as lágrimas mais pesadas dos teus prantos,
quando cito nossos tempos como amigos…
E me abre, diante à flor da poesia,
um desprezo, do segredo à revelia,
expostos por ruídos do desvelo
tão secretos e sentidos pelo medo.
E, então, tu me atinges à memória…
E resgata a minha voz por teu silêncio
quando fechas o livro na lembrança
e abres, no coração, meus pensamentos.
ABORTAMENTO
De João Batista do Lago
Quando eu morri, um deus qualquer me pariu!
Na casa onde parido fui havia duas dimensões:
primeira delas o ventre-rio solitário e escuro;
na segunda parição tive por casa o mundo,
e sem me cortarem o cordão umbilical
vadiei pelos aposentos ‒ já ali sujeito obscuro!
Na primeira casa naveguei todos os sonhos.
Na segunda casa fui jogado para “Outros” monstros:
qual casa, então, devera seguir!?
Hoje percebo a casa que me é original:
hei-me aqui parido como filho primogênito,
expurgado para sempre para a mundidade do mundo.
Nenhuma outra casa existira; fora tudo ilusão
Sou-me de mim a única casa repleta de eus
Todos os meus aposentos revelam-se: meu Corpo
"Aquele que comigo,
quando eu choro, chora
Aquele que comigo dança,
A este jamais direi:
Ora, não me amoles
Porque se como o ferro com ferro se afia
Afia o homem a seu amigo
Isto hoje te digo: Podes me amolar!
Ó Deus, dá que quando entre eu e meu amigo
Houver atrito a ponto de sair faísca de fogo
Que eu não me desaponte porque esse tal
É enviado teu pra que eu não fique cego
Porque cego não vê que sem o esmeril
Se perde o fio, o gume
Quem pode perceber, não perde a comunhão, assume
Estende a mão, aceita
A pedra de amolar"
"É tão bom quando a gente descobre que é o amor da vida da gente.
Aí fica mais fácil entender que não precisamos de aprovação, nem que todo mundo goste da gente, nem de ser linda o tempo todo, nem ter um corpo e cabelo perfeito. A gente entende que o amor é incondicional, você ama simplesmente.. se ama por ser quem é, por errar e acertar , por não desistir e continuar aprendendo , evoluindo a cada dia! "
A gente não tem medo quando ama.
Quando a gente ama compra briga
Compra até jujuba sortida
(Odeio as verdes)
Como que a gente começa algo que nunca viveu?
Aprende. Um pouco cada dia.
Degusta, toca com os olhos...
É, Levi é bom de tato, mas tudo que verá daqui pra frente mudará sua vida.
A visão nos rege pro bem ou pro mal.
Mesmo sabendo que terá uma vida inteira pra aprender, gosto da ideia de fazer parte desses pequenos grandes passos. ( olhares)
É ele é branquelo e aguado (lindo)
Mas mais bonito que antes
Tem um brilho colorido nos olhos dele.
Tá bom eu sei, ele ainda não disse
Mas eu sei que ele me ama.
Eu tive uma idéia boba.
Levi me faz ter as idéias mais engraçadas.
Os sonhos mais fofos
Os gostos imprevisíveis
Acho que a maneira dele me tratar como menina fez com que eu me apaixonasse por ele.
Dia desses ele disse: - Sara fecha os olhos e abra a boca.
- ah lá vem você com essas brincadeiras Levi, o que é agora?
- Vamos, confie em mim.
- não é torta de cebola com pepino né Levi?
- não sua boba.
- tá.
Colocou na minha boca uma colherada de Danone de maçã Verde.
Abri os olhos e olhei pra ele...desejando que visse através dos meus olhos a surpresa. Eu adorava danone, Levi também.
Levi sabia que coisas bobas e simples me conquistavam.
Levarei pra ele danones, falarei da intensidade do vermelho,
Falarei da emoção do verde que nos impulsiona a caminhar,
E da alegria do amarelo que nos traz alegria como o sol,
Levi é meu sol.
Eu sei que qualquer dia desses eu vou dizer que o amo,
Mas vou esperar a hora certa.
Amém, que ele não veja antes da hora
Esse diário,
Que ele fique feliz com os danones
Como crianças com chocotone.
E pizza de peperroni
Amém.
Você é uma estrela cadente, você é o carro da fuga
Você é a linha na areia quando vou longe demais
Você é a piscina em um dia de agosto
E você é a coisa perfeita para se dizer
Quando atravessamos a porta, o fraco ruído noturno das ruas desapareceu e tudo que restou foi um silêncio tão profundo que fazia meus ouvidos zumbirem. Era como entrar em um túmulo.
Pais e mães! Quando seus filhos crescerem, não se torturem tanto com o comportamento deles. Vocês podem educá-los, mas as escolhas e decisões são por conta deles.
