Quando Morre Alguém que Amamos

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Aqueles a quem amamos têm todos os direitos sobre nós, até o de deixarem de nos amar.

A vida é a perda lenta de tudo o que amamos.

Amamos as filhas por aquilo que elas são e os filhos por aquilo que prometem vir a ser.

Podemos odiar aqueles que amamos. Os outros são-nos indiferentes.

Facilmente nos deixamos enganar por aquilo que amamos.

A mulher que amamos só poucas vezes satisfaz as nossas necessidades, pelo que lhe somos infiéis com a mulher que não amamos.

Apenas amamos aquilo que não possuímos por completo.

Perdoamos na medida em que amamos.

Amámos e amámos tanto tempo quanto pudemos até que o nosso amor se consumiu nos dois; o nosso casamento morreu quando o prazer se foi; foi o prazer que fez um juramento.

Quando somos amados, não duvidamos de nada. Quando amamos, duvidamos de tudo.

De entre os seres humanos, apenas conhecemos completamente a existência daqueles a quem amamos.

Só amamos verdadeiramente se amarmos sem causa.

Passamos a vida a mentir, até, sobretudo, talvez apenas, àqueles que amamos. Com efeito, somente esses podem pôr em perigo os nossos prazeres e fazer-nos desejar a sua estima.

Admiramos o mundo através do que amamos.

Somos moldados e guiados pelo que amamos.

Quem sou eu

Sou uma pessoa feliz,
Amo muito a vida
E dela sou aprendiz;
Tenho várias paixões,
Mas, como qualquer um,
Possuo imperfeições;
Se os caminhos desta vida
Ainda não sei de cor,
Pelo menos busco,
A cada dia,
Tornar-me alguém melhor.

Fico triste quando alguém me ofende, mas, com certeza, eu ficaria mais triste se fosse eu o ofensor... Magoar alguém é terrível!

Nunca deixe que lhe digam que não vale a pena
acreditar no sonho que se tem
ou que os seus planos nunca vão dar certo
ou que você nunca vai ser alguém...

Renato Russo

Nota: Trecho da letra da música "Mais Uma Vez"

O amor nasce de pequenas coisas, vive delas e por elas às vezes morre.

Tudo quanto vive, vive porque muda; muda porque passa; e, porque passa, morre. Tudo quanto vive perpetuamente se torna outra coisa, constantemente se nega e se furta à vida.

Fernando Pessoa
Livro do desassossego. São Paulo: Companhia das Letras, 2023.