Quando menos Esperava Voce Aparece

Cerca de 391444 frases e pensamentos: Quando menos Esperava Voce Aparece

BEM-ME-QUER

Demétrio Sena, Magé – RJ.

Quando fores quem pede ou assedia,
por um dia, um momento, pouco importa,
não quem cede, avalia, vê se dá,
serei risos gratuitos pra mim mesmo...
Como quem cumprimenta o próprio espelho,
farei gestos de apupo e reverência,
por achar o meu olho em um olhar
que me dê transparência pra seguir...
Seu amor sem patente nem escala
será santo remédio em minha estima;
meu afeto não rima hierarquia...
Vou deixar a saudade ser mais tua
uma vez, uma lua, um por acaso;
terminar uma flor no bem-me-quer...

Inserida por demetriosena

SOCIEDADES INTERNAS

Demétrio Sena, Magé - RJ.

É profundamente lamentável quando as irmandades ideológicas ou de fé, os grupos de amigos ou confrades e as comunidades familiares decidem, velada ou ostensivamente, conscientes ou desapercebidos copiar a sociedade externa em seu aspecto mais pernicioso: estabelecendo o valor de cada um de acordo com o que possui. Com o que brilha na estampa. Com os favores e as bondades materiais que oferece; as vantagens que pode proporcionar. Às vezes, pelas meras fagulhas de prestígio com que possa beneficiar os potencialmente mais próximos ou mais identificados.
Fica bem mais difícil viver em sociedade, se até os nossos habitats estão divididos em classes e o respeito atende às demandas de conveniências, cotas e participações financeiras nas quais o desfavorecimento dos menos afortunados não é levado em consideração. A injustiça social que gera ódios, conflitos, guerras declaradas ou frias mundo afora, muitas vezes se justifica, injustamente, nas divisões em classes que se afagam ou se digladiam de acordo com expectativas e conveniências ou incômodos e caprichos nas relações mais estreitas.

Inserida por demetriosena

MINHA RIQUEZA

Demétrio Sena, Magé - RJ.

Caminhava para o ponto do ônibus, quando encontrei o Professor Rogério Lopes. Ele saía de uma loja de rações, e carregava nos ombros um saco de trinta quilos. Olhou fixo para mim, pediu que aguardasse um momento e pôs o peso no chão. Feito isto, abriu aquele sorriso largo, me deu um abraço de quebrar os ossos, um beijo no rosto, e disse bem alto:
- Cara! Que alegria ver você! Faz tanto tempo! Ainda bem que sempre o vejo na internet! Leio tudo que você escreve! Não perco nem um texto seu! Obrigado por tantas coisas maravilhosas!
Não conversamos por muito tempo, mas foi um momento especial para mim. Não é todos os dias que nos deparamos na rua, com alguém tão disposto a nos cumprimentar, e com tanta efusividade, alegria sincera e calor humano, mesmo estando com tanta pressa. Também é muito simbólico ver uma pessoa se despojar de seus pesos, desocupar os braços, as mãos e os ombros, para ter o prazer e a liberdade de abraçar um amigo e lhe dizer palavras amáveis.
O Rogério é, de fato, leitor constante de meus textos. A cada vez que publico algo em rede social percebo sua leitura, sua presença, e leio seus comentários ponderados; coerentes; dentro do contexto.
São várias as pessoas que me privilegiam com suas leituras, e às vezes os comentários, mesmo sabedoras de que minhas vindas ao computador são sempre ligeiras e limitadas às postagens e autopromoções como escritor e fotógrafo. Isso resulta poucas retribuições expressas, de minha parte, podendo até me deixar marcado como alguém esnobe ou antipático.
No dia a dia, são muitos os curiosos que me perguntam sobre quanto ganho, em dinheiro, como escritor. Ganho pouco dinheiro. Se não tivesse o meu emprego de arte-educador, pelo qual também não recebo grandes quantias, e alguns trabalhos como fotógrafo de vaidades pessoais e autoestima, passaria por privações com o que angario por escrever, lançar livros e permitir a utilização de meus textos em veículos diversos.
A grande riqueza, riqueza mesmo, que não enche barriga e bolso, como tantos dizem, mas enche minh´alma e meu coração de alegria e desejo de viver, viver muito, para também escrever muito, é tão somente a existência de amigos e leitores sinceros, que me pagam com carinho. Com admiração verdadeira. Com respeito. Com palavras sinceras e a certeza que me fazem ter, de que meus escritos fazem efeito em suas vidas.

Inserida por demetriosena

CPI

Demétrio Sena, Magé - RJ.

A missão de uma CPI é decidir se um crime, quando cometido por um político, mesmo assim é crime.

Inserida por demetriosena

"Sério"
Quando começamos a não gostar de ninguém,
certamente nos cansamos de nós mesmos.
"Nem tanto!"
Pra provar que gosta de alguém, não precisa
puxar o saco, afinal de contas isso dói!...

Inserida por demetriosena

SOLITÁRIA SAUDADE

Demétrio Sena, Magé - RJ.

Quando vejo a saudade que não sentes,
ou a tua nenhuma nostalgia,
minha mente reage ao coração
e resfria os sentidos do meu ser...
Mas a falsa frieza não perdura,
pois o sol do que sinto atinge a neve;
faz a greve do afeto em desalinho
derreter os chavões de minha mágoa...
Eternizo a saudade solitária,
meus ensaios de orgulho são só fases,
frágeis quases que nunca se completam...
Restituo meus olhos pro vazio;
fio bamba da fé na eternidade;
linha tênue de horizonte sem luz...

Inserida por demetriosena

INÍCIO NO FIM

Demétrio Sena, Magé - RJ.

Quando fores a dona das próprias vontades,
tua voz não tiver que soar por um fio,
se não for mais pecado me olhares de frente
ou não for desafio enfrentares meus meus olhos...
A partir do momento em que fores quem és,
mesmo quando quem sou desconserte o teu senso,
teu incenso e teu véu de proteção velada
entre sombra e silêncio; rituais de fuga...
Nesse dia em que achares o tom da canção
para toda menção que a tu´alma fizer
de querer algo mais do que o meu mais ou menos...
Só aí me procures - ou fiques notória;
saberei desbravar os desertos de volta
e compor uma história que nasça do fim...

Inserida por demetriosena

SONHO DE CRISTAL

Demétrio Sena, Magé – RJ.

Desmoronas em mim feito encosta na chuva,
quando as águas invadem as frestas do barro,
feito carro que perde a direção e voa;
cai no abismo profundo e se perde na treva...
Poderias ter tido a brandura comum
dos que saem sem surto, partem à francesa,
têm a delicadeza de fugir aos poucos
pra que a festa não tenha que acabar pra todos...
Mas querias o show da freada no asfalto,
como quem não quisesse quebraste o silêncio,
buzinaste bem alto pra depois caíres...
Desintegras no breu do sentido profundo
que meu mundo não faz ao deixar de ser teu
no andor do meu sonho de fino cristal...

Inserida por demetriosena

REFLEXÕES DE UM PATRIOTA CANSADO

Demétrio Sena, Magé - RJ.

... Quando faço descaso das promessas de um político, há sempre alguém que me fale para dar um pouco mais de crédito ao ser humano. Tudo bem; eu concordo; e mesmo que pareça o contrário, acredito no ser humano. Mas veja bem: o ser humano.

... Se quem não deve não teme, o meu temor da justiça está devidamente justificado. Confesso que devo. Devo e temo. Minha culpa é de nascença. Nunca tive recursos para pagar em espécie o preço da inocência, do indulto nem da razão, nas eventuais questões de justiça.

... A saudade que tenho da ditadura, da qual não tenho qualquer saudade, se resume à ilusão que outrora tive de como seria, especificamente, a nossa democracia.

... Honestidade política é termo redundante. O ser humano tem que optar entre ser honesto ou político.

... Imprensa não dá notícias... vende-as. E para vender notícias, é preciso manipular os fatos até adequá-los à clientela mais vantajosa e rentável.

... A polícia está dividida entre aqueles policiais que apenas prendem, aqueles que prendem e depois aprendem com os que prendem, e os que não prendem, porque já nasceram sabendo mais do que aqueles a quem deveriam prender.

Inserida por demetriosena

MEDO E PREGUIÇA

Demétrio Sena, Magé - RJ.

Um país perde a força quando acaba o brio;
perde o sonho, a coragem de sonhar de novo;
faz o povo calar seus anseios mais seus
e se torna sombrio para quem quer ver...
Uma pátria destoa da canção dos tempos,
quando perde o desejo de gritar bem forte,
crê na sombra e na sorte ou na mão permanente
que se doa e dá tudo pra quem obedece...
Não há céu pro futuro de uma terra vaga;
nem o céu ilusório que as greis disseminam;
doce praga nos olhos dopados de medos...
Ao tragar a preguiça que os poderes servem,
a nação mais potente se desbota e brocha
feito rocha que cede aos açoites do mar...

Inserida por demetriosena

CREDO, AMOR E FÉ

Demétrio Sena, Magé - RJ.

A igreja dirá, quando a sua mente já estiver devidamente rendida, que aquele seu sonho é pecado. Que você viver do seu jeito faz pleno jus ao inferno, e ser exatamente quem é ofende a "Deus"... mas por favor; não aceite os arreios impostos à sua alma, como se você os merecesse por ter nascido e chegado até aqui.
No momento em que a igreja começar a vender para suas dúvidas, angústias e conflitos um "Deus" passional e vingativo contra quem se permite a liberdade, voa e até faz arte, não compre. Não aceite a falsa grife de um ser superior que o fez humano e não aceita sua humanidade. Que amaldiçoa e castiga todo aquele que não se torna uma ovelha em sacrifício permanente. Se tiver que ser assim, prefira compor o grupo dos que seguem à margem.
Não aceite um redil como habitat natural de seus conceitos; como figura ou símbolo de salvação. Escravidão não salva. Subserviência não dignifica. Os redis que se mostram ao pé-da-letra nada são além de ardis para os carentes de bênçãos e milagres que a própria vida já é, e ora disponibiliza ora não, em seus fenômenos, mediante os engenhos também naturais do que chamamos de fé. E esta não é maior nem menor em quem se autoflagela, com mais ou menos sofreguidão.
Desespero e temor do inferno, anulação pessoal e sangria da alma não combinam com fé. Meu respeito a quem busca "Deus" ou deuses, mas como forma de ser feliz, não de trocar um sofrimento por outro. Uma escravidão por outra. Nenhuma escravidão é melhor. Nenhuma opressão é boa, mesmo que risonha e com ares (doentios) daquela paz agoniada e sem paz de quem vê o "diabo" em quase tudo e vive a expulsá-lo com orações sofridas, hinos pungentes, contrição profunda e proibições pessoais.
Tudo perde o sentido se não é por amor. Se não é de vontade livre. Só é fé se for pelo amor; não pela dor... nem pelador... nem apelador. Amor não combina com joelhos que sangram, almas que desistem dos corpos, talentos que se amoldam às ordens e à tirania da vigilância e das lideranças externas.

Inserida por demetriosena

ENTREGA

Demétrio Sena, Magé - RJ.

Quando gosto e confio não escondo nada;
emoções, pensamentos, mágoas nem conflitos;
meu silêncio, meu grito, minhas alegrias,
esperanças, receios, expectativas...
Não me privo de mim pra quem tem meu afeto;
sou exposto, sem casca, pinturas e panos,
nem as perdas e os danos escondo de alguém
que me torne cativo do seu bem querer...
Mostro sonhos, certezas, frustrações e tombos,
ponho rombos, remendos à flor de quem sou
e me dou feito servo por gosto e vontade...
Desembrulho minh´alma, revelo meu corpo,
desnovelo, destampo, desestabilizo
todo senso de aviso, recato e prudência...

Inserida por demetriosena

AQUELA QUE VEM

Demétrio Sena, Magé - RJ.

Quando aquela que vem chegar pra mim,
quero estar preparado pra segui-la;
dizer sim aos seus braços envolventes,
pra que a fila não perca o seu compasso...
Estou pronto e confesso que vivi,
comecei a seguir ao justo encontro,
feito rio que segue o seu percurso
sem confronto e recusa rumo ao mar...
Vejo aquela que vem, mesmo sem ver;
sinto a brisa, o frescor de minha vez,
posso ler entrelinhas desse dia...
Não me queixo do quanto me foi dado,
ganhei tanto passado de presente,
que não tenho futuro a reclamar...

Inserida por demetriosena

CIDADÃO ÍNTIMO

Demétrio Sena, Magé - RJ.

Não me privo de uma boa trama televisiva, quando há, só porque um sujeito me disse, depois que alguém lhe disse após ouvir de outro alguém, que novela emburrece. Nem procuro em outra emissora, o telejornal recomendado por quem desqualifica o daquela, que o desagrada, só porque desagrada ao grupo que ele segue, mas que não é menos corporativa, manipuladora nem politicopartidária, pouco importa para que lado atue.
Livre como sempre fui, posso ver o programa que desejo, no canal que desejo, e saberei desprezar o que fere meus princípios; não os de quem procura depositar na minha conta os seus interesses; ideologias; rejeiçoes; despeitos. Do folhetim ao futebol, do noticiário ao reality show, do filme ao programa de auditório, nada me prende nem assusta. Sei muito bem discernir por minha conta o que será proveitoso, relevante ou não.
No dia em que eu não tiver o controle nem do controle remoto do meu televisor, aí sim; não serei o cidadão pleno que o militante raivoso e pré-moldado se diz, mas está longe; muito longe de ser.

Inserida por demetriosena

HIPOCRISIAS

Demétrio Sena, Magé - RJ.

Quando era membro de uma igreja cristã, fui a pessoa mais hipócrita sobre a face da terra. Para mim, o mundo estava completamente nas trevas; ninguém prestava, se não fosse convertido... em outras palavras, se não fosse como eu. Foi assim que aprendi com o meio, naquele tempo e lugar; foi assim que fui orientado a pensar e agir.
Faz muitos anos que não sou membro de qualquer comunidade religiosa. Mesmo assim, continuo sendo a pessoa mais hipócrita sobre a terra. Entre outros motivos, por me julgar melhor do que os convertidos, mesmo sabendo e não desejando fazê-lo. Sobretudo, por cair na tentação de me julgar a pessoa menos hipócrita sobre a terra.

Inserida por demetriosena

REVIVENTE

Demétrio Sena, Magé - RJ.

Aprendi a crescer quando renasci. Quando voltei do meu fundo e vi que não tinha mais amarras, graças ao projeto pessoal de me tornar exatamente mais pessoal. Ou mais quem sou. Obriguei-me a saber viver, para não ser morto... nem elétrico... falante... notório, até vivo, e mesmo assim morto.
Afiei minhas garras, e como não conseguia sair do coma profundo, fiz o coma profundo sair de mim. Mostrei a cara pro espelho, desafiei meus olhos e disse ao silêncio: estou aqui... não puxei a cigarra... não pare o mundo, porque meu ponto é além... não sei onde, mas é além... ainda não quero descer.

Inserida por demetriosena

A JOVEM DO LOTAÇÃO

Demétrio Sena, Magé - RJ.

Quando a mocinha ruiva e muito bem vestida entrou no lotação, só havia uma vaga para sentar. Um jovem negro que ocupava o assento ao lado se ajeitou para que ela ocupasse confortavelmente a vaga. A moça não quis. Agradeceu educadamente, meio de viés, e permaneceu como estava. O assento logo foi ocupado por outra pessoa.
Era uma viagem demorada e cansativa, e o lotação lotou. As pessoas ficaram espremidas e a moça continuava em pé. Bem depois, um rapaz que desembarcaria no próximo ponto a cutucou pelas costas e convidou a ocupar antecipadamente a vaga. No assento à direita, uma senhora bem idosa, em trajes encardidos e muito pobres, abriu um sorriso muito simpático, de alguns dentes cariados, como se desse boas vindas à moça. Mas a moça continuava bem. Não estava cansada. Outra vez agradeceu educadamente... e de viés.
Mas ninguém é de ferro. Quando o lotação começou a esvaziar, e ainda restava um bom pedaço de asfalto para chegar ao ponto final, onde a mocinha ruiva desembarcaria, mais um passageiro desembarca e deixa um novo lugar, ao lado de um moço forte, alto, branco e metido em trajes sociais. Aí a moça se rende: lentamente se dirige à poltrona, dá um sorriso simpático, seguido de um 'com licença', senta, se recosta e dorme.
Não tarda muito, e o moço bem apessoado sai, de forma bem delicada para não acordar a moça. No mesmo ponto, embarca no lotação um idoso esquelético, visivelmente esgotado e carregando pesados sacos de sucata, que ele catara provavelmente o dia inteiro. Deixa os sacos perto da porta, se dirige à vaga na mesma poltrona da mocinha ruiva, e com expressão de alívio se acomoda, sem demorar também a dormir.
Regidas pelo cansaço, o conforto da poltrona quase macia, o vento da janela e o ruído suave do veículo em movimento, ambas as cabeças pendem, cada uma para o ombro ao lado. É nessa entrega inocente, simbólica e desarmada que ambos seguem viagem para o mesmo bairro, onde moram cercados pelas mesmas realidades diárias.

Inserida por demetriosena

PÃO DE QUEIJO

Demétrio Sena, Magé - RJ.

Quando a lua pousar no seu telhado
pra banhar a janela, o seu olhar,
fazer tudo fluir igual canção
que não é pra se ouvir; é pra se ver...
Deixe o sonho cair no seu agrado;
toda lua precisa ser luar,
ou não pode fluir no coração
nem na doce cantiga de viver...
Ao cair do crepúsculo de outono,
a friagem morninha será beijo
de saudade; profunda nostalgia...
Dê à sua emoção coroa e trono,
beba o céu, saboreie o pão de queijo
que o espaço tempera de magia...

Inserida por demetriosena

COBRA FERIDA

Demétrio Sena, Magé - RJ.

Que me falte o meu dedo indicador,
quando eu der de apontar defeito alheio;
ser pastor de um rebanho imaginário;
rédea, freio, cabresto e corretivo...
Sou as manchas que mostro em verso e prosa,
tenho as falhas compostas por meus dedos,
onde a rosa desperta sou espinho,
teço enredos que visam me salvar...
Só não venha querer me descompor
nem expor meu veneno; armar meu bote;
se não vai me matar, também não fira...
Quando pago pra ver exijo entrega,
quem me prega na cruz tem que saber
que minh´alma devolve cravo a cravo...

Inserida por demetriosena

A PRESSA HUMANA

Demétrio Sena, Magé – RJ.

O mundo será quase perfeito quando a humanidade, ao invés de saltar, aprender a caminhar. A caminhada, mesmo com seus muitos percalços nos permite achar, definir, colher e acumular valores essenciais à formação do caráter tanto pessoal quanto coletivo.
Já o salto, além de nos privar dos desafios que legitimam a chegada seja onde for, empobrece a nossa bagagem – pessoal e coletiva –, pelos valores que largamos ao longo do caminho. Sem a colheita e o acúmulo desses valores, somos pobres de alma; de visão do mundo. Não temos estrutura para ser quem somos, ter o que temos e viver o presente, por absoluta escassez de passado.
É por isso que a humanidade não acerta o passo: porque tem pressa. Tem um medo insano de ficar para trás, motivo pelo qual não caminha. Sempre salta; cai onde ainda não deveria estar, e nos mesmos saltos, retrocede mais do que também deveria.

Inserida por demetriosena