Quando menos Esperava Voce Aparece

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A maturidade começa quando a pessoa deixa de pedir autorização para enxergar com os próprios olhos. Quando abandona o conforto das opiniões prontas e passa a sustentar a própria consciência, mesmo diante da rejeição ou da solidão. Porque crescer também significa aprender a carregar a própria luz sem depender da aprovação da multidão.


- Tiago Scheimann

A maturidade chega quando percebemos que nem toda ausência faz barulho, algumas apenas retiram lentamente a luz das coisas.

Descobri que sobreviver é, muitas vezes, carregar o peso silencioso de continuar existindo quando tudo dentro de nós já desmoronou em cansaço, quando a alma pede repouso, mas a vida insiste em permanecer acesa mesmo entre os escombros.

O coração amadurece quando aprende a suportar o que não pode mudar.

A alma aprende a caminhar mesmo quando o destino desaparece da vista.

O sofrimento, quando não me destrói, me afina, ele remove excessos e deixa exposta a nota grave que sempre esteve escondida.

Quando ninguém me espera, o tempo perde sua educação e mostra que a existência não tem plateia, tem apenas presença.

O vazio não me assusta quando o reconheço, o que me apavora é a tentativa de preenchê-lo com qualquer coisa que não seja verdade.

O homem se perde com mais facilidade quando tenta ser espelho para os outros e se esquece de ser casa para si.

Quando finalmente eu contemplar a face de Cristo, acredito que entenderei que cada lágrima que derramei na terra jamais caiu fora das mãos de Deus.

Algumas despedidas não terminam quando a porta se fecha; continuam acontecendo dentro de nós por anos, em silêncio, como um inverno que se recusa a partir.

Passei tanto tempo construindo muralhas contra a dor que, quando o amor finalmente chegou, encontrou apenas ruínas e portas enferrujadas.

A maior prova de existência não é ser visto, mas continuar íntegro quando ninguém se dispõe a compreender.

A negligência que encontrei na infância não terminou quando deixei de ser criança. Ela aprendeu a crescer comigo. Mudou de rosto, de voz, de silêncio, mas nunca deixou de caminhar ao meu lado.


Há dores que não gritam; elas se infiltram na arquitetura da alma e passam a sustentar tudo o que somos. A minha fez do afeto um território estrangeiro. Nunca aprendi a reconhecê-lo sem antes procurar a ausência que costuma vir depois.


Por isso, amar, para mim, nunca foi um gesto espontâneo. É uma travessia sobre uma ponte construída com tábuas podres. Cada passo parece anunciar uma queda.


Mas existe algo ainda mais difícil do que amar.


É permitir que alguém me ame.


Há uma parte de mim que permanece escondida, como se tivesse sido convencida, ainda menino, de que carinho sempre cobra um preço e de que toda permanência é apenas um atraso para o abandono. Quando alguém tenta atravessar essa distância, meu primeiro impulso não é abrir a porta. É procurar a saída.


Talvez a pior herança da negligência não seja a solidão.


Seja a incapacidade de acreditar que um dia alguém possa olhar para todas as minhas ruínas e, ainda assim, decidir ficar.


Porque existem infâncias que não acabam. Apenas aprendem a respirar dentro do adulto que sobreviveu.


- Tiago Scheimann

Quando a alma se dobra, a fé não a endireita à força, ela a sustenta até que o peso deixe de ser sentença.

Há uma parte de mim que só se organiza quando dobra os joelhos por dentro.

Quando nos deparamos com os questionamentos sobre nossa serventia para as pessoas que amamos, inevitavelmente olhamos para todos os esforços que fazemos ao longo da vida, para as coisas de que abrimos mão, ou não, pelos outros. Buscamos atender às demandas da nossa família, não deixando nada faltar ou, pelo menos, garantindo o essencial para uma vida confortável.

Essa sensação de quem chegou lá, de quem cumpre seu papel, de quem consegue suprir as necessidades, é completamente desconhecida por mim. Eu vivo uma desordem constante. Por mais que me esforce, não consigo fazer tudo o que preciso pela minha mulher, pelo meu filho, pela minha mãe e por mim. Me sinto sobrecarregado, cansado, triste e sozinho. Me vejo em um barco muito grande, movido a remo, e o único que está remando sou eu. Pior do que isso, tenho a sensação de estar remando na direção errada.

Eu nem sequer me sinto bem por me sentir assim. Me acho fraco por deitar e perder uma noite de sono chorando por não conseguir alcançar todos os objetivos ou por ser egoísta a ponto de desejar ter ou fazer algo que não está entre as prioridades da minha família.

No fim das contas, acho que todo homem vive assim, as cobranças, os anseios, as responsabilidades… A diferença é que alguns dias são mais sombrios do que outros e essa noite está demorando a passar.

Quando a fogueira derradeira consumiu o manto dos templários, o esquadro do arquiteto oculto redesenhou o templo na trama da história.
Reno Fioraso

O silêncio das cidades do interior só faz bem quando a mente também está silenciosa!

O poeta é um ser tão egoísta, que mesmo quando ele dedica palavras à alguém, pode estar pensando apenas em si próprio. Ele sabe que soltar as palavras é o “Habeas Corpus” de algumas prisões.