Quando a Gente se Encontrou
Ponte da Amizade
Eu não sou pobre, eu sou sóbrio, de bagagem leve. Se pensarmos, bem, quando você vai comprar algo, não paga com dinheiro, paga com um tempo de sua vida que teve que gastar para ter esse dinheiro. Vivo apenas com o suficiente para que as coisas não roubem minha liberdade. Inventamos uma montanha de consumos supérfluos. Compra-se e descarta-se. Mas o que se gasta é o tempo de vida. Pobres são aquelas pessoas que precisam de muito para viver.
Putin in Puto
O mundo já é um lugar violento em tempos comuns. Quando explode a guerra, os demônios reprimidos passeiam com liberdade. A situação piora para alguns grupos. Exércitos viram máquinas de órfãos e de estupros. Amanheci pensando nas mulheres e crianças da Síria, Iêmen, Nigéria e Ucrânia.
Toda mulher lida com um grau variado de conflito. O inimigo pode falar outra língua e vir em tanques estrangeiros, pode dormir na mesma cama ou até ser um deputado. A civilização fracassou em muitos pontos, porém, em particular, falhamos na defesa da dignidade feminina. Se houvesse um epitáfio da nossa espécie, poderia ser “Aqui jaz o ser humano, que perdeu o dom da empatia”. Em breve voltarei a sorrir e ter esperança. Hoje... está complicado.
Martelo Comunista
O Homem se fez e se faz no trabalho, desde quando um aleijão virou o dedão de lado, pois resultou na pegada da pinça entre dois dedos. Pôde segurar mais bem a comida, pegar as frutas, arrancar as raízes, catar as sementes, os seixos, com o auxílio de uma alavanca em ponto de apoio deslocar as pedras e o mundo, e com o martelo quebrar. Com o cinzel e um pincel, com pigmentos orgânicos e minerais, pintar, e com as mãos levantar as casas.
Dominou o mundo e produziu, perdeu o controle da produção e se alienou, pois quem constrói a casa, faz o pão e a plantação, em geral, não tem teto e até passa fome se vendendo e se acabando no trabalho físico sem ficar com a mais-valia que se multiplica no capital com trabalho alheio.
É a vida, mais menos que bem vivida, mas em si o trabalho deveria dignificar o Homem, quando constrói até a cerca que delimita a propriedade privada que completa o domínio do capitalismo.
É isso que se faz no trabalho, ganham pouco, se exauri e aumenta o capital e garantia da propriedade privada que a delimita e impede o invasor.
O dinheiro e cerca são os símbolos do capitalismo. Assim como o martelo cruzado com a foice o símbolo do trabalho e da sua libertação.
Este hoje, é um dia esquisito, eu quase que acabo me sentindo bem.Quando eu descobrir o mundo, ficarei andando só na borda. Pois tudo que amei, amei totalmente sozinho.
Meu silêncio que agride e a sua ausência que lhe matará. Quando alguém me agride, eu absorvo e devolvo para ele a reflexão.
Assim como desabotoamos e abotoamos olhos, não abotoamos vidas, não quando o abotoar seja o terno que seja eterno.
Como é que eu sei que a vida está aplaudindo a vida ? Quando a vida não quer que a vida passe, viva a vida de tal maneira a desejar a eternidade do instante vivido.
Rua Otávio de Brito
Bateu
Gastura
Das brabas
Que só
De quando
Em vez
Dá
De baixá
Já faz tempo
E quanto
Dá
De lembrá
Como
Era bão
Danado
De bão
Na bera
Do corgo
Sentá
E pensar
Prático Cotidiano e Nítido
Perdi-me dentro de mim
Porque eu era labirinto
E hoje, quando me sinto
É com saudades de mim
E o que podia fazer de mim, não o fiz
Nessa vida em que sou meu sono
Não sou meu dono
Quando me Olho
Muito se comenta a respeito da alienação que a internet e as redes sociais produzem nas pessoas, mas essa alienação já era induzida pela leitura de livros em papel. A questão não é o veículo, livro ou internet, mas a propensão da mente humana em buscar informação e exagerar nisso de modo a construir para si um mundo paralelo mais a seu gosto que o mundo real.
Quando me olho, duvido muito que ele tivesse qualquer neurose em relação a isso. É apenas cânone literário. Dissecar um cânone literário e ver sua relação com a existência humana e geográfica, assim como a relação com o seu tempo é a essência da época.
A questão religiosa mundial tem a ver com um cânone literário e citações. Aleatório ou contextual? É uma razão bíblica, talmúdica e islâmica em jogo.
Inclusive, se você decide demonstrar o que define a religiosidade nacional do futuro.
Na minha concepção desde a infância, pelas minhas observações, a tendência de abrir um livro, música e outros, pegar trechos e interpretação de ordenamentos é uma tendência.
O Homem se fez e se faz no trabalho, desde quando um aleijão mudou para o lado o artelho, e conseguiu a pegada na pedra, alavanca, martelo, machado, faca e o pincel para fazer a casa, plantio ou colheita, e a pintura e escultura na arte, e tirar o som das notas músicas nos instrumentos de percussão, sopro e corda.
Abhyasa e Vairagya
Todos estes objetos da mente são apenas projeções. Somente quando você parar a projeção é que será feliz. Quando a projeção termina, então, apenas a tela permanece e essatela é a mesma, antes, durante e após as projeções.
Quando a mente para, não há projeção, este é o estado de felicidade.
Prática e Desapego
De onde vem os pensamentos?
Quando você imagina, você está construindo imagens e todas as imagens pertencem ao passado. Não se recolha ao passado e não aspire a qualquer futuro. Então a imaginação se vai, e ela não se permanece mais na mente. Os objetos dos diálogos internos, são apenas memórias.
O Gênero Lírico
Ouro Preto não pode parar na Semana da Virada, quando a cidade não dorme com as ruas e praças, igual Paris, ao menos numa noite ao ano, vive em festa.
Há um único show que, é único em cada canto da cidade.
Enquanto isso, até quando dormem, turistas se enriquecem com os juros do Banco Central nas alturas, pois fixados sobre a graça de Deus, que é brasileiro.
No restaurante, O Passo Pizza & Jazz, no térreo do prédio estilo novo rico em frente ao esgoto da Vila, o primeiro e ainda um dos pontos de desfiles dos portadores de dinheiro, a matriz da casa de alforria onde os comensais se deliciam com a boca da boa comida, além dos olhos no prazer de ver e ser visto, além de poder acompanhar o que vai na Bolsa, no bolso e na moda.
Rico ri a toa, se a crise passa longe dele, até na mesa farta e piada sem graça. Segundo Feurback, "o Homem é o come", não pela quantidade, mais pela qualidade.
Quando a esmola é demais até Santo desconfia. Assim, como o Homem que lê muitos autores, embaralha a mente e perde a opinião própria.
Assim como restaurante com muita variedade de comida, por isso é difícil ter tudo, bom é evitar comida a quilo e rodízio de carne, pizza e demais casas do prazer, pois é melhor comer como gourmet do que como um glutão.
Uma casa de prato único, que serve bem os indecisos que não sabem se o mercado trabalha mais bem com títulos à curto, médio ou longo prazo e escolher a comida igual o pão em falta no dia-a-dia.
Nem só de pão vive o Homem, nem com vegetais, pois a proteína animal o fez, assim como o trabalho, no qual se faz e faz pelo uso das mãos, os mais diversos objetos e arte.
Os primatas eram basicamente vegetarianos e comiam frutas, folhas, cascas, raízes, além de vermes e insetos.
Por isso, comiam o dia todo e tinham de andar muito e o apêndice era funcional, para digerir celulose.
Quando deixou as árvores e perambulou na terra, começou a caçar e morar em locas, uma vez que a pouca carne já o mantinha com energia e pela evolução a cabeça cresceu e lhe deu inteligência, articulação do pensamento, voz para se comunicar e as mãos para fazer.
Mente sã em corpo são.
Os vegetarianos radicais que nos perdoem, mas se a maioria abandonasse a carne poderia haver ao logo do tempo a involução do cérebro, se é que drogas, entre elas o celular, não faz crescer o apêndice, assim como voltar a necessidade do dente do ciso, do juízo, que parece que perdemos, para mastigar vegetais duros.
Logo, o Homem, se a carne é fraca, não pode deixar de ser carnívoro.
"Parque do Povo Rico".
A rua, local de caminhada e meditação dos ouropretanos, para gastar energia do ganho fácil de dinheiro acumulado no ciclo de queda e alta do mercado.
Por isso, um arroto nas mesas, ecoam longe. Mas, só eles no jogo da bolsa e do bolso, não perdem se ganham dos dois lados da alegria e tristeza.
O mar não está para peixe, que perde em abundância para o plástico e pode vir temperado de agrotóxico das sobras das safras recordes de grãos, que de um a um enchem o papo dos papas do agronegócio.
Dizem às más línguas que serviço bem feito nem a queda da bolsa resiste, mas tem de ser feito o feitiço com bolsa de grife, pelo fetiche da mercadoria. É tiro e queda!
O Palhaço Pensante
Ao lado do infame
O dia fez-se branco
A noite o fez negro
Quando o fogo avermelhou
A aurora nascente
No fundo da treva o infame nasceu
Com foice e martelo
A estrela morreu
Ventura que aventura
Divididas ilusões da vida
Desengano entre Compensações
Que vê envelhecer
Mas não envelhece
Planos e caminhos de andar
À medida que a têmpora envelhece
À medida que a vida respira
Ao prazo do meu descansar
No tempo do meu pisar
Naquele velho instante
Onde as paredes pareciam caminhar comigo.
Humilhação e Habitar
Eu queria me acabar
Quando
O desespero virar
Lugar comum
Ora direis
Ouvir
Estrelas
Sequer
Pra lá
Olhar
Dizia
O pobre
Diabo
Garrado
No
Celular
Tem lugar
Que
Só é sagrado
Enquanto é silencioso
Mas
Quando o vento passa
Arranha a memória
Até que um dia
A gente volta
E
Já não é tudo
O altar era a infância
O chão
Promessa viva
O vento traz lembranças
Mas
Leva a voz das coisas
Mas
Quando a luz se inclina
Mostra a poeira do tempo
