Quando a Gente se Encontrou
O RASCUNHO DEFINITIVO
(A ilusão de que podemos passar a vida a limpo)
Quando nascemos, trazemos conosco um bloquinho de notas, um lápis e uma borracha.
Ao longo dos dias, vamos anotando nossa história. Algumas vezes corrigimos o que foi feito; outras, apagamos. Muitas vezes, arrancamos uma folhinha inteira para refazer o caminho, e assim o bloquinho vai diminuindo.
Chega um momento em que decidimos comprar um caderno bonito, bem encadernado e com muitas folhas, com a intenção de passar tudo a limpo. É aí que nos damos conta: o lápis já está gasto e sem ponta de tanto usar, e a borracha já nem existe mais...
Por quê?
Porque tudo já estava escrito!
Lu Lena / 2026
CAVALOS SELVAGENS
(Quando o relógio corre mais rápido que a coragem)
O problema é que sempre esperamos que o outro dê o primeiro passo para que possamos dar o nosso; assim, vamos tropeçando em nossas próprias pernas enquanto o relógio voa, com seus ponteiros derradeiros num galopar de cavalos selvagens e misteriosamente imponentes, aguardando o apito para a corrida do nosso tempo.
Lu Lena / 2026
O INTERDITO DO SER
(Quando a resiliência se torna uma cela invisível.)
Muitas vezes possuímos a força necessária, mas enfrentamos circunstâncias tão adversas que nos retiram o direito ao sentir; há uma interdição externa que nos nega essa permissão.
A vida vai passando, e os ponteiros do relógio parecem cavalos selvagens correndo na praia deserta, com sede urgente de um oásis. São como os dias que nascem e morrem: às vezes nos exigem o encilho, mas em outros nos negam o fôlego.
Então, erguemos castelos de resiliência sobre terrenos movediços, dunas disformes e mares agitados. Sob o peso do dever, os ombros aprendem uma postura que não admite o tremor.
Temos, inevitavelmente, a força — essa força bruta, quase descomunal, que nos mantém de pé quando tudo ao redor desmorona. Mas é uma força solitária que ninguém vê; só a gente sente e observa, desprovida de alento.
As circunstâncias são como carcereiras invisíveis que impõem o silêncio aos nossos afetos. É a pressa do mundo, o rigor do papel que desempenhamos, a interdição de quem nos olha esperando apenas a solução, nunca o cansaço. O mundo nos aplaude a armadura, mas ignora a pele que pulsa por baixo dela.
Negam-nos a permissão. Dizem que o sentir é um luxo para tempos de bonança, um desvio de rota para quem tem pressa em chegar. E assim seguimos: fortes por fora, mas com um deserto de palavras não ditas por dentro. Pois a dor que não encontra o direito de ser sentida não desaparece; ela apenas se acumula nas frestas da nossa estrutura, esperando o dia em que a força, finalmente, se canse de ser apenas pedra e reivindique o seu sagrado direito de pulsar.
Porque a vida, tal qual uma vertente de rio, não foi feita para ficar represada em armaduras; ela nasce para contornar obstáculos e, enfim, desaguar no sentir.
Lu Lena / 2026
O PALCO DO SILÊNCIO
(Quando a maturidade dispensa a plateia)
Às vezes, o despertar da maturidade se esconde atrás de um ruído que só tua alma escuta. E, nessa evolução, o teatro está vazio: apenas as luzes da ribalta acesas e as cortinas fechadas, para que esse barulho interno que ressoa no anonimato seja como aplausos no palco de tua existência.
O espetáculo não precisa começar, pois a peça já estava escrita.
Lu Lena / 2026
O VARAL DA ALVORADA
(Quando o sol acorda o que a noite perfumou)
Estendo a roupa no varal e a luz do sol me lembra a fragrância do perfume da noite, acenando-me com um sorriso!
Saí do onírico para o dia que desperta.
Lu Lena / 2026
A ESSÊNCIA DO INTOCÁVEL
(Quando o barro do outro é espelho do escultor cego)
Você é um ser original e único. O que os outros pensam a seu respeito contradiz o que você é, pois eles lapidam de forma grosseira o barro que é a matéria. Esquecem, ou não querem lembrar, de moldar a própria alma, e usam o cinzel rachado — que insistem em colar com fragmentos de seu próprio ego — para tentar esculpir a essência alheia.
Lu Lena / 2026
O CRONÔMETRO DA ALMA
(Quando os dias se perdem no fôlego do tempo)
Os dias estão passando tão rápido que a sensação é de que se transformaram em horas curtas; amanhã serão minutos, depois segundos e, por fim, um suspiro no ar.
Lu Lena / 2026
Paramos de sentir dor quando nossas feridas internas começam a cicatrizar. E aí, a mudança acontece!
Lu Lena / 2026
TERRITÓRIO ESTRANGEIRO
(Quando a extensão oscila...)
A maior solidão é quando não se consegue alcançar a sua própria extensão; vivemos num território limitado. Somos estrangeiros de nós mesmos. É um estado de hibernação, tentando puxar para dentro de si, novamente, aquele cordão umbilical que se esvaiu... E parece que sempre fica oscilando.
Lu Lena / 2026
SER MÃE
(O florescer do amor) 💝
Ser mãe é quando a felicidade vem de dentro para fora, quando a mesma gera e também adota. É o instante em que o corpo ou o destino se abrem para dar lugar a uma existência que, até então, não nos pertencia, mas que passa a ser a bússola de todos os nossos caminhos. 🧭
Ser mãe é, acima de tudo, compreender que o vínculo mais forte não é feito de sangue, mas da presença de ser o porto seguro do filho, independentemente de como esse filho chegou aos seus braços. É o transbordar de uma alma que entendeu que sua maior missão é ensinar seu filho a voar. 🕊️
E há também as mães atípicas, em cujo ventre nasce um anjo sem asas, e para as quais Deus vem acoplar as asas de um de Seus anjos do céu.🧩
É um processo de alquimia emocional: o milagre que ocorre no segredo das células ao gerar, e no encontro de almas que se reconhecem no momento de adotar. ✨
Lu Lena /2026
O SILÊNCIO QUE ACENA 🌬️✨
(sempre quando olho para o céu)
Mãe...
Queria escrever algo, mas acordei com o pensamento solto e disperso de mim. Quando sinto esse silêncio fugidio, não consigo escrever nada, fico oca por dentro e bate um vazio.
É sempre assim. Em especial neste dia que, lá do céu, acenas para mim... 🕊️🤍
Lu Lena / 2026
Não consigo conversar sobre política de maneira saudável quando eu enxergo que a pessoa só está olhando pro próprio umbigo.
Quando a frustração colide com o sucesso;
Pode-se dizer que existem dois caminhos.
Primeiro, o ato de resgatar o tempo.
Segundo, a cruel língua que se usa de ferramenta para impedir o seguimento do que acredita ser ameaçador.
“Senhor, que a Tua vontade prevaleça sobre a minha, mesmo quando o caminho for difícil e o processo trouxer dor.
Ensina-me a confiar sem reclamar, a esperar sem questionar e a permanecer firme mesmo sem entender.
Que eu nunca perca a fé nos dias silenciosos, nem duvide dos Teus planos quando tudo parecer contrário.
Se houver lágrimas no percurso, que elas reguem o propósito que o Senhor preparou para mim.
Eu entrego minhas vontades, meus medos e minhas expectativas em Tuas mãos, porque sei que os Teus planos são maiores e melhores que os meus.
E mesmo que doa, eu aceito… porque descanso na certeza de que há propósito em Ti.”
