Quando a Gente se Encontrou
Quando mudamos por dentro, a escuridão que se encontrava a alma, se veste com a roupagem de luz e a aparência resplandece.
Lu Lena / 2026
Temos que dar valor às pessoas que ficam, quando a dor leva a presença física de quem nos ensinou a amar.
Lu Lena / 2026
O DESPERTAR DAS FRESTAS
Orbitava num mundo cinza
Quando as cores entraram
Pelas frestas
Aí vi a luz.
Lu Lena / 2026
ECO DO SILÊNCIO
(Quando as almas se tocam sem precisar de voz)
Abro a porta do quarto e observo meu filho autista, que adormece no auge de sua juventude — de puro vigor, exuberância e beleza, tanto externa quanto na pureza de sua alma perdida, avulsa e flutuante. Digo em pensamento: "Obrigada, meu Deus, estou me esforçando..."
E aí, ele dá um suspiro profundo, como quem diz: "Eu sei, mãe!"
E seu corpo estremece...
Lu Lena / 2026
GOTEIRAS DA INFÂNCIA
(No chão que a saudade regou)
Quando criança, eu achava que a chuva era o choro de Deus. Hoje, compreendo que aquela visão pueril não trazia goteiras de melancolia, mas sim o orvalho que preparava o solo fértil; essa lembrança desenhava, o tempo todo, o meu chão para que a vida pudesse, enfim, brotar e florescer. Mesmo que, no decorrer desse caminho, alguma flor murche, ela não morre, pois Deus sempre me estende um regador.
Lu Lena / 2026
VIDAS UNIFICADAS
(Quando a paciência se torna a única luz no escuro de uma crise)
Um estouro. Lâminas de silêncio pelo chão. Suspiro fadigado pelo tempo em mais uma crise de um mundo que quero entrar e desconheço. As lágrimas não caem mais. Secaram e deram um nó no peito. Olhar confuso. Coração disparado. Autismo? Vidas unificadas em cores desbotadas em mais uma fase de vida, que já nem sei se é dia ou se é noite, resiliente em só paciência e amor.
Lu Lena / 2026
PÉROLAS DE LUZ
(Quando o pranto se torna constelação)
Cada lágrima derramada, Deus manda um anjo com um cálice para que nela seja transformada em pérola de luz. Com elas, Ele salpica cada estrela no céu, para que, toda vez que olharmos para cima, elas brilhem e nos digam: Deus cuida de você!
Lu Lena / 2026
GRAMÁTICA DO CAOS
(Quando a vida ignora as regras da sintaxe)
O passado virou futuro num pretérito que se fez presentepontuadopor reticências e ponto de interrogação, esperando oavaldo ponto final, nessa jornada da vida semnexoelógicaverbal, o que resta é exclamação!
Lu Lena / 2026
O RASCUNHO DEFINITIVO
(A ilusão de que podemos passar a vida a limpo)
Quando nascemos, trazemos conosco um bloquinho de notas, um lápis e uma borracha.
Ao longo dos dias, vamos anotando nossa história. Algumas vezes corrigimos o que foi feito; outras, apagamos. Muitas vezes, arrancamos uma folhinha inteira para refazer o caminho, e assim o bloquinho vai diminuindo.
Chega um momento em que decidimos comprar um caderno bonito, bem encadernado e com muitas folhas, com a intenção de passar tudo a limpo. É aí que nos damos conta: o lápis já está gasto e sem ponta de tanto usar, e a borracha já nem existe mais...
Por quê?
Porque tudo já estava escrito!
Lu Lena / 2026
CAVALOS SELVAGENS
(Quando o relógio corre mais rápido que a coragem)
O problema é que sempre esperamos que o outro dê o primeiro passo para que possamos dar o nosso; assim, vamos tropeçando em nossas próprias pernas enquanto o relógio voa, com seus ponteiros derradeiros num galopar de cavalos selvagens e misteriosamente imponentes, aguardando o apito para a corrida do nosso tempo.
Lu Lena / 2026
O INTERDITO DO SER
(Quando a resiliência se torna uma cela invisível.)
Muitas vezes possuímos a força necessária, mas enfrentamos circunstâncias tão adversas que nos retiram o direito ao sentir; há uma interdição externa que nos nega essa permissão.
A vida vai passando, e os ponteiros do relógio parecem cavalos selvagens correndo na praia deserta, com sede urgente de um oásis. São como os dias que nascem e morrem: às vezes nos exigem o encilho, mas em outros nos negam o fôlego.
Então, erguemos castelos de resiliência sobre terrenos movediços, dunas disformes e mares agitados. Sob o peso do dever, os ombros aprendem uma postura que não admite o tremor.
Temos, inevitavelmente, a força — essa força bruta, quase descomunal, que nos mantém de pé quando tudo ao redor desmorona. Mas é uma força solitária que ninguém vê; só a gente sente e observa, desprovida de alento.
As circunstâncias são como carcereiras invisíveis que impõem o silêncio aos nossos afetos. É a pressa do mundo, o rigor do papel que desempenhamos, a interdição de quem nos olha esperando apenas a solução, nunca o cansaço. O mundo nos aplaude a armadura, mas ignora a pele que pulsa por baixo dela.
Negam-nos a permissão. Dizem que o sentir é um luxo para tempos de bonança, um desvio de rota para quem tem pressa em chegar. E assim seguimos: fortes por fora, mas com um deserto de palavras não ditas por dentro. Pois a dor que não encontra o direito de ser sentida não desaparece; ela apenas se acumula nas frestas da nossa estrutura, esperando o dia em que a força, finalmente, se canse de ser apenas pedra e reivindique o seu sagrado direito de pulsar.
Porque a vida, tal qual uma vertente de rio, não foi feita para ficar represada em armaduras; ela nasce para contornar obstáculos e, enfim, desaguar no sentir.
Lu Lena / 2026
O PALCO DO SILÊNCIO
(Quando a maturidade dispensa a plateia)
Às vezes, o despertar da maturidade se esconde atrás de um ruído que só tua alma escuta. E, nessa evolução, o teatro está vazio: apenas as luzes da ribalta acesas e as cortinas fechadas, para que esse barulho interno que ressoa no anonimato seja como aplausos no palco de tua existência.
O espetáculo não precisa começar, pois a peça já estava escrita.
Lu Lena / 2026
O VARAL DA ALVORADA
(Quando o sol acorda o que a noite perfumou)
Estendo a roupa no varal e a luz do sol me lembra a fragrância do perfume da noite, acenando-me com um sorriso!
Saí do onírico para o dia que desperta.
Lu Lena / 2026
A ESSÊNCIA DO INTOCÁVEL
(Quando o barro do outro é espelho do escultor cego)
Você é um ser original e único. O que os outros pensam a seu respeito contradiz o que você é, pois eles lapidam de forma grosseira o barro que é a matéria. Esquecem, ou não querem lembrar, de moldar a própria alma, e usam o cinzel rachado — que insistem em colar com fragmentos de seu próprio ego — para tentar esculpir a essência alheia.
Lu Lena / 2026
O CRONÔMETRO DA ALMA
(Quando os dias se perdem no fôlego do tempo)
Os dias estão passando tão rápido que a sensação é de que se transformaram em horas curtas; amanhã serão minutos, depois segundos e, por fim, um suspiro no ar.
Lu Lena / 2026
Paramos de sentir dor quando nossas feridas internas começam a cicatrizar. E aí, a mudança acontece!
Lu Lena / 2026
TERRITÓRIO ESTRANGEIRO
(Quando a extensão oscila...)
A maior solidão é quando não se consegue alcançar a sua própria extensão; vivemos num território limitado. Somos estrangeiros de nós mesmos. É um estado de hibernação, tentando puxar para dentro de si, novamente, aquele cordão umbilical que se esvaiu... E parece que sempre fica oscilando.
Lu Lena / 2026
SER MÃE
(O florescer do amor) 💝
Ser mãe é quando a felicidade vem de dentro para fora, quando a mesma gera e também adota. É o instante em que o corpo ou o destino se abrem para dar lugar a uma existência que, até então, não nos pertencia, mas que passa a ser a bússola de todos os nossos caminhos. 🧭
Ser mãe é, acima de tudo, compreender que o vínculo mais forte não é feito de sangue, mas da presença de ser o porto seguro do filho, independentemente de como esse filho chegou aos seus braços. É o transbordar de uma alma que entendeu que sua maior missão é ensinar seu filho a voar. 🕊️
E há também as mães atípicas, em cujo ventre nasce um anjo sem asas, e para as quais Deus vem acoplar as asas de um de Seus anjos do céu.🧩
É um processo de alquimia emocional: o milagre que ocorre no segredo das células ao gerar, e no encontro de almas que se reconhecem no momento de adotar. ✨
Lu Lena /2026
O SILÊNCIO QUE ACENA 🌬️✨
(sempre quando olho para o céu)
Mãe...
Queria escrever algo, mas acordei com o pensamento solto e disperso de mim. Quando sinto esse silêncio fugidio, não consigo escrever nada, fico oca por dentro e bate um vazio.
É sempre assim. Em especial neste dia que, lá do céu, acenas para mim... 🕊️🤍
Lu Lena / 2026
Não consigo conversar sobre política de maneira saudável quando eu enxergo que a pessoa só está olhando pro próprio umbigo.
