Quando a Gente Pensa
Uma das coisas que a vida me ensinou é que tem gente que demora para amadurecer.
E quando acontece, já está podre.
Bom mesmo é a gente ter certeza de que não precisa da autorização nem da aprovação de ninguém para continuar fazendo o que se gosta.
Que a gente possa viver feliz sem precisar:
esperar a sexta;
esperar o verão;
esperar as férias;
esperar o sapo encantado.
Para que a vida não perca o gosto, acho que a gente só precisa:
Se aventurar,
Fazer coisas novas,
Conhecer pessoas,
Aprender sempre algo novo.
Descobri que gosto de gente bagunçada
Que não anda na linha
Que não se encaixa
Que fala e age de acordo
Que é o que é
Ponto.
A gente era tão igual e tão diferente
E brigava tanto
Mas era claro que a gente se amava
Mas é claro que a gente ainda se ama
Eu sempre lembro de você, pai
Se estivesse aqui, hoje teria bolo
Não é mais aniversário que se diz
Depois que alguém já não está mais
Mas ainda dá tempo e jeito
De ser lembrança
Memória
Carinho
E afeto.
Parabéns assim mesmo, pai!
O que nos falta é sangue nas veias. Aquela coisa, sabe, que faz a gente se sentir vivo e atuante. Estamos cada vez mais apáticos. Cada vez mais mornos. Lembro de como reagia se alguém se metesse com um de meus irmãos. Como ficava se alguém se atrevesse a insultar qualquer um dos meus amigos. Como era atrevida e ousada ao defender um estranho que sofresse uma injustiça.
Hoje tudo pode. As pessoas tornaram-se anestesiadas.
Pois é...Se o desaforo não bater a nossa porta, está tudo bem.
Não temos mais garras e dentes. Nos tornamos moralmente gelatinosos. A nossa honra e integridade são de uma plasticidade assustadora. Fazemos vista grossa com a injustiça sofrida pelos outros. Economizamos nas defesas. Somos seletivos ao tomar partido. A maldade alheia não incomoda. A voz alta. A falta de educação e tato ao lidar com crianças ou animais. A crueldade.
Que espécie de seres nos tornamos, por Deus?
Pergunto mil vezes. Mil vezes sem resposta.
Tanta gente bacana no mundo e você sofrendo por causa de um cocô que aprendeu a andar e saiu da privada.
A gente carrega tanta coisa
No bolso
Na carteira
No casaco
Na mala
No porta luvas...
Para se proteger
Do acaso
Da dor
Do infortúnio
E se esquece de viver...
Sempre preocupados
Olhando para os entulhos
Que carregamos
E que por fim
Nos tornamos.
Meire Moreira
Vara de pescar a gente oferece a quem está cansado. Para quem está com fome, a gente oferece um peixe."
