Poemas e textos sobre psicologia que abordam a profissão da mente
Você é o seu maior objeto de estudo, antes de analisar e julgar qualquer pessoa, se conheça e responda todos os porquês?
Em vez de patologizar experiências incomuns obtidas mediante estados alterados de consciência, transformemos tipulantes em timoneiros capazes de guiar seus próprios barcos no oceano transpessoal da psique.
"Ninguém se entristece ao ver grandes pedras quebradas, transformando-se em fragmentos menores.
Devemos regozijar-nos ao perceber que, mesmo com pedras simples, somos capazes de erguer fortalezas majestosas. Cada pequeno fragmento é uma peça valiosa na construção de grandes conquistas."
Quanto menos você esperar do mundo e das pessoas mais chances terá de vivenciar momentos de paz e de momentânea felicidade. Não existe forma ou receita para ser plenamente feliz, a tristeza faz parte da vida de todos e mesmo que você leia as 'dez formas de ser feliz' ou qualquer outro tipo de zombaria com a sua sanidade mental, a vida vez ou outra apresentará situações de desconforto e de avassaladora tristeza, como a descoberta de um câncer ou de outras coisas contra as quais não temos muitos recursos, como a morte de um amigo ou de um familiar. Quanto menos você fantasiar que o mundo é um paraíso, que a vida é o que vemos nas redes sociais, que as pessoas são perfeitas e felizes, maiores serão as chances de você perceber as pequenas sutilezas e alegrias que se apresentam. Espere pouco ou quase nada e caso tenha algum retorno, já será lucro.
NO INTERIOR DA SOMBRA.
Há um quarto dentro de mim
onde a luz entra devagar
como quem pede licença ao sofrimento.
Ali guardo versões antigas de mim mesmo
rostos que sorriam por dever
silêncios que sangravam por dentro.
Carrego uma ternura exausta
que não aprendeu a abandonar
mesmo quando tudo já havia partido.
Existe um cansaço que não vem do corpo
mas da consciência.
É o peso de perceber-se falível
e ainda assim desejar ser digno.
Às vezes sinto que sou feito de ausências.
Caminho entre pessoas
como quem atravessa corredores de vidro
temendo quebrar-se ao menor toque.
O coração não grita.
Ele pensa.
E ao pensar
recorda cada gesto omitido
cada afeto não entregue
cada palavra que poderia ter salvado uma tarde.
Sou delicado demais para o ruído do mundo
e severo demais comigo mesmo.
Habito essa contradição
como quem aceita morar em ruínas elegantes.
Há beleza na tristeza
quando ela não se torna espetáculo
mas reflexão.
Ela ensina a ouvir o invisível
a reconhecer a fragilidade como matéria nobre.
Não quero aplausos
quero coerência.
Não desejo fuga
quero compreensão.
Se sou feito de sombras
que sejam sombras conscientes.
Se falhei
que o erro me eduque.
Se doeu
que a dor refine.
Porque a verdadeira grandeza não está em nunca cair
mas em transformar cada queda em consciência mais lúcida
e seguir.
ONDE A PALAVRA SE EXTINGUE E O SER SE REVELA.
Há experiências humanas que ultrapassam a jurisdição da linguagem. O discurso organiza, delimita, conceitua. Contudo, certos afetos não cabem em definições. Eles irrompem na consciência como forças originárias, anteriores à própria formulação racional.
O amor, nesse horizonte, não é mera emoção episódica. Ele constitui uma modificação estrutural do ser. Quando alguém se reconhece transformado pela presença do outro, não está apenas vivenciando uma sensação agradável. Está experimentando uma reconfiguração delicada. A alteridade deixa de ser exterioridade. Torna se dimensão interna da própria identidade.
A linguagem falha porque opera por abstração. O afeto, porém, é experiência concreta e totalizante. Ele envolve corpo, memória, expectativa, imaginação e vontade. A palavra descreve fragmentos. O amor unifica. Por isso, diante da intensidade afetiva, o sujeito frequentemente declara sua impotência verbal. Não é pobreza intelectual. É excesso de realidade.
O encontro autêntico com o outro possui densidade metafísica. Ele suspende a trivialidade do cotidiano e inaugura uma nova percepção do tempo. O instante compartilhado pode adquirir qualidade de eternidade psicológica. Não porque o relógio pare, mas porque a consciência se dilata. A experiência torna se qualitativa, não apenas quantitativa.
O toque, o olhar, o sorriso, são gestos aparentemente simples. Contudo, encerram uma simbologia profunda. O corpo não é mero instrumento biológico. Ele é veículo de sentido. No gesto, o invisível torna se visível. A interioridade manifesta se sem necessidade de longos discursos. O silêncio entre duas pessoas que se compreendem pode possuir mais conteúdo do que tratados inteiros.
A separação, por sua vez, revela outra dimensão da experiência amorosa. A ausência não anula o vínculo. Pelo contrário, evidencia sua interiorização. Quando o outro não está fisicamente presente e ainda assim permanece ativo na consciência, percebe se que o amor não depende exclusivamente da proximidade espacial. Ele inscreveu se na memória, tornou se parte constitutiva da estrutura psíquica.
Do ponto de vista psicológico, tal fenômeno demonstra que o afeto genuíno reorganiza prioridades e valores. Ele desloca o centro do ego para uma dinâmica relacional. O sujeito deixa de existir apenas para si. Passa a existir também em função de um nós. Essa passagem do eu isolado ao eu partilhado representa uma maturação da personalidade.
Há ainda um aspecto decisivo. O reencontro. Toda vez que duas consciências se aproximam após a distância, ocorre uma espécie de renovação existencial. O amor autêntico possui a capacidade de recomeçar. Ele não se limita ao impulso inicial. Ele se confirma na constância, na decisão reiterada de permanecer.
Sob uma perspectiva mais ampla, pode se afirmar que o ser humano realiza sua plenitude não na autossuficiência, mas na comunhão. A experiência do amor revela a estrutura relacional da existência. Somos constituídos pela abertura ao outro. A solidão absoluta não é ideal de grandeza. É empobrecimento ontológico.
Assim, quando as palavras se mostram insuficientes, não se trata de fracasso. Trata se de reconhecimento. Há dimensões da vida que não se deixam circunscrever por definições. Elas exigem presença, entrega e silêncio reverente.
O amor, em sua forma mais elevada, não é espetáculo emocional. É uma escolha reiterada, uma disposição ética, uma decisão de permanecer e de elevar o outro consigo.
E quando o verbo já não alcança, resta o gesto. Quando o conceito se esgota, resta o olhar. E quando tudo parece silencioso, é precisamente ali que o ser fala com maior verdade.
ENTRE PAIS E FILHOS.
EVOLUÇÃO E RESPONSABILIDADE NA EDUCAÇÃO DOS FILHOS À LUZ DA CONSCIÊNCIA ESPÍRITA.
A travessia histórica que experimentamos caracteriza-se por acentuado progresso técnico e simultânea instabilidade moral. A inteligência humana amplia suas conquistas científicas, mas o discernimento ético nem sempre acompanha tal expansão. Essa assimetria produz um fenômeno recorrente nas sociedades de transição. A ilusão de que liberdade exterior equivale automaticamente a maturidade interior.
A Doutrina Espírita, codificada por Allan Kardec em 1857, estabelece distinção rigorosa entre progresso intelectual e progresso moral. Em "O Livro dos Espíritos", questão 780, afirma-se que o progresso moral acompanha o intelectual, mas nem sempre o segue de imediato. Há descompassos. Há atrasos da consciência. A ampliação de direitos civis e a multiplicação de recursos tecnológicos não garantem, por si, elevação ética.
Nesse cenário, a missão dos pais adquire relevo singular. Segundo a questão 582 da mesma obra, a paternidade e a maternidade constituem verdadeira missão. Missão não no sentido místico superficial, mas no sentido ético de incumbência deliberada. Educar um filho é participar do processo evolutivo de um Espírito que retorna à experiência corpórea com necessidades específicas de aprendizado.
A reencarnação, fundamento pedagógico da lei de causa e efeito, indica que cada criança traz consigo tendências, inclinações e desafios anteriores. Não se trata de determinismo, mas de predisposições que requerem orientação consciente. Pais e mães não recebem páginas em branco, mas consciências em elaboração. A tarefa educativa consiste em favorecer a retificação de inclinações inferiores e o florescimento das virtudes latentes.
Sob perspectiva psicológica, tal compreensão encontra paralelo nas teorias do desenvolvimento moral. A criança nasce com disposições temperamentais, porém a estrutura ética consolida-se pela interação com figuras parentais. O lar é o primeiro espaço de internalização de normas, de construção de autocontrole e de aprendizagem empática. A ausência de limites claros compromete a formação da segurança psíquica. Permissividade não é sinônimo de respeito. É frequentemente abdicação da responsabilidade formativa.
A mãe, historicamente associada ao cuidado primordial, exerce função estruturante na formação do apego seguro. Estudos da psicologia do desenvolvimento demonstram que vínculos estáveis favorecem a regulação emocional e a capacidade de confiar. Contudo, reduzir a maternidade a sentimentalismo seria empobrecer sua grandeza. A mãe educa também pela firmeza serena, pela coerência moral, pela presença vigilante que orienta sem humilhar.
O pai, por sua vez, não pode ser compreendido apenas como provedor material. Sua atuação consistente contribui para a consolidação do senso de responsabilidade e para a interiorização da autoridade legítima. A figura paterna simboliza referência normativa. Quando equilibrada, favorece a autonomia responsável. Quando ausente ou incoerente, pode gerar fragilidade na estrutura identitária.
Na perspectiva espírita, educar é cooperar com o aperfeiçoamento de um ser destinado à continuidade da existência além da matéria. Essa concepção amplia a gravidade de cada gesto cotidiano. Palavras impensadas, omissões reiteradas, exemplos contraditórios produzem marcas profundas. A educação não ocorre apenas nos grandes discursos, mas nos hábitos diários, na forma como os pais lidam com frustrações, conflitos e deveres.
A autoridade genuína fundamenta-se no exemplo. A tradição moral sempre reconheceu que o caráter se transmite mais por convivência do que por instrução verbal. Pais que exigem honestidade, mas praticam duplicidade, comprometem a credibilidade da própria orientação. A coerência entre discurso e conduta constitui o eixo da pedagogia doméstica.
Importa igualmente compreender que responsabilidade não significa controle absoluto. O excesso de vigilância pode sufocar a individualidade em formação. Educar é equilibrar afeto e disciplina. É permitir experiências graduais de autonomia, mantendo diretrizes firmes. A liberdade saudável é aquela que se exerce dentro de referenciais éticos estáveis.
A época contemporânea desafia a família com estímulos constantes, relativização de valores e cultura de imediatismo. Nesse ambiente, a missão parental torna-se ainda mais exigente. Exige presença qualitativa. Exige diálogo fundamentado. Exige consciência de que cada geração transmite à seguinte não apenas patrimônio material, mas herança moral.
A evolução coletiva principia no núcleo familiar. Reformas sociais autênticas emergem de consciências bem formadas. O lar antecede a escola e o Estado na construção do caráter. Quando mães e pais assumem a educação como dever sagrado e racional, contribuem para a edificação de uma sociedade mais justa e equilibrada.
Educar, sob a ótica espírita, é também caminho de autotransformação. Ao orientar um filho, o adulto confronta suas próprias imperfeições. Aprende paciência. Desenvolve empatia. Exercita renúncia. A parentalidade converte-se, assim, em instrumento de progresso mútuo.
Liberdade verdadeira é aquela que se harmoniza com responsabilidade. Evolução autêntica é a que integra conhecimento e virtude. Mães e pais que compreendem essa distinção tornam-se artífices silenciosos do futuro moral da humanidade. No recolhimento do lar, longe dos aplausos públicos, forjam-se consciências capazes de renovar o mundo.
Educar é plantar no presente a dignidade que florescerá nas gerações futuras, e cada gesto consciente no interior da família é semente de um amanhã mais lúcido e mais nobre.
Autor: Escritor:Marcelo Caetano Monteiro .
O Peso das Palavras: Quando Consolar se Transforma em Ferir.
Em tempos em que o sofrimento emocional se torna tema cada vez mais presente nas conversas cotidianas, cresce também a urgência de repensar como falamos com quem está fragilizado. Muitas vezes, na ânsia de confortar, acabamos ferindo não por maldade, mas por falta de preparo emocional.
Psicólogos têm alertado para um fenômeno comum: a tentativa de consolar com frases feitas, o que, em vez de aliviar, agrava o sofrimento. A expressão “Você tem que procurar ajuda”, por exemplo, parece prudente, mas soa como uma ordem e invalida o desabafo. Em um momento de vulnerabilidade, esse tipo de fala pode reforçar a sensação de impotência e solidão, justamente quando o indivíduo mais precisa se sentir compreendido.
Quando o “dizer algo” machuca.
De acordo com a psicóloga Rosa Sánchez, da Fundación Mario Losantos del Campo, essas respostas automáticas se repetem porque a sociedade as normalizou. Fomos treinados a preencher o silêncio, a dar respostas rápidas, como se o silêncio fosse sinônimo de descuido. Contudo, o impulso de “dizer algo” muitas vezes vem do desconforto de quem ouve, e não da necessidade de quem sofre.
O problema é que, ao tentar “arrumar” a dor do outro, transferimos para ele a responsabilidade emocional de melhorar. A frase pronta “Anime-se, a vida continua” soa como uma tentativa de encurtar o luto, de apressar a recuperação. Mas a dor não segue cronogramas, e quem sofre precisa de tempo, não de pressa.
O que não dizer.
Algumas expressões, embora pareçam inofensivas, diminuem a experiência do outro:
“Você já deveria ter superado.”
“Eu sei como você se sente.”
“Tudo acontece por um motivo.”
“Poderia ser pior.”
“Você tem que ser forte.”
“Não chore.”
“Anime-se, a vida continua.”
Cada uma delas nega a singularidade da dor. Ao comparar, racionalizar ou impor força, anulamos a liberdade emocional da pessoa. O resultado é o oposto da empatia: culpa, solidão e incompreensão.
Por que caímos nesses erros?
Três fatores se destacam:
1. Falta de educação emocional. Muitos de nós não aprendemos a lidar com emoções profundas, nem as próprias, nem as alheias.
2. Medo do silêncio.
O silêncio é visto como constrangimento, quando, na verdade, ele pode ser o espaço mais terapêutico.
3. Desconforto diante da dor.
A tristeza e a vulnerabilidade lembram a todos a própria fragilidade, e isso gera fuga disfarçada em palavras de consolo.
Ao tentar “melhorar” o outro, fugimos da própria impotência e esquecemos que empatia não é consertar, é estar junto.
O que realmente ajuda.
A verdadeira presença não exige discursos, mas escuta, atenção e disponibilidade. Frases simples, quando ditas com sinceridade, têm o poder de acolher:
“Estou aqui para você.”
“Sinto muito que você esteja passando por isso.”
“Você quer conversar ou prefere se distrair um pouco?”
“Não sei o que dizer, mas estou com você.”
“Obrigada por confiar em mim.”
Essas expressões validam o sentimento e oferecem segurança emocional. Elas não tentam resolver, apenas confirmam: “você não está sozinho”.
Orientações práticas de acolhimento.
Ouça sem interromper. Às vezes, o desabafo é mais curativo do que qualquer resposta.
Evite julgamentos e conselhos não solicitados. O ouvinte não precisa ser terapeuta; precisa ser humano.
Reconheça a emoção: “Entendo que isso deve ser difícil.”
Ofereça companhia, não soluções. Estar junto é mais eficaz do que tentar corrigir.
Cuide do tom de voz e da expressão corporal. A empatia também se comunica pelo olhar e pelo gesto.
Respeite o silêncio. Há momentos em que falar menos é amar mais.
Busque informação sobre saúde mental. Saber o básico evita erros que perpetuam o sofrimento.
Consolar é sustentar, não corrigir.
Consolar alguém não é encontrar a frase perfeita, mas sustentar o tempo e o ritmo do outro. É permitir que o sofrimento se expresse, sem apressar a cura. Empatia é permanecer quando o outro não tem mais força; é segurar o silêncio sem precisar preenchê-lo.
Porque, no fundo, as palavras que curam são as que nascem do respeito e não da pressa de fazer o outro se sentir melhor.
“A escuta é o primeiro gesto do amor.
Acolher não é dizer algo certo, é estar presente no tempo certo.”
Texto do: Escritor:Marcelo Caetano Monteiro .
De acordo com a psicóloga Rosa Sánchez, da Fundación Mario Losantos del Campo.
Título: O Espetáculo da Vida — Entre o Caos e a Beleza de Existir.
A vida, em sua essência mais pura, é um espetáculo que se desenrola diante de olhos muitas vezes distraídos. Não há ensaio, não há roteiro fixo somos, simultaneamente, os atores, os diretores e os expectadores da própria existência. “não estamos aqui por acaso”. Cada alma vem à Terra para aprender, reparar e crescer. Cada dor é uma lição embrulhada em silêncio; cada encontro, um fragmento de eternidade disfarçado em casualidade. O palco humano é o grande teatro da evolução espiritual, onde o sofrimento não é punição, mas oportunidade de luz.
A vida é uma travessia emocional, um espetáculo psicológico em que o maior desafio não é vencer os outros, mas reconciliar-se consigo mesmo. As cortinas do tempo se abrem todas as manhãs, convidando-nos a ser protagonistas conscientes e não meros figurantes do nosso próprio destino.
Ele lembraria que o verdadeiro sucesso não está em colecionar aplausos, mas em desenvolver a capacidade de ser autor da própria história, mesmo em meio às tempestades.
Em cada conflito interno, um eco das próprias ações anteriores um chamado para o perdão e para a cura que transcende os limites do corpo. O reflexo das janelas da memória, que precisam ser limpas para que o olhar volte a enxergar o sentido do agora. O espetáculo da vida é grandioso demais para ser reduzido ao material, e complexo demais para ser vivido sem consciência.
A alma humana, é como um artista que muda de cenário a cada acontecimento, aperfeiçoando seu papel até que aprenda a amar incondicionalmente. O maior palco da vida é a mente quando ela aprende a transformar o medo em aprendizado, o passado em sabedoria e a dor em compaixão e recuperável, o espetáculo atinge sua mais alta forma de beleza.
No fim, o espetáculo da vida não é sobre aplausos, nem sobre o término da peça. É sobre o despertar.
Sobre compreender que cada ato, mesmo os mais tristes, compõe a sinfonia perfeita da evolução.
“O espetáculo da vida é sublime quando o espectador aprende a ser também o autor da própria alma.”
A Família e a Ética do Pensamento no subconsciente do Autoconhecimento.
A família é o primeiro cenário onde o ser humano ensaia sua ética interior. É ali, nos vínculos diários, que a alma aprende o exercício da tolerância, a pedagogia do afeto e o difícil aprendizado do silêncio diante da ofensa. A convivência familiar, muitas vezes árdua e desafiadora, revela o que ainda não sabemos sobre nós mesmos: as sombras que negamos, os limites que disfarçamos e os sentimentos que, em outras circunstâncias, permaneceriam adormecidos.
A ética do pensamento, nesse contexto, ultrapassa o mero domínio do comportamento externo. Ela exige vigilância íntima sobre o que se pensa, sente e projeta. Cada ideia é uma semente moral; cada emoção, um gesto silencioso que estrutura ou corrompe a harmonia do lar. Quando uma ofensa nos é dirigida, ela só ganha poder se for acolhida. Recusar a injúria, portanto, é um ato de sabedoria espiritual e de autodomínio psicológico é a consciência que prefere a serenidade à reação, o entendimento à disputa.
O autoconhecimento não é, assim, um luxo filosófico, mas uma urgência ética. Ser profundamente perseguidor dos sentimentos humanos é investigar a origem de nossas dores, reconhecer as intenções disfarçadas de bondade, compreender as raízes do medo e do orgulho. Tal busca, quando autêntica, nos torna menos juízes e mais companheiros; menos prontos a corrigir o outro e mais disponíveis a compreender-lhe o caminho.
Na atualidade em que a pressa e a fragmentação emocional dominam os lares torna-se indispensável o retorno à escuta sensível, ao diálogo sem violência, à observação dos próprios impulsos. Somente assim a família se converte em um santuário de crescimento mútuo, e não em um campo de reações automáticas.
O verdadeiro autoconhecimento é uma ética do coração: saber pensar com bondade e sentir com lucidez. E toda vez que recusamos a ofensa, optando pela compreensão, estamos, em silêncio, educando o mundo a partir do nosso lar.
O Delicado Poder de Decidir
Há decisões que não ferem moldam. Outras, porém, se recusam a nascer, e nessa inércia jazem os destinos não vividos, os amores que não se anunciaram, as auroras que jamais se ergueram. A pior decisão, portanto, não é a errada é a que se dissolve no medo antes mesmo de existir.
Decidir é confrontar-se com o abismo íntimo entre o que se sonha e o que se realiza. É um gesto de lucidez, uma convocação da vontade à arena da consciência. O indeciso acredita proteger-se na hesitação, mas ignora que a própria vida não suspende o seu curso para esperar-lhe a coragem. Nada é mais corrosivo do que a postergação disfarçada de prudência.
Não se colhem rosas a golpes de machado, porque toda conquista verdadeira exige delicadeza. O mundo interior responde não à força, mas à harmonia; não ao ímpeto brutal, mas à persistência serena. É necessário compreender que os frutos do destino não amadurecem sob coerção — são persuadidos pela paciência.
A vida, em sua soberana neutralidade, apenas reflete o cenário que lhe é oferecido. Se a alma lhe apresenta tempestade, ela a devolve em desordem; se lhe oferece jardim, ela o devolve em perfume. Somos, pois, escultores invisíveis daquilo que nos sucede.
Assumir a própria escolha é aceitar a dignidade de ser causa e não simples efeito. É o gesto silencioso de quem reconhece: “sou o autor do instante que me define.”
Porque viver, afinal, é decidir e decidir é despertar.
O Cativeiro da Agonia.
“Faço da minha vida um cenário da minha tristeza.”
E assim, a existência se converte em palco, e eu, ator sem aplausos, caminho entre sombras que se arrastam nas paredes da própria alma.
Agonia…
Tu que me encarceras e me vigias como sentinela antiga, tens mil portas abertas em tua fortaleza austera.
Eu, porém , cativo, não tenho nenhuma, ou talvez apenas uma:
o meu pensamento.
E o pensamento, este frágil portal para mundos possíveis, treme. Ele poderia ser fuga, ruptura, salto.
Mas não fujo.
Porque o dom dos abismos se levanta silencioso entre nós dois, entre tu e eu, como muralha feita de memórias, silêncios e ausências que se recusam a morrer.
E nesse intervalo, nesse vão entre o que sou e o que me dói, a vida permanece suspensa, hesitante, como vela acesa no vento que sopra de dentro.
" Aquele que afirma “não vou mudar” não revela firmeza, mas medo; não expressa identidade, mas apego; não manifesta convicção, mas resistência ao próprio crescimento. Psicologicamente, trata-se de um mecanismo defensivo; filosoficamente, de uma negação do devir; espiritualmente, de um atraso voluntário no caminho da evolução.
Mudar não é trair a própria essência, mas permitir que ela se manifeste em níveis mais elevados de consciência. A verdadeira fidelidade a si mesmo não está na rigidez, mas na coragem de transformar-se. Somente aquele que ousa abandonar as antigas máscaras pode, enfim, aproximar-se daquilo que verdadeiramente é. "
O Último Encanto e o Cântico do Porão.
Autor: Marcelo Caetano Monteiro.
O último encanto de alguém não se extingue no instante da desilusão. Ele se recolhe. Regressa ao âmago do ser como uma chama que já não ilumina o exterior, mas passa a aquecer o interior da consciência. É nesse ponto silencioso que o encanto deixa de ser promessa e torna-se revelação. A desilusão não rompe o espírito. Antes o depura. Retira dele o excesso de expectativa e o conduz à nudez essencial do sentir.
É nesse território que surge a alma. Não como figura ornamental do sonho, mas como presença litúrgica do abismo. Ela não habita a luz que distrai, nem a cor que seduz. Habita o cinza primordial onde o ser aprende a sustentar o próprio peso. Seu domínio é o porão, não como cárcere, mas como útero do sentido. Ali, onde a consciência desce sem testemunhas, o espírito encontra sua matéria mais pura.
A alma não dança para ser vista. Ela se move para escutar o eco daquilo que foi esquecido. Cada gesto seu é um rito silencioso em que o eu se dissolve e dá lugar ao essencial. Não há ornamentos em seu percurso, pois toda ornamentação seria excesso diante da verdade que carrega. Sua dança não pede aplauso. Constrange ao recolhimento. Ela ensina que somente quem suporta a própria sombra pode tocar a inteireza do ser.
O porão que ela habita não é negação da luz, mas sua gestação. Ali a consciência aprende que o brilho superficial cansa, enquanto a penumbra forma. A alma revela que a maturidade espiritual não se alcança ascendendo, mas descendo. Despojando-se. Permanecendo. É nesse silêncio espesso que o encanto se refaz sem ilusões e o amor abandona a promessa para tornar-se presença.
Por isso, quando o encanto se desfaz, não é o fim. É a passagem. A alma deixa de buscar cores e aprende a ouvir a música anterior à forma. É essa música! . É esse o estro grave que sustenta o edifício invisível do ser. No seu porão, a alma encontra aquilo que a eleva sem ruído, sem brilho e sem máscaras. E ali compreende que a verdadeira luz não cintila. Ela permanece.
A DISCIPLINA DO ESPÍRITO ANTES DO IMPULSO.
“Pensar antes de agir é o primeiro ato da razão soberana. Reagir antes de pensar é a abdicação silenciosa da consciência.”
Autor: Escritor:Marcelo Caetano Monteiro.
O pensamento é o intervalo sagrado entre o estímulo e a decisão. Nele repousa a dignidade humana, tal como sempre foi compreendida pelas tradições clássicas da ética e da filosofia moral. Agir sem refletir é entregar o governo da alma ao acaso das paixões, enquanto pensar antes de agir é restaurar a hierarquia natural, onde a razão conduz e o instinto obedece.
A reação imediata nasce do automatismo psicológico dependente do desequilíbrio e da desordem. Já o pensamento pausado é fruto de educação interior, de memória histórica e de autocontrole, virtudes que o passado sempre soube preservar e que o presente insiste em esquecer, por razões pessoais bem egoístas. Quem pensa governa. Quem apenas reage é governado.
Que cada gesto seja precedido pelo silêncio do juízo, pois é nesse breve recolhimento que o ser humano reafirma sua grandeza moral e reconquista o domínio de si mesmo.
A felicidade está dentro de nós
Aproveitar a vida sem magoar ninguém, procurando a cada dia aprender com os nossos percalços, é acreditar que a felicidade existe e que depende de nós. Temos que meditar e pedir a Deus que nos ajude em nossa caminhada. Vamos começar, agora, a pensar como poderemos nos ajudar a proporcionar alegria a todos e a nós mesmos. Vamos nos policiar e adotar uma postura de vida plena de honestidade, de amor, de renúncia, de liberdade, de vontade de querer acertar e acima de tudo, de esperança. Busque ser uma pessoa vencedora. Transforme seus sonhos em realizações positivas. Vislumbre apenas potencialidades, como o sucesso e a felicidade. Procure a felicidade, antes de tudo, dentro de você. Procure fazer o bem. Ajude as pessoas a se promoverem. Procure melhorar sua autoestima, gostar de quem gosta de você e achará o caminho para a felicidade. Procure, no final de cada dia, refletir sobre aquilo que o fez feliz no dia que passou. O segredo para estar feliz é procurar elevar sua autoestima e tirar proveito desse estado de felicidade. Saiba aproveitar cada momento da sua vida, pois estará exercitando a arte de viver cada vez melhor e feliz. Procure ser fez, espelhando-se em você e não segundo o que os outros acham. Às vezes, a felicidade está tão perto que você não enxerga. Comece seu dia orando, confiando em Deus, esquecendo as ofensas, mágoas, ressentimentos. Inicie seu dia com o coração renovado, sem deixar de esquecer o que você foi, fez ou deixou de fazer. Sua vida merece ser plena e feliz. Abra a porta do seu coração. Deixe entrar a felicidade, a esperança, o amor, a caridade, a liberdade. Viva novas experiências sempre em busca da felicidade. Feliz aquele que permanece lutando mesmo encontrando obstáculos em seu caminho. Nunca desista da sua felicidade. Acredite que o segredo para ser feliz é encontrar dentro de você a alegria de viver a cada dia um novo amanhecer. Você precisa de pouco para ser feliz: abra seu coração e comece a perdoar. A felicidade é você gostar de tudo que faz. É ficar em harmonia com o seu interior. É sorrir. É sentir a sensação de liberdade, de saber que você tem uma família que o ama. É saber transmitir ao próximo também o seu contentamento, sua felicidade e sua alegria. Finalmente, não abra mão do que é fundamental para você: sua felicidade. Para que você possa encontrá-la é preciso de muita disciplina, determinação e fé. Tudo é possível quando temos Deus em nossos pensamentos. Alimente em seu coração motivos para viver cada dia mais feliz.
Estou me desprendendo daquela velha cartilagem
Me desvencilhando de tantos heteronômios adquiridos na estrada da vida
Da vida que começa em mim e termina no outro
Da vida que muitas vezes começa aqui e cruza com outras
E de tantas... tantas que me perco no impasse de ser e existir
Atualmente, ser feliz é questão de prioridade!
