Proverbios de Sono
"Na minha vida eu ja fiz de tudo um pouco, e esse pouco me fez crescer; mas nada foi o suficiente se comparando ao presente de ter conhecido você"
Saudade é um sentimento que dilacera os corações, renova as paixões e nos faz voar, faz do homem um menino, do sorisso uma lágrima, do caminho a distância, da alegria uma tristeza e a incerteza de um novo encontro.
Saudade que nos faz se perder nos camihos, mergulhar nos espinhos, perder o rumo e imigrar rumo ao desconhecido, saudade é dor que ninguém vê e sentimento que nos faz sofrer.
O ser humano se autodenomina em uma classe diferente dos animais, independente de filogenia, mas num parâmetro de “animal racional”; e existem mil argumentos nesse sentido. Não busco uma discussão sobre isso, apenas compreender certas coisas. Que animal destrói o seu próprio habitat conscientemente? Que espécie errante é essa que prolifera desordenadamente a ponto de esgotar seus suprimentos? Que animal racional se dividi em milhões de diferentes facções, tribos, grupos...., em eterno conflito, matando-se mutuamente? ... e com o crescimento dessa violência, se sentem bem dentro de suas gaiolas cheias de chaves. As perspectivas de futuro?
Der mann hat einen grossen Geist. Und ist so klein von taten. (O espirito do homem é grande, mas seus atos são tão mesquinhos.)
O tempo vai mostrar quem é quem.. Por quem devo lutar.. Se quiser ir, vai.. Mas não vai pensando que vou insistir pra ficar.. Afinal o que é verdadeiro não sente vontade de partir.
Por: Silvia Godoi
Sinto o vento na janela,
sempre fico á espera
de que um dia você vá voltar pra mim,
deito e fico no escuro
o meu mundo é inseguro
pois sei que não tenho você aqui,
você se foi e deixou a minha esperança
e eu fiquei pensando que fosse vingança,
sei que isso foi um erro meu
mas será que você já me esqueceu?
sei que esses momentos nunca saíram do meu pensamento
com o amor que corre ao vento
procurando algum sentimento.
O amor entre um homem e uma mulher é o melhor exemplo possível de como todas as esperanças deste mundo são uma ilusão absurda, e isso porque o amor promete extraordinariamente muito e nos entrega extraordinariamente pouco.
Você, quando traz os seus olhos
para encher de alegria e encantamento
a tristeza das minhas pupilas,
parece a imagem de um céu
refletida nas águas silenciosas
de duas lagoas tranqüilas...
Você é como um céu
que acendesse dois raios nos meus olhos
Parece que está ali no fundo da lagoa
tão perto,
e, entretanto, como está longe!
Às vezes, fico pensando
depois que você se vai
(e deixa nos meus olhos as sete cores da saudade)
tão depressa
como se eu nem a visse:
- para que haveria de servir meus olhos
para que?
se você
não existisse?!
O quarto em desordem.
Na curva perigosa dos cinquenta
derrapei neste amor. Que dor! que pétala
sensível e secreta me atormenta
e me provoca à síntese da flor
que não se sabe como é feita: amor,
na quinta-essência da palavra, e mudo
de natural silêncio já não cabe
em tanto gesto de colher e amar
a nuvem que de ambígua se dilui
nesse objeto mais vago do que nuvem
e mais defeso, corpo! corpo, corpo,
verdade tão final, sede tão vária,
e esse cavalo solto pela cama,
a passear o peito de quem ama.
Mesmo sendo a mais nova, você já não é pequenina, Sua vida é mesmo difícil, porque nosso dever — que ensina — É bancarmos professores, chatice que não termina. Nós somos experientes! Aprenda tudo comigo! Nós já passamos por isso, ouça tudo o que digo. Sabemos as regras, conhecemos o jogo. É sempre a mesma coisa desde a descoberta do fogo. Nossos defeitos não passam de coisa muito pequena, Mas os defeitos dos outros são mesmo de causar pena. É fácil encontrar as falhas quando a gente procura, Mas para os seus pais, por mais que tentem, é tarefa dura Tratar você com justiça, tratar você com bondade; Abandonar picuinhas, só com força de vontade. Vivendo com gente velha, o jeito é se acostumar Com tamanha rabugice — é duro, mas não se pode negar. A pílula é bem amarga, mas deve ser engolida, Assim mantemos a paz, a tranquilidade da vida. Os meses vividos aqui não foram jogados fora. Você não desperdiça tempo, não manda a coragem embora. Lê e estuda o dia inteiro — é realmente incrível Querendo expulsar o tédio para o mais longe possível. O que é que eu vou vestir? Qual é a minha saída? Não tenho mais calcinhas, a roupa está apertada, Minha anágua virou tanga, pareço uma enjeitada! Só mesmo cortando os pés consigo calçar sapatos, Ah, meu Deus, que desgraça, como sofro maus-tratos!
Quando à noite desfolho e trinco as rosas
É como se prendesse entre os meus dentes
Todo o luar das noites tranparentes,
Todo o fulgor das tardes luminosas,
O vento bailador das Primaveras,
A doçura amarga dos poentes,
E a exaltação de todas as esperas.
O mundo morrendo, o que está acontecendo?
A natureza pede socorro enquanto você diz:
"Foda-se o povo, eu tô é vivendo."
Seu filho sofre efeito borboleta do que você está fazendo.
Talvez haja muita acidez na lucidez, talvez haja a percepção de detalhes das belezas que nunca reparamos. Quando estamos num turbilhão emocional, as imagens turvas pedem anestesias e a gente acha que obtém algum controle sobre as coisas, porque pensamos que podemos deixar pra cuidar da nossa vida amanhã. Mas à medida que protelamos nossa transformação, à medida que adiamos nossa mudança, adiamos também uma forma nova de sentir outras alegrias. E fechamos os olhos pra quem está ao lado, ou banalizamos um possível encontro que poderia desencadear uma história mais bonita. Ter a felicidade como um propósito, é a coisa mais difícil que conheço. Estamos sempre fugindo de nós mesmos e nos julgamos espertos demais com a porção de pequenas mentiras que nos inventamos. Mas a angústia que vem disso não nos deixa esquecer que só estamos adiando um processo precioso e delicado demais já que podemos continuar nos anestesiando. É preciso estar pronto, mas estar pronto também é transitório. E é preciso lucidez e coragem pra enfrentar o nosso pior inimigo: nós mesmos. Admitir que estamos nos fazendo mal com alguns hábitos ou relacionamentos destrutivos é assustador. E muitas vezes a sensação de impotência é o que impera. Somos imediatistas demais e não queremos sentir dor. Camuflamos nossa infelicidade da forma mais adequada que podemos. E passamos boa parte da vida sendo quem não somos. Até que nos esquecemos de quem somos e vivemos aquela máscara social por tempo demais, mas sempre com aquela sensação de que alguma coisa está fora do lugar, nutrindo relações vazias e breves com medo de sermos descobertos.
Quando entrei em reclusão para organizar o que estava fora do lugar, tive uma das piores sensações da minha vida: era uma espécie de crise de abstinência e a bagunça estava tão arraigada que eu não sabia por onde começar a arrumar as coisas. Foram noites e dias enfrentando a vida de peito aberto, e sangrava. Eu chorava baixo e pedia paciência. E tinha pesadelos todas as noites. Acordava cansada e com o olhar mais triste que já tive.Até que tudo foi se ajeitando aos poucos, dentro do meu tempo e dos meus limites. Eu estava num processo de cura e não percebia.Mas estava buscando avidamente ser quem eu realmente era, ou pelo menos, melhor.
Hoje, eu consigo olhar pro meu passado como uma espectadora. E apontar cada detalhe e cada erro e acerto e cada instante e sensação e fuga. As projeções que fiz, as dependências que criei, as compulsões que tive, hoje são um presente de maturidade e otimismo. Porque comecei a atrair pessoas, histórias e assuntos mais leves, saudáveis. E criei pra mim uma rotina de paz, e deixei de admirar muita gente e a apreciar outras.E vivi muita solidão, muita solitude, muito aconchego também.
Hoje sou tão grata por tudo que doeu, por tudo que sangrou, pelo sono perdido. Retomei o controle da minha vida e estou sendo amada de uma maneira que me deixa mais segura. Perdi meus medos, sobrou apenas a minha fobia de altura. E, por menos que eu tenha escrito, a poesia sempre esteve em mim.
