Promessas
As promessas antigas voltam como roupas apertadas. Tentam servir um corpo que não é mais o mesmo. Algumas chegam a machucar, outras, aquecem ainda. Aprendi a escolher quais vestir e quando renunciar. Despir-se também é forma de honestidade.
A vida é um mestre severo: ensinou-me que amar não retém ninguém e que promessas são apenas palavras ao vento.
Chopin sabia que o piano é um confessionário sem padre, onde as teclas brancas são as promessas e as pretas são as verdades que doem no peito. Eu tento fazer o mesmo com as letras, transformando minha arritmia cardíaca em métrica poética para não morrer sufocado pelo que calo.
O povo… ah, o povo.
Cansado, ferido, distraído
entre promessas, novelas e sobrevivência.
Um país onde a corrupção
já nem se esconde mais nas sombras;
ela sorri diante das câmeras
enquanto o trabalhador conta moedas no fim do mês.
Não entendo essa democracia
em que os rombos são anunciados em voz alta
e, ainda assim,
muitos seguem aplaudindo os próprios algozes.
Trocam indignação por espetáculo,
consciência por conveniência,
e o futuro vira refém
de discursos embalados em bandeiras.
Enquanto isso,
os mesmos colocados no poder
esfregam na cara da população
a indiferença, o descaso, o abandono.
E nós?
Seguimos divididos,
gritando lados, defendendo nomes,
quando talvez devêssemos defender pessoas.
Porque um país não se destrói apenas pela corrupção dos poderosos…
mas também pelo silêncio
de quem se acostumou a sobreviver dentro dela.
— Helaine Machado
O talvez me prende
em possibilidades que nunca chegam,
em promessas sem coragem,
em sentimentos sem nome.
Helaine machado
Vivo cansado de promessas não cumpridas
De promessas abusivas ao meu povo
E ações criminosas de que o governo
Tem a nos oferecer;
Perguntamos? Por quê?
Construímos um país
Digno de verdades;
E não de mentiras e ilusões
Mas talvez não...
Só queremos um tanto de paz
E até felicidade para com o nosso povo;
Projetos sociais, medo, culpa e promessas de bênçãos não justificam o assédio nem a mendicância do dízimo dentro das igrejas.
“Seguimos com sonhos herdados, com promessas nao cumpridas, carregando expectativas de quem nunca viveu nossas vidas.”
"Cuida da tua luz, planta teus sonhos, rega tuas promessas. O universo tem mania de honrar quem caminha com verdade."
O mar é abrigo
O mar não pergunta nada.
Não exige explicações,
não pede promessas.
Eu chego cansada
e ele continua ali,
aberto, imenso,
sem se negar.
O mar acolhe até
quem chega quebrada,
com os pés feridos
e o peito cheio de nomes.
Não me diz para ficar,
não me diz para ir.
Ele apenas existe.
E às vezes isso basta:
um lugar que não foge,
que não se fecha,
que não me pede para ser outra.
Acontece.
As pessoas mudam.
Os afetos se transformam.
Algumas promessas não sobrevivem ao tempo.
E mesmo assim, certas histórias não se apagam.
Só aprendem a existir de outro jeito.
As pessoas passam quando veem flores.
Param quando há festa, riso fácil, promessas leves.
Mas desviam o olhar diante da cadeira, do silêncio,
do corpo que pede cuidado e não encanto.
Fico.
Não por vocação ao sacrifício,
mas porque amor não negocia presença.
Ser só eu e ela pesa,
não pelo caminho em si,
mas pela constatação de que poucos sabem caminhar
quando o chão exige firmeza.
Aprendi a ser suave sem ser frágil,
a seguir sem plateia,
a entender que quem vai embora
não falhou comigo,
apenas revelou seus limites.
E sigo.
Com menos mãos ao redor,
mas com a consciência limpa
de quem não trocou amor por facilidade.
A vida não ensina.
Ela rasga.
Arranca certezas pela raiz,
quebra promessas no joelho
e chama isso de caminho.
Os aprendizados vêm sujos,
sem legenda,
com gosto de perda na boca
e silêncio onde antes tinha nome.
A gente aprende sangrando,
aprende ficando,
aprende indo embora sem querer ir.
E mesmo assim, olha o absurdo,
continuamos vivos.
Não por força.
Por teimosia poética.
Eu me procurei nos lugares errados.
Nas pessoas.
Nos olhares que não ficaram.
Nas promessas que não sobreviveram.
E no fim…
eu estava no único lugar onde nunca pensei em olhar:
Dentro de mim.
Me reencontrar não foi bonito.
Não teve trilha sonora.
Teve silêncio.
Teve vergonha do que aceitei.
Teve culpa pelo que calei.
Mas também teve uma verdade crua:
eu nunca estive perdida.
Eu só estava longe de mim.
Fazer as pazes comigo não foi me perdoar por tudo.
Foi entender por que eu fiz.
Foi abraçar a mulher que aguentou o que eu hoje não aceito mais.
Reencontro não é voltar a ser quem eu era.
É finalmente ser quem eu sou.
"Nós nos tornamos algo que não esperávamos. Sem planos, sem promessas, sem perceber. Apenas aconteceu, como acontecem as coisas que realmente importam."
- OS MORTOS QUE AINDA RESPIRAM - O pub fede a cerveja velha, tabaco barato e promessas que nunca sobreviveram ao amanhecer. A madeira do balcão conhece mais derrotas do que qualquer igreja conhece confissões. Ninguém ali é santo. Ninguém ali espera um milagre.
É por isso que gosto deste lugar.
Aqui a mentira morre cedo.
Vejo homens afogando décadas dentro de um copo. Vejo outros contando moedas enquanto fingem que ainda têm tempo. Todos repetem a mesma oração miserável:
"Amanhã eu começo."
Mentira.
O amanhã é um golpe inventado para tranquilizar covardes.
A vida acontece agora, enquanto o gelo derrete no copo, enquanto a fumaça sobe em espirais e enquanto o coração ainda insiste em bater. Cada segundo desperdiçado é um pedaço da própria existência vendido por quase nada.
Você pode esperar.
Esperar o dinheiro. Esperar o amor. Esperar a oportunidade perfeita. Esperar que o medo vá embora.
Só não reclame quando descobrir que a morte nunca esperou por você.
Não se curve.
Porque o mundo adora homens de joelhos. Gente obediente compra mais, pensa menos e morre em silêncio.
Não quebre.
Quebrou o nariz? Levante. Quebrou o coração? Continue. Quebrou os planos? Construa outros com os pedaços. Ferro só vira lâmina depois que conhece o fogo.
Não desista.
Os maiores túmulos não estão nos cemitérios. Estão andando pelas ruas, respirando por obrigação, existindo sem nunca terem vivido um único dia de verdade.
Eu só quero viver enquanto estou vivo.
Não quero uma biografia limpa. Quero marcas. Quero erros. Quero noites mal dormidas, gargalhadas inconvenientes, amores intensos, fracassos honestos e histórias que façam alguém baixar o copo para escutar até o fim.
No fim da noite, o dono do pub apagará as luzes.
Um dia alguém apagará as suas.
A única pergunta que importa é esta:
Quando isso acontecer, você terá vivido... ou apenas ocupado espaço entre o nascimento e o enterro?
A morte não leva apenas os vivos. Ela coleciona, principalmente, aqueles que passaram a vida inteira pedindo licença para existir.
Você se sente amada
quando o silêncio não pesa e a presença fala mais alto que promessas?
Você se sente protegida quando o mundo endurece e há um peito firme onde o medo some e você pode descansar?
Você se sente cuidada
nos detalhes invisíveis,
no olhar atento, na palavra que conforta, nos braços que acolhem e na mão que permanece mesmo cansada?
Amor não é só intensidade, é constância.
Não é só desejo, é abrigo.
Amor é ficar quando seria mais fácil desistir.
É escolher todos os dias, mesmo conhecendo falhas, limites e cicatrizes.
Porque quem ama de verdade não apenas diz: "eu te amo"
prova, sustenta e nunca solta a mão.
